{"id":40,"date":"2010-06-21T21:14:03","date_gmt":"2010-06-21T23:14:03","guid":{"rendered":"http:\/\/pororoca.unifap.br\/medicina\/?p=40"},"modified":"2019-01-31T12:43:15","modified_gmt":"2019-01-31T12:43:15","slug":"simbolo-correto-da-medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.unifap.br\/medicina\/simbolo-correto-da-medicina\/","title":{"rendered":"S\u00edmbolo correto da medicina"},"content":{"rendered":"<div><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cafeesaude.com.br\/imgs\/medicina1.gif\" width=\"249\" height=\"249\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/\/\/Users\/gabrielvillas-boas\/Library\/Caches\/TemporaryItems\/moz-screenshot-9.png\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/\/\/Users\/gabrielvillas-boas\/Library\/Caches\/TemporaryItems\/moz-screenshot.png\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/\/\/Users\/gabrielvillas-boas\/Library\/Caches\/TemporaryItems\/moz-screenshot-1.png\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/\/\/Users\/gabrielvillas-boas\/Library\/Caches\/TemporaryItems\/moz-screenshot-2.png\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/\/\/Users\/gabrielvillas-boas\/Library\/Caches\/TemporaryItems\/moz-screenshot-3.png\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/\/\/Users\/gabrielvillas-boas\/Library\/Caches\/TemporaryItems\/moz-screenshot-4.png\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/\/\/Users\/gabrielvillas-boas\/Library\/Caches\/TemporaryItems\/moz-screenshot-5.png\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/\/\/Users\/gabrielvillas-boas\/Library\/Caches\/TemporaryItems\/moz-screenshot-6.png\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/\/\/Users\/gabrielvillas-boas\/Library\/Caches\/TemporaryItems\/moz-screenshot-7.png\" \/><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"\/\/\/Users\/gabrielvillas-boas\/Library\/Caches\/TemporaryItems\/moz-screenshot-8.png\" \/><\/div>\n<div>1. S\u00edmbolo Ascl\u00e9pio<\/div>\n<h3>A Contribui\u00e7\u00e3o da Mesopot\u00e2mia (3.000 a. C.)<\/h3>\n<p>O s\u00edmbolo da medicina, uma cobra enrolada num cajado, originou-se na antiga Mesopot\u00e2mia h\u00e1 cerca de cinco mil anos. A \u00e1gua, pela sua import\u00e2ncia na vida de animais e vegetais influ\u00eda na forma\u00e7\u00e3o de conceitos de vida e morte. Todas as cidades apenas viviam as margens de grandes rios. Diversos deuses, como dos cosmos, senhores dos c\u00e9us, da terra e da \u00e1gua eram venerados e o homem devia ser servil e obediente. O pensamento primitivo do homem era m\u00e1gico e m\u00edstico. Era cren\u00e7a de que os deuses criaram o C\u00e9u e a Terra e depois o homem. Este foi feito do barro e misturado com ar e sangue de um deus morto para este prop\u00f3sito. Esta \u00e9 a raz\u00e3o da cren\u00e7a mesopot\u00e2mica de que os deuses estavam presentes em todo ser vivo. Os seres humanos foram feitos para servir aos deuses e aos governantes, venerando-os e construindo templos. Aqueles que eram obedientes eram protegidos e aqueles que eram desobedientes eram esquecidos e acometidos de doen\u00e7as. A magia era a principal medida terap\u00eautica, a qual tamb\u00e9m era utilizada para a obten\u00e7\u00e3o de chuva para a colheita. Ap\u00f3s