{"id":2818,"date":"2016-09-26T13:32:33","date_gmt":"2016-09-26T13:32:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/?p=2818"},"modified":"2016-09-26T13:32:33","modified_gmt":"2016-09-26T13:32:33","slug":"resistencia-negra-no-meio-do-mundo-encontro-de-culturas-africanas-como-transformador-social-no-combate-as-violencias-urbanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/2016\/09\/26\/resistencia-negra-no-meio-do-mundo-encontro-de-culturas-africanas-como-transformador-social-no-combate-as-violencias-urbanas\/","title":{"rendered":"Resist\u00eancia negra no meio do mundo: encontro de culturas africanas como transformador social no combate \u00e0s viol\u00eancias urbanas"},"content":{"rendered":"<p>O que pensam e como vivem os sonhadores que, irmanados por um ideal de vida, compartilham hist\u00f3rias, desenvolvem projetos e constroem um \u201cmundo alternativo\u201d na Amaz\u00f4nia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Em a\u00e7\u00e3o conjunta do Neab\/UNIFAP, do Pol\u00edticas do Corpo\/UNIFAP e do bar Sankofa, foram trazidos para a Unifap moradores do quilombola urbano de Bel\u00e9m, Casa Preta. Na ocasi\u00e3o, foi organizado um debate sobre o filme \u201cPreto sai, Branco fica\u201d e uma oficina de batuque com alfaias, xequer\u00eas e tambores. Alunos e alunas do curso de Jornalismo da Unifap estiveram presentes na cobertura e produziram uma ampla reportagem sobre a tem\u00e1tica da juventude negra, seus riscos e suas resist\u00eancias; este \u00e9 o resultado da disciplina Comunica\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Lylian Rodrigues.)<\/p>\n<p>O regime escravocrata no Brasil imprimiu severos abusos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra. A imposi\u00e7\u00e3o de longas e for\u00e7adas jornadas de trabalho em cons\u00f3rcio com a realiza\u00e7\u00e3o de tarefas que exigiam esfor\u00e7os f\u00edsicos descomunais; prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es alimentares, de higiene e habita\u00e7\u00e3o; tratamento venal, como se humanos n\u00e3o fossem, mas \u201ccoisas\u201d que se podiam comprar, vender, trocar.<\/p>\n<p>Qualquer resist\u00eancia \u00e0s condi\u00e7\u00f5es desumanas impostas, os negros eram severamente punidos por feitores e capatazes que \u201cgerenciavam\u201d o trabalho escravo, reprimiam as fugas e simbolizavam a onipresen\u00e7a e onipot\u00eancia dos \u201csenhores\u201d do regime.<\/p>\n<p>Troncos, chicotes, a\u00e7oites, chagas abertas, cicatrizes no corpo e na alma! Sob o \u201cmanto sagrado\u201d da lei e da tradi\u00e7\u00e3o social mais \u201cnobre\u201d, a desumanidade al\u00e7ava voos inimagin\u00e1veis incluindo a mutila\u00e7\u00e3o, a castra\u00e7\u00e3o, a amputa\u00e7\u00e3o de partes do corpo. A morte, talvez, representasse mais dignidade para homens, mulheres, crian\u00e7as, adolescentes e idosos que viviam nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia ao sistema escravocrata, por\u00e9m, sempre acompanhou a popula\u00e7\u00e3o negra! A forma podia se manifestar nos epis\u00f3dios de sabotagem, que atrapalhavam a produ\u00e7\u00e3o de alguma fazenda, gerando preju\u00edzo financeiro tempor\u00e1rio. Podia ser traduzida no\u00a0<i>mbanza<\/i>\u00a0\u2013 a melancolia, a saudade da p\u00e1tria-m\u00e3e origin\u00e1ria, a avers\u00e3o \u00e0 priva\u00e7\u00e3o da liberdade, resultante em greves de fome e at\u00e9 suic\u00eddios. A resist\u00eancia tamb\u00e9m podia ser percebida nas fugas individuais e coletivas, sendo a forma\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>quilombo<\/i>\u00a0o s\u00edmbolo maior dessa resist\u00eancia.