{"id":1579,"date":"2020-07-04T15:16:40","date_gmt":"2020-07-04T15:16:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.unifap.br\/indigena\/?page_id=1579"},"modified":"2020-07-04T15:55:04","modified_gmt":"2020-07-04T15:55:04","slug":"breve-historico-do-clii","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www2.unifap.br\/indigena\/apresentacao-do-clii\/breve-historico-do-clii\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rico e contextualiza\u00e7\u00e3o do CLII"},"content":{"rendered":"<p>O Curso de Licenciatura Intercultural Ind\u00edgena (CLII) completou em 2017 dez anos de atua\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de professores ind\u00edgenas no Amap\u00e1 e norte do Par\u00e1. Ao longo dessa trajet\u00f3ria, al\u00e9m de atender as necessidades e demandas apontadas na cria\u00e7\u00e3o do Projeto Pedag\u00f3gico de Curso (PPC) de 2005, em virtude da morosidade no atendimento das pol\u00edticas p\u00fablicas atuais para a Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena, bem como das transforma\u00e7\u00f5es no cotidiano das comunidades ind\u00edgenas do Amap\u00e1 e norte do Par\u00e1, essa nova proposta de PPC considera os anseios apontados pelos povos ind\u00edgenas em 2005 e contempla o contexto atual da Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena.<\/p>\n<p>As \u00faltimas d\u00e9cadas foram marcadas por alguns fatores novos, tanto no plano internacional quanto nacional. Entre os primeiros, vale citar uma nova consci\u00eancia em face da quest\u00e3o ecol\u00f3gica; a emerg\u00eancia de um novo paradigma de desenvolvimento, vinculado ao conceito de etnodesenvolvimento; bem como a redefini\u00e7\u00e3o das responsabilidades em n\u00edvel mundial, levando \u00e0 redefini\u00e7\u00e3o das prioridades, metas e princ\u00edpios dos programas de coopera\u00e7\u00e3o internacional, pautados agora no conjunto integrado dos direitos humanos civis, pol\u00edticos, econ\u00f4micos, sociais e culturais.<\/p>\n<p>No contexto brasileiro, cabe citar a consolida\u00e7\u00e3o no plano jur\u00eddico institucional de um novo conceito de na\u00e7\u00e3o, que resulta do reconhecimento da diversidade cultural e \u00e9tnica da sociedade brasileira, com o consequente reconhecimento dos padr\u00f5es s\u00f3cio-organizativos das sociedades ind\u00edgenas, inclusive de seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>A partir dos avan\u00e7os verificados na legisla\u00e7\u00e3o e no crescente reconhecimento da diversidade sociocultural, tanto no plano internacional quanto nacional, \u00e9 de se esperar que a pol\u00edtica de Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena possa abrir-se e saber valer-se das novas perspectivas que se t\u00eam apresentado. Neste contexto se inserem iniciativas de projetos destinados a atender as demandas dos povos ind\u00edgenas, as quais s\u00e3o reflexos de mudan\u00e7as profundas no contexto da pol\u00edtica indigenista brasileira.<\/p>\n<p>Para que essas pol\u00edticas sejam garantidas h\u00e1 necessidade de ser fortalecido o projeto de autonomia dos povos ind\u00edgenas, no qual a educa\u00e7\u00e3o escolar tem um importante papel. A educa\u00e7\u00e3o escolar tem amparo em diferentes contextos da Constitui\u00e7\u00e3o \u2013 por exemplo, no cap\u00edtulo \u201cDos \u00cdndios\u201d est\u00e1 assegurada por meio do reconhecimento da diversidade sociocultural e lingu\u00edstica, na sua afirma\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o. No cap\u00edtulo \u201cDa educa\u00e7\u00e3o\u201d, tem base no princ\u00edpio norteador do ensino escolar nacional denominado pluralismo de ideias e de concep\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, o qual est\u00e1 presente tamb\u00e9m na Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o e no Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O reconhecimento da diversidade dos povos ind\u00edgenas implica em adotar uma nova concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, que possibilite a constru\u00e7\u00e3o de especificidades pedag\u00f3gicas em seu sentido mais amplo.