o dom\u00ednio dos ass\u00edrios e babil\u00f4nicos sobre a Mesopot\u00e2mia, os costumes, leis e doutrinas dos sum\u00e9rios foram adotados na regi\u00e3o. A cidade da Babil\u00f4nia tornou-se o centro de cultos religiosos que atribu\u00edam poder a tr\u00edade \u00c1gua, Terra e C\u00e9u. O deus mais antigo eram Sin, o qual cuidava do crescimento de ervas curativas, as quais n\u00e3o deviam ser expostas ao sol. Em torno de 2000 a.C. estabeleceu-se a primeira dinastia babil\u00f4nica, com o reinado de HAMMURABI (1792-1750), o qual elaborou um c\u00f3digo, onde dizia que a doen\u00e7a causada em alguma pessoa por outra pessoa, poderia ser compensada conforme alguns artigos:<\/p>\n<p><strong>Art. 196 &#8220;Se ele quebrar um osso de seu patr\u00edcio, seu osso deve ser quebrado.&#8221;<br \/>\nArt. 197 &#8220;Se um homem destruir o olho de seu patr\u00edcio, seu olho deve ser destru\u00eddo&#8221;.<\/strong><\/p>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"Ningishizida\" src=\"http:\/\/cafeesaude.com.br\/imgs\/medicina2.gif\" width=\"120\" height=\"264\" \/>Ningishizida<\/div>\n<p>Os sum\u00e9rios, iniciadores da religi\u00e3o mesopot\u00e2mica, tinham entre seus deuses, NINGISHIZIDA, deus da cidade de Gishibanda, perto de Ur, no sul da Mesopot\u00e2mia. Seu nome significa &#8220;deus protetor das plantas&#8221; e era representado com duas serpentes crescendo de seus ombros. Os sum\u00e9rios consideravam a serpente, chamada SACHAN, um s\u00edmbolo de juventude e sa\u00fade, pois al\u00e9m de trocar a pele, rejuvenescendo-se, vivia pr\u00f3ximo das profundezas da terra, onde habitava EA, deusa das \u00e1guas e da sa\u00fade. Mais tarde o s\u00edmbolo da sa\u00fade e medicina passou a ser representado por uma serpente com duas cabe\u00e7as enroladas em um cajado ou um galho de uma planta. Esta simbologia foi transmitida at\u00e9 o reinado de HAMMURABI, o qual, retirou uma serpente do s\u00edmbolo, ficando apenas uma serpente enrolada num cajado. Os historiadores divergem quanto as raz\u00f5es desta mudan\u00e7a, havendo alguns que acreditam que talvez tenha sido um plano real de combate a infla\u00e7\u00e3o da \u00e9poca enquanto que outros acreditam que o rei, temeroso da popularidade da classe m\u00e9dica &#8211; todos muitos estudiosos e competentes -. tentou diminuir o seu prest\u00edgio para assim poder pagar baixos sal\u00e1rios a estes profissionais. Este s\u00edmbolo foi transmitido para a civiliza\u00e7\u00e3o grega oito s\u00e9culos mais tarde, que incorporou conceitos da religi\u00e3o mesopot\u00e2mica para sua mitologia.<\/p>\n<h3>A Mitologia Grega<\/h3>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"S\u00edmbolo Hermes\" src=\"http:\/\/cafeesaude.com.br\/imgs\/medicina1a.gif\" width=\"200\" height=\"205\" \/>2. S\u00edmbolo Hermes<\/div>\n<p>A mitologia \u00e9 a narrativa de uma cria\u00e7\u00e3o, sendo uma representa\u00e7\u00e3o coletiva transmitida atrav\u00e9s de gera\u00e7\u00f5es e que relata uma explica\u00e7\u00e3o e express\u00e3o do mundo e da realidade humana. Na tentativa de explicar o mundo e o homem que formam a complexidade do real, a mitologia deixa de ser l\u00f3gica, passa a ser il\u00f3gica e at\u00e9 irracional. Fica aberta a