Sobre o curso

PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO:

O curso de Enfermagem através de um conjunto de diretrizes e estratégias traçadas pelo MEC e reelaboradas pelos professores ligados ao projeto Pedagógico, visa, de acordo com o contexto e necessidades locais e com objetivos de intensa atuação teórico – prática sob a realidade regional, formar o graduado e Licenciado em Enfermagem.

O projeto Pedagógico do Curso é fruto do trabalho coletivo de professores, funcionários e alunos que o construiram através de debates e seminários amplamente democráticos. 

 

Quadro de apresentação do curso

 

ENFERMAGEM -  GRADUAÇÃO E LICENCIATURA

Total de Vagas Anuais

50

Número da Alunos por Turma

50

Turno de Funcionamento

Matutino e Vespertino

Regime de Matrícula

Crédito Semestral

Carga Horária

Total: 5.240 h/a

Alterado Pela resolução nº 3, de 02 de julho de 2007 do
C.N.E.: 4.366 h/a

Integralização

Mínimo: 10 semestres

Máximo: 14 semestres

 

 

APRESENTAÇÃO

Amplas discussões sobre o ensino de Enfermagem surgiram no interior das Escolas e Cursos de Enfermagem, bem como, das entidades representativas da profissão, instituições e serviços de saúde, nos quais a prática se define como de suma importância para o trabalho profissional.

A enfermagem cumpre seu papel social na assistência à saúde individual, saúde da família, na saúde da comunidade, no campo do ensino e da pesquisa. Com isso a prática profissional envolve um conjunto de processos técnicos de ordem espacial e temporal, sujeitos a freqüentes mudanças.

Ao considerar o ser humano como sujeito do processo histórico, focaliza-se aspectos em que a história, a política, a economia, a antropologia, a psicologia, a filosofia, a sociologia dentre outras corroborarão à formação do enfermeiro para desenvolver análise crítica e reflexiva, que envolve o campo da saúde, educação e o atendimento individual e coletivo.

Diante deste entendimento as diretrizes curriculares do Curso de Enfermagem da UNIFAP retratam as necessidades de mudanças na formação do enfermeiro, implementando princípios, conteúdos, metodologias e estratégias que subsidiarão e reorientarão na formação e conseqüente trabalho deste profissional.

Neste contexto atende-se os anseios da comunidade local e regional, onde oferecemos um curso que vem a contribuir na a transformãção da realidade vivenciada, baseada na fusão de tecnologia, ciência e Cuidar Humanizado preconizado pelo Sistema Único da Saúde –SUS.

Dessa forma nosso projeto pedagógico fundamenta-se na visão de que o cuidar integre-se num sistema mais amplo e as manifestações de saúde ou doença sejam avaliadas a partir da interação ser humano e meio ambiente, em que fatores condicionantes e determinantes da vida, sejam compreendidos, estudados e tratados por profissionais que o percebam nessa perspectiva mais abrangente.

Desta feita, esse projeto expressa o pensar e o fazer do referido Curso a fim de identificar a necessidade de mudança objetivando intervir na realidade.

 

 

 

 

HISTÓRICO

 

Historicamente esta Universidade representa a concretização de uma antiga aspiração da sociedade amapaense. É de prevê-se assim, que suas ações estejam voltadas para formação do ser humano em suas múltiplas dimensões: social, econômica, política, cultural, científica e tecnológica, mediante a observância do princípio da indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão.

 

O curso de Enfermagem no Brasil foi criado oficialmente em 1950, obtendo reconhecimento pela Lei nº 1.254-50. Seu currículo mínimo obedece a resolução do Conselho Federal de Educação. Sua existência e prática no Estado do Amapá fixou-se através do Decreto 98.997 de 02 de Março de 1990, que institui de acordo com o disposto no Artigo 1º da Lei nº 7.530 de 29 de Agosto de 1986, a Fundação Universidade Federal do Amapá-UNIFAP e portaria do Ministério da Educação nº 863 de 10 de Setembro de 1990, que aprova o estatuto da Fundação Universidade Federal do Amapá, o que garantiu a criação do Curso de Licenciatura e Bacharelado em Enfermagem, com Carga Horária Total: 4.800 h, Carga Horária Teórica: 2.165h, Carga Horária Prática: 2.385h, Duração do curso: 10 Semestres (05 anos), tendo ocorrido o primeiro vestibular (processo seletivo) em 1991 com o ingresso de 50 alunos, iniciando portanto a primeira turma de graduandos.