\u00a0 Estas \u00a0especificidades \u00a0dever\u00e3o \u00a0incluir \u00a0as \u00a0concep\u00e7\u00f5es \u00a0e \u00a0pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas em sala de aula, os aspectos organizacionais e interculturais, como a participa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas e de suas comunidades nas propostas curriculares, na gest\u00e3o de cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores ind\u00edgenas, nos diferentes modelos de organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento das escolas ind\u00edgenas, na inclus\u00e3o da categoria professor ind\u00edgena nos planos de carreira das secretarias de educa\u00e7\u00e3o e nos concursos para professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>Neste contexto \u00e9 que se insere este Curso, na \u00a0perspectiva de uma pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o intercultural, como est\u00e1 garantida em lei, ou seja, da consolida\u00e7\u00e3o de pedagogias espec\u00edficas, pensadas como uma transversalidade importante no desenho curricular, partindo da realidade e do conhecimento do professor ind\u00edgena, das diversas experi\u00eancias e da realidade vivida por eles, suas comunidades e povos.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o de professores ind\u00edgenas tem um papel relevante no processo de implementa\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena, somente ap\u00f3s a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 \u00e9 que os povos ind\u00edgenas se apropriaram dos seus processos pr\u00f3prios de ensino e aprendizagem, surgindo a necessidade de cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores no ensino superior para que estes assumam com autonomia suas escolas.<\/p>\n<p>O CLII, enquanto licenciatura espec\u00edfica para professores ind\u00edgenas, est\u00e1 amparado, portanto, na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que estabelece um novo quadro de rela\u00e7\u00f5es do Estado com os povos ind\u00edgenas, reconhecendo-lhes o direito de sua organiza\u00e7\u00e3o, de sua manifesta\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica e cultural e de seu modo de viver segundo os seus pr\u00f3prios projetos societ\u00e1rios. Os ind\u00edgenas passaram a ter direito a uma educa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, diferenciada e intercultural, conforme os princ\u00edpios do Artigo 231 e, mais especificamente, do Artigo 210: \u201cO ensino fundamental regular ser\u00e1 ministrado em l\u00edngua portuguesa, assegurada \u00e0s comunidades ind\u00edgenas tamb\u00e9m a utiliza\u00e7\u00e3o de suas l\u00ednguas maternas e processos pr\u00f3prios de aprendizagem\u201d.<\/p>\n<p>O texto constitucional rompeu, portanto, com a pol\u00edtica integracionista de homogeneiza\u00e7\u00e3o cultural e \u00e9tnica e estabeleceu um novo paradigma com base no pluralismo cultural, no qual se insere o direito a uma educa\u00e7\u00e3o escolar espec\u00edfica. Garante o respeito aos seus processos pr\u00f3prios de aprendizagem, inclusive assegurando que o ensino seja feito na l\u00edngua materna dos povos ind\u00edgenas, como meio de comunica\u00e7\u00e3o e aprendizagem.<\/p>\n<p>A Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional, n\u00b0 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Artigo 78, em colabora\u00e7\u00e3o com as ag\u00eancias federais de fomento \u00e0 cultura e de assist\u00eancia aos povos ind\u00edgenas, define como dever do Estado a oferta de uma educa\u00e7\u00e3o escolar bil\u00edngue e intercultural, com o objetivo de fortalecer as pr\u00e1ticas socioculturais e a l\u00edngua materna dos povos \u00a0e\u00a0 comunidades \u00a0ind\u00edgenas, \u00a0bem \u00a0como \u00a0lhes \u00a0assegurar\u00a0 o \u00a0acesso \u00a0aos \u00a0conhecimentos t\u00e9cnico-cient\u00edficos da sociedade n\u00e3o ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Para que essa pol\u00edtica seja cumprida, o Artigo 79 da LDB determina que a Uni\u00e3o dever\u00e1 apoiar t\u00e9cnica e financeiramente o desenvolvimento da educa\u00e7\u00e3o intercultural \u00e0s comunidades ind\u00edgenas, e determina que haja a articula\u00e7\u00e3o dos sistemas de ensino para a elabora\u00e7\u00e3o de programas integrados de ensino e pesquisa, os quais dever\u00e3o ser constru\u00eddos com a participa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas, com os objetivos de inclu\u00ed-los nos Planos Nacionais de Educa\u00e7\u00e3o (PNE). Sendo que tais programas dever\u00e3o ter os seguintes objetivos: fortalecer as pr\u00e1ticas socioculturais e a l\u00edngua materna<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> de cada comunidade ind\u00edgena; manter programas de forma\u00e7\u00e3o de pessoal especializado, destinado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o escolar nas comunidades ind\u00edgenas; desenvolver curr\u00edculos e programas espec\u00edficos, neles incluindo os conte\u00fados culturais correspondentes \u00e0s respectivas comunidades e elaborar e publicar sistematicamente material did\u00e1tico espec\u00edfico e diferenciado.