<\/p>\n<p>A aboli\u00e7\u00e3o de 1888 p\u00f4s fim ao regime escravocrata, mas n\u00e3o significou o fim das desigualdades entre brancos e negros, nem a cessa\u00e7\u00e3o de atos desumanos contra a popula\u00e7\u00e3o negra e mesti\u00e7a. O\u00a0<i>esp\u00edrito escravocrata<\/i>\u00a0sobrevive, \u00e0s vezes de forma brutal e vis\u00edvel, como nos altos \u00edndice de viol\u00eancia urbana que recai sobre a popula\u00e7\u00e3o negra jovem; outras vezes de maneira sutil, quase polida, como nas regras sociais de comportamento e padr\u00f5es est\u00e9ticos europeizados impostos indistintamente.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia negra ganha formas diferentes nos dias de hoje e reedita antigas maneiras de se opor ao sistema opressor racista. Como no \u00faltimo dia 09 de agosto, quando aconteceu o\u00a0<i>Encontro de Culturas Africanas como Transformador Social no Combate \u00e0s Viol\u00eancias Urbanas<\/i>, nas depend\u00eancias da UNIFAP. Estiveram presentes integrantes da Casa Preta de Bel\u00e9m, do F\u00f3rum da Juventude Negra, al\u00e9m de estudantes, pesquisadores e professores.<\/p>\n<p><strong>Coletivo Casa Preta: a experi\u00eancia de um quilombo urbano<\/strong><\/p>\n<p>O Coletivo Casa Preta surgiu do encontro de quatro jovens negros no estado do Par\u00e1, no ano de 2008. Rafael Gomes e Anderson de Sousa (Don Perna), Louren\u00e7o Ribeiro (Negro Guin\u00ea) e Lamartine Silva (Negro Lamar).<\/p>\n<div id=\"attachment_2819\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Don-Perna.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2819\" class=\"size-medium wp-image-2819 \" alt=\"DON PERNA (CASA PRETA)\" src=\"http:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Don-Perna-240x300.jpg\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Don-Perna-240x300.jpg 240w, https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Don-Perna-822x1024.jpg 822w, https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Don-Perna.jpg 1027w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2819\" class=\"wp-caption-text\">DON PERNA (CASA PRETA)<\/p><\/div>\n<p>Vanessa, faz parte do coletivo a 2 anos e explicou um pouco mais sobre o objetivo das atividades realizadas. \u201cEu fa\u00e7o parte de um coletivo, uma casa de Cultura, chamada Casa Preta, que fica em Canudos, fronteira com Terra Firme, um bairro perif\u00e9rico de Bel\u00e9m-PA.<\/p>\n<p>A casa Preta nada mais \u00e9 que um quilombo urbano, onde a gente trabalha na comunidade com a galera da periferia, levando o bloco firme que \u00e9 um projeto da casa preta de percuss\u00e3o, tamb\u00e9m temos a roda de conversa das mulheres negras, e tem v\u00e1rios outros projetos que rolam, como exemplo: aulas de viol\u00e3o, aulas de yoga, capoeira, tudo nessa linguagem ancestral, da galera se reconhecer como negra\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_2820\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Vanessa.gif\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2820\" class=\"size-medium wp-image-2820 \" alt=\"VANESSA (CASA PRETA)\" src=\"http:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Vanessa-300x168.gif\" width=\"300\" height=\"168\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2820\" class=\"wp-caption-text\">VANESSA (CASA PRETA)<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, Vanessa, tamb\u00e9m contou que h\u00e1 2 anos, n\u00e3o se reconhecia como uma mulher negra, pois n\u00e3o conhecia sua ancestralidade, n\u00e3o sabia da onde eu vinha. \u201cHoje em dia, eu j\u00e1 sei e eu t\u00f4 muito feliz por isso, por fazer parte de um coletivo aonde eu posso saber quem foi Malcolm X, L\u00e9lia Gonzales, Nina Simone, Angela Davis, enfim, v\u00e1rios her\u00f3is negros que fazem a nossa hist\u00f3ria e eu acredito que \u00e9 esse o objetivo, de conseguir mais pessoas, de entrar na periferia, e falar pra pessoa que ela \u00e9 capaz, que ela pode, e \u00e9 isso, porque hoje em dia o exterm\u00ednio da juventude negra no bairro de canudos, no bairro da terra firme, que \u00e9 um dos bairros mais populosos de Bel\u00e9m, \u00e9 um dos bairros mais perigosos tamb\u00e9m, ainda \u00e9 muito grande, ent\u00e3o, o nosso objetivo \u00e9 esse: de quilombo urbano\u201d, finalizou.