 

Diante da perspectiva de reconhecimento, em 1992 realizou-se diagnóstico para se justificar a necessidade social da permanência e implementação do curso, o qual garantiu junto ao Ministério de Estado da Educação e do Desporto seu reconhecimento instituído por meio da Portaria nº 53 de 24 de Janeiro de 1996, que traz em seu conteúdo jurídico: “O Ministério de Estado da Educação e do Desporto, usando da competência que lhe foi delegada pelo Decreto nº 83.857, de 15 de Agosto de 1979, revigorada pelo Art. 3º do Decreto 1.303, de 8 de Novembro de 1994, de acordo com a Lei nº 9.131 de 24 de Novembro de 1995 e Parecer nº 1/96, da Comissão Especial designada por Decreto de 16 de fevereiro de 1995, aprovado em reunião de 17 de Janeiro de 1996 conforme consta do Processo nº 23125.000466/94-II, do Ministério da Educação e do Desporto, resolve:

Art. 1º Reconhecer o Curso de Enfermagem, Bacharelado e Licenciatura, ministrado pela Universidade Federal do Amapá, com sede na cidade de Macapá, Estado do Amapá.

Art.2º Esta Portaria entra em Vigor na data de sua publicação.(25/01/1996).

 

 JUSTIFICATIVA

 

Os Curso de Enfermagem tem passado por diversos problemas devido os conteúdos voltados à saúde coletiva serem muito restritos; o que têm gerado conflitos, expressados nas cargas horárias das disciplinas básicas, gerando escassez na associação de conhecimentos nas disciplinas técnicas. Tal organização atualmente, não oferece abertura para ajustar-se às mudanças técnico-científicas que ocorrem na sociedade, nos programas de saúde e na prática da enfermagem, embora procure adequar-se geram insatisfações docente/discente com o desenvolvimento curricular atual.

 

Em relação aos programas desenvolvidos e modificações que se fazem necessárias, estão relacionadas desde as denominações de disciplinas atuais que refletem o modelo “biomédico flexeriano” com escassas atividades em cenários de saúde coletiva. Diante desta realidade, busca-se implementar este currículo mediante as propostas inovadoras na integração das disciplinas que compõe a matriz curricular.

 

O currículo de Enfermagem acompanha a relação entre as matérias que se baseavam na Legislação Federal (Parecer nº 163/72 e Resolução nº 04/72). As práticas ficavam segmentadas, solitárias, paralelas o que contradiz um sistema dinâmico de intercâmbio de idéias propostas nas diretrizes atuais. Portanto, o currículo não deve ser separado da totalidade do social, deve ser historicamente situado e culturalmente determinado. É um ato político, atingindo um conjunto de ações de caráter estrutural.

 

O desenvolvimento das aulas práticas e estágios da forma como estão sendo realizados tem dificultado aos acadêmicos e docentes o mapeamento de situações evidenciadas nos cenários de treinamentos técnicos, o que de acordo com as experiências deverão ser assegurados nas atividades teórico-práticas com participação conjunta dos professores do curso, profissionais dos serviços de saúde e comunidade. Neste contexto, identifica-se o enfoque biolizante que evidencia a desarticulação entre o saber biológico integrado com as ciências sociais, necessários à compreensão das mudanças para o suporte de análises crítico-reflexivas na reestruturação dos conteúdos que precisam ser mais integrativos. Tal integração entre disciplinas pretende atender o contexto local, regional e proporcionar um currículo integrado as necessidades do atual modelo do sistema de saúde do País.

 

O currículo atual em relação as matérias previstas nos instrumentos legais retratam discrepâncias entre o discurso e a ação. Há um esvaziamento do currículo pleno em detrimento de disciplinas obrigatórias o que se efetiva a um objetivo oculto de eliminar as funções intelectivas na formação do profissional enfermeiro. A qualidade dos conteúdos programáticos das diferentes disciplinas ministradas estão alicerçados em sua maioria em livros textos produzidos em outra realidade.