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o no marco regulat\u00f3rio sobre a Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena e a implementa\u00e7\u00e3o dos cursos de Magist\u00e9rio Ind\u00edgena em n\u00edvel de Ensino M\u00e9dio reconhece-se a demanda para a forma\u00e7\u00e3o de professores ind\u00edgenas em n\u00edvel superior. Para atender os encaminhamentos das resolu\u00e7\u00f5es vigentes construiu-se um instrumento de Referencial Curricular Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena (RCNEI, 1998), pautado nos princ\u00edpios de multietnicidade, pluralidade e diversidade; educa\u00e7\u00e3o e conhecimentos ind\u00edgenas; autodetermina\u00e7\u00e3o; comunidade educativa ind\u00edgena; educa\u00e7\u00e3o intercultural, comunit\u00e1ria, bil\u00edngue\/multil\u00edngue, espec\u00edfica e diferenciada.<\/p>\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 03 do Conselho da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CEB\/CNE), de 10 de novembro de 1999, estabelece, em seu artigo 1\u00ba, que:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;] no \u00e2mbito da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, a estrutura e o funcionamento das Escolas Ind\u00edgenas, reconhecendo-lhes a condi\u00e7\u00e3o de escolas com normas e ordenamento jur\u00eddicos pr\u00f3prios, e fixando as diretrizes curriculares do ensino intercultural e bil\u00edngue, visando \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o plena das culturas dos povos ind\u00edgenas e \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de sua diversidade \u00e9tnica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vale lembrar que a forma\u00e7\u00e3o e a habilita\u00e7\u00e3o dos professores ind\u00edgenas, inclusive no ensino superior, \u00e9 um requisito para que se assegure o cumprimento desta Resolu\u00e7\u00e3o, que inclusive garante a forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica dos professores ind\u00edgenas em servi\u00e7o e, quando for o caso, concomitantemente com a sua pr\u00f3pria escolariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cabe mencionar tamb\u00e9m o PNE, que foi sancionado por meio da Lei n\u00b0 10.172, de 09 de janeiro de 2001, e que disp\u00f5e de um cap\u00edtulo espec\u00edfico para a Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena. O CLII atende ainda \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT, da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio. Essa conven\u00e7\u00e3o assegura aos povos ind\u00edgenas o direito de adquirir uma educa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e diferenciada em todos os n\u00edveis de ensino, em condi\u00e7\u00f5es de igualdade com o restante da comunidade nacional. Direitos consolidados no Decreto n\u00ba 5.051, de 19 de abril de 2004.<\/p>\n<p>Entendeu-se que para os povos ind\u00edgenas obterem sua autodetermina\u00e7\u00e3o e tratar das quest\u00f5es que lhes digam respeito, sejam as de natureza socioecon\u00f4mica, sociocultural, lingu\u00edstica, ambiental, de sa\u00fade ou educacional, precisam de uma equipe de diversos profissionais ind\u00edgenas, pois estes t\u00eam um papel importante na luta pela \u201cperpetua\u00e7\u00e3o de suas culturas e territ\u00f3rios\u201d (PPC\/CLII, 2005, p.13)<em>.<\/em><\/p>\n<p>A dificuldade de promo\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena nas aldeias, vivenciada pelos povos ind\u00edgenas do Amap\u00e1 e norte do Par\u00e1, foi levada ao conhecimento dos \u00f3rg\u00e3os competentes e fez com que estes se posicionassem e solicitassem \u00e0 UNIFAP contribui\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o de professores ind\u00edgenas em n\u00edvel superior. Naquele momento foram realizadas reuni\u00f5es de articula\u00e7\u00e3o nas cidades de Macap\u00e1, Oiapoque e ainda nas aldeias ind\u00edgenas, para a discuss\u00e3o da implementa\u00e7\u00e3o do Ensino Superior Ind\u00edgena, envolvendo as seguintes institui\u00e7\u00f5es: Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (FUNAI) de Bras\u00edlia, representada pela Consultora Prof\u00aa Marlinda Patr\u00edcio; FUNAI de Macap\u00e1, representada pelo Administrador Sr. Mouzar Borges e a Chefe do Setor de Educa\u00e7\u00e3o, Prof\u00ba Maria Sely Rodrigues; FUNAI de Oiapoque, representada pelo Administrador Sr. Domingos Santa Rosa e a Chefe do Setor de Educa\u00e7\u00e3o, profesora Luc\u00edlia Lod; Associa\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Parque Ind\u00edgena do Tumucumaque (APITU), representada pelo Presidente, Sr. Arin\u00e9 Apala\u00ed e membro