<\/p>\n<div id=\"attachment_2821\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Don-Perna_-a-conviv\u00eancia-na-casa-preta.png\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2821\" class=\"size-medium wp-image-2821 \" alt=\"Do Perna: a conviv\u00eancia na Casa Preta (V\u00eddeo)\" src=\"http:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Don-Perna_-a-conviv\u00eancia-na-casa-preta-300x168.png\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Don-Perna_-a-conviv\u00eancia-na-casa-preta-300x168.png 300w, https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Don-Perna_-a-conviv\u00eancia-na-casa-preta.png 781w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2821\" class=\"wp-caption-text\">Do Perna: a conviv\u00eancia na Casa Preta (V\u00eddeo)<\/p><\/div>\n<p>Link da entrevista:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=JRZgbF6WTHE\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=JRZgbF6WTHE<\/a><\/p>\n<p>Entre os projetos desenvolvidos, destaca-se o de laborat\u00f3rio art\u00edstico fundamentado no Afrobeat, que \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de m\u00fasica yorub\u00e1, jazz, highlife, funk e outros ritmos africanos. Filmes que abordam a cultura e a identidade negra ensejam conversas, workshops e oficinas. O Baob\u00e1 das Letras usa a tecnologia social para a resolu\u00e7\u00e3o problemas comunit\u00e1rios, como a falta d`\u00e1gua, atendimento \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. O Coletivo Casa Preta desenvolve a\u00e7\u00f5es e estimula a comunidade escolar a observar o cumprimento da Lei 10.639 de 2003, que determina a obrigatoriedade do ensino de hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira por meio de temas como hist\u00f3ria da \u00c1frica e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na forma\u00e7\u00e3o da sociedade nacional.<\/p>\n<p>A maior parte da mobiliza\u00e7\u00e3o de novas pessoas \u00e9 feita pela internet, como na p\u00e1gina do Facebook \u2013 link:<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/coletivocasapreta\/\">https:\/\/www.facebook.com\/coletivocasapreta\/<\/a><\/p>\n<p><strong>Juventude negra amapaense: resist\u00eancia e empoderamento<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de luta do jovem negro amapaense n\u00e3o difere muito do cen\u00e1rio nacional, mas o pouco que o difere tamb\u00e9m o empodera. O estado do Amap\u00e1 \u00e9 conhecido como uma das regi\u00f5es que aglomera grandes quilombos, e possui uma cultura negra mais presente e mais valorizada nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Mas nem sempre foi assim e isso tamb\u00e9m n\u00e3o quer dizer muita coisa, mesmo com a popula\u00e7\u00e3o amapaense sendo 73,9% negra ou parda. O n\u00famero de jovens brancos nas universidades chega a ser quatro vezes maior que a de negros, mesmo com as cotas. Isso evidencia a falta de oportunidades de acesso ao ensino p\u00fablico, agravada pela aus\u00eancia nos espa\u00e7os de circula\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A juventude negra ainda \u00e9 vista com o estere\u00f3tipo marginalizado em Macap\u00e1, espalhada nas \u00e1reas perif\u00e9ricas \u2013 pontes, invas\u00f5es. Sofre diariamente com o abuso da autoridade policial, com a intoler\u00e2ncia preconceituosa dos olhares alheios atentos \u00e0 cor da pele. Essa \u00e9 a mesma pol\u00edcia que, no m\u00eas de novembro, promove a seguran\u00e7a em um dos maiores eventos da cultura negra no estado, a Semana da Consci\u00eancia Negra do Amap\u00e1, realizado pela Uni\u00e3o dos Negro do Amap\u00e1, a UNA, que tem sua sede no bairro do Laguinho, que ainda \u00e9 marcado por iniciar a trajet\u00f3ria do Ciclo do Marabaixo, a maior manifesta\u00e7\u00e3o cultural, religiosa e hist\u00f3rica da cultura negra no estado.