 

Nesta nova concepção de currículo proposto, se faz necessário distribuição da carga horária mais racional à formação requerida, que possibilite ao acadêmico acesso e o tempo necessário às consultas no espaço de bibliotecas, participação de pesquisa e de programas de extensão comunitária; bem como participação em eventos científicos – educacionais. Em relação aos laboratórios de formação básica e específica deverão ser incrementados em termos de qualidade e quantidade dos equipamentos, além de ampliação em sua infra-estrutura física.         

 

Em conseqüência, as propostas emanadas dos documentos legislativos do ensino de Enfermagem (Resolução CNE/CES Nº 03 de 07/11/01) que institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem, os recursos humanos da Enfermagem reassumem compromisso fundamental que é a melhora na qualidade do ensino e da assistência, cuidado de enfermagem e na saúde. Todavia, não pretende um processo de ensino-aprendizagem desarticulado da realidade social, local e regional, tornando-se assim, uma ação a partir de reflexão efetiva. Ação esta que terá como cenários os locais onde acontecerá a formação do Enfermeiro: sala de aula, laboratórios, unidades básicas de saúde, Unidades de Saúde da Família (PSF), unidades hospitalares, comunidades e atividades de seminários, oficinas e outros, nos quais os atores envolvidos(docentes, acadêmicos, comunidade, usuários, funcionários das unidades) serão pontos de junção que visa buscar a realização do trabalho pedagógico a ser efetivado no interior das disciplinas do curso.

 

Assim, necessita-se de um currículo inovador capaz de formar profissionais dotados de conhecimentos e habilidades, que ao confrontar-se no cotidiano com a estrutura das instituições de serviços, possa contribuir para modificá-las. Entendemos que a verdadeira reorganização do currículo por ora proposto encontra-se atendendo as diretrizes de ensino, mediante as realidades locais. A resolução nº 03 /2001 no seu art. 3º e 4º, tratam da formação do Enfermeiro generalista, distingue as competências e habilidades que este profissional deverá ter ao sair da universidade, são elas: Atenção à saúde, tomada de decisão, comunicação, liderança, administração e gerenciamento e educação permanente. Essas habilidades ao serem trabalhadas na formação do Enfermeiro estarão viabilizando o cumprimento e a implementação do SUS nas instituições locais o que contemplará um atendimento de qualidade da demanda local.

 

Dessa maneira, o projeto pedagógico idealizado nesta proposta, centra-se nas diretrizes educacionais e orienta-se para preparar o acadêmico às questões sociais, interpreta a tarefa educativo-assistencial do momento com intervenções na realidade encontrada, redimensiona o currículo e desenvolve a prática nos módulos estruturais nas áreas temáticas formais do conhecimento de valores éticos, sociais, políticos e profissionais.

 

OBJETIVOS

Geral

§         Formar enfermeiros com visão crítico-reflexiva diante de realidades sócio-políticas locais, regionais e nacionais.

 

Específicos

§         Direcionar o processo ensino-aprendizagem com vistas a atender o compromisso social a que lhe confere a formação profissional;

§         Desenvolver investigação, ação e reflexão mediante fundamentação teórico-prática pautada no modelo social local, regional e nacional;

§         Promover formação voltada para pesquisa na área social com interface na saúde;

§         Formar Enfermeiros para o desenvolvimento de ações na atenção básica e hospitalar, na administração, no ensino e na pesquisa;

§         Discutir práticas e ações de enfermagem utilizadas no cuidar cotidiano;

§         Conduzir o acadêmico a ação-reflexão-ação por meio da construção de conhecimentos coletivos, para que ele possa enfrentar situações complexas apresentadas no cotidiano trabalhista;

§         Conduzir o acadêmico a utilizar diferentes fontes de estudo e pesquisa para ampliação de seu aprendizado e reflexão frente às diversas situações cotidianas no âmbito do cuidar;

§         Oferecer condições ao acadêmico à convivência com aspectos técnicos e humanísticos nas diferentes áreas de atuação (preventiva, promoção da saúde, educação e curativa).