Sr. Juventino P. J\u00fanior (Kaxuyana); Conselho das Aldeias Way\u00e3pi, representado pelo Presidente, Sr. Kaitona Wai\u00e3pi; Conselho Escolar Waiana-Apalai, representado pela Presidente professora Elizabete dos Santos Pisa; Associa\u00e7\u00e3o dos Povos\u00a0 Ind\u00edgenas do Oiapoque (APIO), representado por Robersoni Anik\u00e1; C\u00e2mara dos Vereadores do Oiapoque, representado por Est\u00e1cio dos Santos; Representa\u00e7\u00e3o dos Professores Ind\u00edgenas, representado pelo professor Walter Vasconcelos dos Santos; N\u00facleo de Educa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena, representado pela professora Patr\u00edcia Borges; Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o (CEE), representado pela professora e Linguista Iraguacema Lima Maciel e UNIFAP, professora Simoni Maria Ben\u00edcio Valadares.<\/p>\n<p>A primeira reuni\u00e3o dos povos ind\u00edgenas com a UNIFAP ocorreu em abril de 2002, quando as lideran\u00e7as apresentaram as demandas e reivindica\u00e7\u00f5es sobre o acesso ao Ensino Superior ind\u00edgena aos Pr\u00f3-Reitores de Pesquisa e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Ensino da Gradua\u00e7\u00e3o, respectivamente, professores Jos\u00e9 Maria da Silva e Jo\u00e3o Nascimento Borges Filho. Numa segunda reuni\u00e3o, reconheceu-se a demanda existente e foi criado um Grupo de Trabalho (GT) que pudesse fomentar as discuss\u00f5es das a\u00e7\u00f5es voltadas ao acesso ao ensino superior ind\u00edgena. Numa terceira reuni\u00e3o discutiu-se a forma\u00e7\u00e3o superior, por meio de sistema de cotas, magist\u00e9rio superior e cursos espec\u00edficos e a composi\u00e7\u00e3o do GT interinstitucional, envolvendo \u00f3rg\u00e3os ou institui\u00e7\u00f5es com legitimidade quanto ao desenvolvimento de atividades na tem\u00e1tica. Desse modo, foram indicados os membros titulares e suplentes para a composi\u00e7\u00e3o do GT, institucionalizado pela Portaria n\u00ba 859\/2003, de 26 de novembro de 2003, expedida pelo Reitor em exerc\u00edcio Jo\u00e3o Nascimento Borges Filho. Naquele momento o GT foi composto pelas seguintes entidades: Universidade Federal do Amap\u00e1, N\u00facleo de Educa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena \u2013 NEI\/SEED, FUNAI-Bras\u00edlia, FUNAI-Oiapoque, FUNAI-Macap\u00e1, Associa\u00e7\u00e3o Galibi- Marworno \u2013 (AGM), Associa\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas de Oiapoque (APIO), Conselho das Aldeias Wai\u00e3pi \u2013 (APINA), Associa\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgena Wai\u00e3pi Tri\u00e2ngulo do Amapari (APIWATA), Associa\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Parque do Tumucumaque (APITU), Centro de Cultura Waiana-Apalai, Instituto de Pesquisa e Forma\u00e7\u00e3o &#8211; IEP\u00c9, Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o (CEE), Comiss\u00e3o Nacional de Professores Ind\u00edgenas (CNPI), Divis\u00e3o de Ensino M\u00e9dio (DIEM), C\u00e2mara de Vereadores de Oiapoque, Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade (FUNASA).<\/p>\n<p>As principais quest\u00f5es levantadas pelo GT no que se refere ao ensino superior foram: a) dificuldade para prosseguir os estudos ap\u00f3s o Ensino M\u00e9dio no que se refere ao acesso e perman\u00eancia ao ensino superior, somado isso, ao fato de serem casados e terem fam\u00edlias nas aldeias \u00a0(quest\u00e3o \u00a0cultural); \u00a0b) \u00a0as \u00a0quest\u00f5es \u00a0educacionais \u00a0s\u00e3o \u00a0reivindica\u00e7\u00f5es \u00a0das \u00a0pr\u00f3prias\u00a0 comunidades ind\u00edgenas; c) a cria\u00e7\u00e3o do N\u00facleo na UNIFAP respons\u00e1vel pelas a\u00e7\u00f5es para atender a educa\u00e7\u00e3o superior dos povos ind\u00edgenas e ainda as vagas destinadas aos ind\u00edgenas para \u00a0cursar\u00a0 o \u00a0Ensino \u00a0Superior; \u00a0e\u00a0 d)\u00a0 demanda\u00a0 crescente \u00a0de\u00a0 professores \u00a0ind\u00edgenas \u00a0para forma\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n<p>A partir dessas\u00a0 discuss\u00f5es,\u00a0 em\u00a0 2004\u00a0 foram\u00a0 definidas\u00a0 as\u00a0 seguintes\u00a0 metas\u00a0 para que fosse assegurada a implementa\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de acesso e perman\u00eancia de ind\u00edgenas na UNIFAP: a) diagnosticar as demandas para a forma\u00e7\u00e3o superior ind\u00edgena; b) elaborar uma proposta de curso espec\u00edfico a ser implantada pela UNIFAP (PPC\/CLII, 2005); c) viabilizar pol\u00edticas p\u00fablicas para o atendimento a forma\u00e7\u00e3o superior ind\u00edgena; d) definir e implementar a capacita\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o dos professores do magist\u00e9rio superior, no sentido de atender e se adequar a proposta do curso; e) propor \u00e0 Pr\u00f3-Reitoria de Gradua\u00e7\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de um N\u00facleo gestor ligado diretamente a esta; f) fazer circular sistematicamente as informa\u00e7\u00f5es das discuss\u00f5es do GT nas diferentes institui\u00e7\u00f5es parceiras; g) definir um espa\u00e7o f\u00edsico para funcionar o GT de forma permanente; e, h) encaminhar solicita\u00e7\u00f5es de cotas e sistema de vagas especiais.