vers\u00f5es, mudan\u00e7as e interpreta\u00e7\u00f5es. Ao decifrar um mito, o homem tenta decifrar a si mesmo. Foi esta forma de pensamento que criou a busca do conhecimento interior dos tempos modernos, atrav\u00e9s de CARL JUNG (1875 &#8211; 1961) e o inconsciente coletivo e SIGMUND FREUD (1856-1939) e o complexo de \u00c9dipo. Mas para quem gosta de hist\u00f3ria e j\u00e1 foi analisado ou n\u00e3o precisa de analista, a mitologia grega \u00e9 bela e completa, pois desvenda tudo sobre o ser humano. Na religi\u00e3o o homem se torna humilde e, atrav\u00e9s da f\u00e9, uma emo\u00e7\u00e3o e uma for\u00e7a ainda pouco conhecida embora muito usada, reconhece e manifesta sua depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a DEUS, um ser invis\u00edvel e perfeito. Atrav\u00e9s da ci\u00eancia, o homem busca esta perfei\u00e7\u00e3o e o dom\u00ednio de tudo, buscando a onipot\u00eancia podendo at\u00e9 ignorar a humildade, embriagado pelo conhecimento e pela vaidade. E se esquece que enquanto a ci\u00eancia traz o conhecimento, a religi\u00e3o e a f\u00e9 permitem ao homem conhecer a sabedoria e a paz. Mas na mitologia o homem realiza todos seus desejos religiosos e cient\u00edficos, pois cria seus mitos concebidos como hist\u00f3ria verdadeira. Ele humaniza o mundo natural e sobrenatural e valoriza, d\u00e1 confian\u00e7a e esperan\u00e7a ao homem mortal. Afinal, qual o ser humano que n\u00e3o quer se tornar um mito?.<\/p>\n<p>Enquanto que nas civiliza\u00e7\u00f5es vizinhas os deuses inspiravam temor e medo, na mitologia grega os deuses inspiravam uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. Os gregos dotavam seus deuses de atributos semelhantes aos seus, isto \u00e9, de corpos humanos e de fraquezas e desejos humanos. Eram deuses feitos a imagem e semelhan\u00e7a do homem. Imaginavam uma grande fam\u00edlia de divindades a brigar entre si, necessitando de alimentos especiais e do sono. Misturavam-se livremente com os homens e at\u00e9 tendo filhos de mulheres mortais. Os deuses diferiam dos homens por se alimentarem de n\u00e9ctar e ambr\u00f3sia, o que lhes conferia imortalidade. N\u00e3o moravam no c\u00e9u, mas no alto do Monte Olimpo, um pico no norte da Gr\u00e9cia de 3.000 metros de altura. Na mitologia grega, n\u00e3o foram os deuses que criaram o universo, mas o universo que criou os deuses. A primeira fase do universo envolve a hist\u00f3ria do CAOS de onde sa\u00edram, al\u00e9m de T\u00c1RTARO, o local mais profundo das entranhas da terra, abaixo dos pr\u00f3prios infernos, EROS, deus do amor e G\u00c9IA (Terra), que gerou URANO, o qual deu nascimento aos deuses. Na primeira gera\u00e7\u00e3o divina URANO (C\u00e9u) se une a G\u00c9IA (Terra) dando origem a numerosa descend\u00eancia: TIT\u00c3S, TIT\u00c2NIDAS, C\u00cdCLOPES, HECATONQUIROS e outros como CRONO (Tempo), MUSA, ER\u00cdNIA, etc. Embora de origem divina, surgiram mortais como os GIGANTES e divindades secund\u00e1rias que n\u00e3o moravam no Olimpo, como as NINFAS. A primeira gera\u00e7\u00e3o divina se fecha com AFRODITE ap\u00f3s uma longa e importante descend\u00eancia nascidas de URANO e G\u00c9IA. A segunda gera\u00e7\u00e3o divina relata CRONO e seus descendentes, que, ap\u00f3s de casar com sua irm\u00e3 