<\/p>\n<p>Nem tudo isso \u00e9 capaz de tornar o direito de ir e vir, do jovem negro amapaense, algo seguro. O medo se resume aos feitos e desfeitos da pol\u00edcia do estado, que justifica os \u00edndices alarmantes de viol\u00eancia contra a juventude como leg\u00edtima defesa.<\/p>\n<p>O jovem negro \u00e9 silenciado por quem deveria proteger e servir. Desempoderam o que \u00e9 direito na constitui\u00e7\u00e3o para todos os cidad\u00e3os e os segrega do direito de ter seus direitos. As abordagens policiais t\u00eam sido cada vez mais violentas e temerosas. Quando chegam a virar den\u00fancias de abuso s\u00e3o simplesmente arquivadas ou somem do sistema, h\u00e1 inclusive casos de mortes n\u00e3o relatadas.<\/p>\n<p>O\u00a0<i>F\u00f3rum da Juventude Negra do Amap\u00e1<\/i>\u00a0surgiu em 2016, a partir do Encontro Amapaense da Juventude Negra. Trata-se de uma iniciativa que procura dar voz e visibilidade \u00e0s a\u00e7\u00f5es, ideias e ideais da juventude negra amapaense.<\/p>\n<p>O\u00a0<i>F\u00f3rum<\/i>\u00a0representa resist\u00eancia e empoderamento, diante das tentativas de silenciamento e oculta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, mem\u00f3ria, direitos e luta da juventude negra local.<\/p>\n<p><strong>\u201cBranco sai, preto fica\u201d: fic\u00e7\u00e3o estimulando o debate sobre a viol\u00eancia real contra jovens negros<\/strong><\/p>\n<p>A juventude negra busca o reconhecimento do seu direito de ocupar diferentes espa\u00e7os sociais. Luta para que seus espa\u00e7os habituais de perten\u00e7a sejam respeitados, sem discrimina\u00e7\u00f5es e preconceitos.<\/p>\n<div id=\"attachment_2822\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Exibi\u00e7\u00e3o-do-filme-Braco-sai-preto-fica.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2822\" class=\"size-medium wp-image-2822 \" alt=\"Exibi\u00e7\u00e3o do filme &quot;Branco sai, preto fica&quot;\" src=\"http:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Exibi\u00e7\u00e3o-do-filme-Braco-sai-preto-fica-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Exibi\u00e7\u00e3o-do-filme-Braco-sai-preto-fica-300x199.jpg 300w, https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Exibi\u00e7\u00e3o-do-filme-Braco-sai-preto-fica-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/Exibi\u00e7\u00e3o-do-filme-Braco-sai-preto-fica.jpg 1489w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2822\" class=\"wp-caption-text\">Exibi\u00e7\u00e3o do filme &#8220;Branco sai, preto fica&#8221;<\/p><\/div>\n<p>Com uma mistura de fic\u00e7\u00e3o e realidade, o filme \u201c<i>Branco sai, preto fica<\/i>\u201d busca discutir, a partir de um acontecimento real, a viol\u00eancia policial cotidiana, a segrega\u00e7\u00e3o da periferia e o racismo. No ano de 1986, em um baile de black music de Bras\u00edlia, policiais militares invadiram a festa abordando in\u00fameros cidad\u00e3os e disparando v\u00e1rios tiros. Ap\u00f3s o tiroteio, dois homens tiveram sequelas: um ficou parapl\u00e9gico e o outro com a perna amputada. O pr\u00f3prio nome do filme remete, factualmente, a uma fala de um dos policiais durante a invas\u00e3o ao baile.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do longa mostrar a realidade dos dois homens afetados pela viol\u00eancia policial desnecess\u00e1ria, o espectador \u00e9 desafiado a compreender at\u00e9 que ponto as cenas s\u00e3o realmente realistas ou ficcionais. \u00c9 o caso do terceiro personagem.\u00a0 Dimas Cravalan\u00e7as \u00e9 enviado do futuro para investigar o que aconteceu na noite da invas\u00e3o. Para isso ele \u201cviaja\u201d na sua m\u00e1quina do tempo colhendo provas contra o estado brasileiro. Por\u00e9m, essa m\u00e1quina nada mais \u00e9 do que uma ca\u00e7amba de metal que simplesmente n\u00e3o sai de um terreno baldio. Met\u00e1fora das dificuldades encontradas pela juventude negra para sair do\u00a0<i>lugar comum<\/i>\u00a0socialmente imposto?