<\/p>\n<p>Assim, em 2007 o Curso teve in\u00edcio com o ingresso da primeira turma constitu\u00edda por 30 (trinta) discentes ind\u00edgenas dos povos Galibi-Marworno, Galibi-Kalin\u00e3, Karipuna, Palikur, Wai\u00e3pi, Apalai e Kaxuyana. Apesar do Curso tamb\u00e9m atender os Waiana e Tiriy\u00f3, n\u00e3o houve ingresso de discentes desses povos no primeiro Processo Seletivo Ind\u00edgena (PSI).<\/p>\n<p>Em 2011 a primeira turma concluiu o Curso, cujo reconhecimento ocorreu em 2013, com a obten\u00e7\u00e3o do conceito 03, de acordo com o Minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o Portaria n\u00b0 546\/2014\/SRES\/MEC. Ressalta-se que, por ser um Curso regular da UNIFAP, desde 2007 ocorre o ingresso anual de 30 (trinta) discentes.<\/p>\n<p>Desde a cria\u00e7\u00e3o do CLII ocorreram reformula\u00e7\u00f5es na legisla\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena, como a homologa\u00e7\u00e3o da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 05 de junho de 2012, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena, na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, pautadas pelos princ\u00edpios da igualdade social, da diferen\u00e7a, da especificidade, do bilinguismo e da interculturalidade. T\u00e3o importante quanto essa, foi homologada a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 01 de janeiro de 2015, que institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Forma\u00e7\u00e3o de Professores Ind\u00edgenas em cursos de Educa\u00e7\u00e3o Superior e de Ensino M\u00e9dio e d\u00e1 outras provid\u00eancias. \u00a0O objetivo dessas diretrizes \u00e9: \u201cregulamentar os programas e cursos destinados a forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada de professores ind\u00edgenas no \u00e2mbito dos respectivos sistemas de ensino, suas institui\u00e7\u00f5es formadoras e \u00f3rg\u00e3os normativos\u201d. Para atender essas resolu\u00e7\u00f5es vigentes, o Curso atualizou seu Projeto Pedag\u00f3gico com a prerrogativa de incorporar as novas orienta\u00e7\u00f5es legais e as demandas dos povos ind\u00edgenas do Amap\u00e1 e norte do Par\u00e1.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Entende-se por l\u00edngua maternal a l\u00edngua em uso nas comunidades ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Curso de Licenciatura Intercultural Ind\u00edgena (CLII) completou em 2017 dez anos de atua\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de professores ind\u00edgenas no Amap\u00e1 e norte do Par\u00e1. Ao longo dessa trajet\u00f3ria, al\u00e9m de atender as necessidades e demandas apontadas na cria\u00e7\u00e3o do Projeto Pedag\u00f3gico de Curso (PPC) de 2005, em virtude da morosidade no atendimento das pol\u00edticas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":818,"featured_media":0,"parent":1577,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"inline_featured_image":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"class_list":["post-1579","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/indigena\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1579","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/indigena\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/indigena\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/indigena\/wp-json\/wp\/v2\/users\/818"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/indigena\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1579"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/indigena\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1579\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1648,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/indigena\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1579\/revisions\/1648"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/indigena\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/indigena\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1579"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}