<i><\/i><\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio da Anistia Internacional, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata no mundo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a policial. No Rio de Janeiro, na Favela do Acari, por exemplo, entre os anos de 2010 e 2013, as v\u00edtimas geralmente eram homens (99,5%); negros (80%); e tinham idades entre 15 e 29 anos (75%). Em 2014, 15,6% dos homic\u00eddios possu\u00eda um militar como praticante. Segundo o documento, os policiais cometem os crimes em cidad\u00e3os que j\u00e1 se renderam ou que j\u00e1 est\u00e3o feridos.<i><\/i><\/p>\n<p>O F\u00f3rum da Juventude Negra no Amap\u00e1, FOJUNE-AP, tamb\u00e9m tenta, assim como o filme, desconstruir as quest\u00f5es do racismo e da viol\u00eancia contra os jovens, de forma a mobilizar toda a sociedade que se sinta sensibilizada com os di\u00e1logos e as articula\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/O-Filme-estimulou-o-debate-no-Encontro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2823 aligncenter\" alt=\"O-Filme-estimulou-o-debate-no-Encontro\" src=\"http:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/O-Filme-estimulou-o-debate-no-Encontro-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/O-Filme-estimulou-o-debate-no-Encontro-300x199.jpg 300w, https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/O-Filme-estimulou-o-debate-no-Encontro-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/files\/2016\/09\/O-Filme-estimulou-o-debate-no-Encontro.jpg 1489w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">O filme estimulou o debate no\u00a0<i>Encontro de Culturas Africanas como Transformador Social no Combate \u00e0s Viol\u00eancias Urbanas<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\" align=\"center\"><b>CR\u00c9DITOS<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>ROTEIRO<\/b><\/p>\n<p align=\"center\">Gleidson Salheb<\/p>\n<p align=\"center\"><b>PRODU\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p align=\"center\">Alexandre Evangelista<\/p>\n<p align=\"center\">Gabriel Marti<\/p>\n<p align=\"center\">Camille Camilze<\/p>\n<p align=\"center\">Gleidson Salheb<\/p>\n<p align=\"center\"><b>EDI\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p align=\"center\">Gleidson Salheb<\/p>\n<p align=\"center\"><b>FILMAGEM &amp; FOTOGRAFIA<\/b><\/p>\n<p align=\"center\">Gleidson Salheb<\/p>\n<p align=\"center\">Amanda Paiva<\/p>\n<p align=\"center\">Cindy Pantoja<\/p>\n<p align=\"center\"><b>REPORTAGEM<\/b><\/p>\n<p align=\"center\">Amanda Paiva<\/p>\n<p align=\"center\">Nicole Lemos<\/p>\n<p align=\"center\">Cindy Pantoja<\/p>\n<p align=\"center\">Igor Tiago<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que pensam e como vivem os sonhadores que, irmanados por um ideal de vida, compartilham hist\u00f3rias, desenvolvem projetos e constroem um \u201cmundo alternativo\u201d na Amaz\u00f4nia &nbsp; (Em a\u00e7\u00e3o conjunta do Neab\/UNIFAP, do Pol\u00edticas do Corpo\/UNIFAP e do bar Sankofa,&hellip; <\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/2016\/09\/26\/resistencia-negra-no-meio-do-mundo-encontro-de-culturas-africanas-como-transformador-social-no-combate-as-violencias-urbanas\/\" class=\"readmore-button\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":830,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2818","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2818","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/830"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2818"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2818\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2844,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2818\/revisions\/2844"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/jornalismo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}