R\u00c9IA, deu origem a H\u00c9STIA, HERA, DEM\u00c9TER, HADES, POS\u00cdDON (ou POSEIDON) e ZEUS. A terceira gera\u00e7\u00e3o divina aborda ZEUS e sua luta pelo poder. Quando atingiu a idade adulta, ZEUS iniciou uma longa e terr\u00edvel luta contra seu pai CRONO e seus tios, os TIT\u00c3S. Terminada a refrega, tr\u00eas grandes deuses receberam por sorteio seus respectivos dom\u00ednios: ZEUS obteve o c\u00e9u, POS\u00cdDON, o mar e HADES, o mundo subterr\u00e2neo. Mas a supremacia do universo pertencia a ZEUS, que passou a ser considerado o deus do c\u00e9u e controlador dos raios, o pai dos deuses e dos homens. Al\u00e9m de ZEUS, moravam no OLIMPO outros deuses, num total de doze: ZEUS, seus dois irm\u00e3os POS\u00cdDON e HADES, sua irm\u00e3 HESTIA, sua esposa HERA, esposa leg\u00edtima e protetora das esposas do amor leg\u00edtimo, embora ciumenta, vingativa e violenta. Vivia irritada pela infidelidade de ZEUS que teve in\u00fameros casos e filhos com diversas mulheres, deusas e mortais, sendo um de seus filhos H\u00c9RACLES &#8211; H\u00c9RCULES do latim &#8211; com ALCMENA. H\u00c9RACLES foi uma das v\u00edtimas prediletas da persegui\u00e7\u00e3o de HERA, que imp\u00f4s ao her\u00f3i os c\u00e9lebres DOZE TRABALHOS. Tamb\u00e9m moravam no OLIMPO outros deuses como ARES, deus da guerra e filho ZEUS e HERA, al\u00e9m de outros filhos e filhas, como ATEN\u00c1 (ou ATENAS), filha de ZEUS com sua primeira esposa M\u00c9TIS, APOLO, filho de ZEUS com a divindade oriental LETO, AFRODITE, filha de ZEUS com DIONE, HERMES, filho de ZEUS e MAIA, ARTEMIS, irm\u00e3 de APOLO e HEFESTOS, outro filho de ZEUS e HERA, mas fruto de uma uni\u00e3o sem amor, pois veio ao mundo por c\u00f3lera e desafio de HERA ao esposo, que o gerou sozinha. Quase todas as divindades eram capazes tanto do bem como do mal, pois as vezes enganavam os homens e os induziam ao erro.<\/p>\n<h3>Hermes<\/h3>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cafeesaude.com.br\/imgs\/medicina9.jpg\" width=\"93\" height=\"227\" \/><\/div>\n<p>HERMES era filho de ZEUS com MAIA, uma das sete filhas de ATLAS e a mais jovem das Pl\u00eaiades. HERMES nasceu no dia 4 (n\u00famero lhe era consagrado) numa caverna do monte Cilene, sendo enfaixado e colocado no v\u00e3o de um salgueiro, \u00e1rvore sagrada, s\u00edmbolo da fecundidade e da imortalidade, mas logo revelando uma precocidade extraordin\u00e1ria. No mesmo dia de seu nascimento, libertou-se das faixas e viajou at\u00e9 a Tess\u00e1lia, onde furtou parte do rebanho de ADMETO, guardado por APOLO que cumpria uma puni\u00e7\u00e3o. Com os animais com galhos amarrados na cauda, apagou seu rastro e foi para a gruta de Pilos. L\u00e1 sacrificou duas novilhas aos deuses, dividindo-as em doze por\u00e7\u00f5es, embora os imortais fossem apenas onze at\u00e9 ent\u00e3o: o menino-prod\u00edgio acabava de se promover a d\u00e9cimo segundo deus do Olimpo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esconder o resto do rebanho, regressou a Cilene, onde matou uma tartaruga, arrancando sua carapa\u00e7a, com a qual fez uma lira, usando as tripas de novilhas sacrificadas como cordas. APOLO descobriu e acusou o ladr\u00e3o a MAIA, a qual negou o furto e protegeu seu filho rec\u00e9m-nascido, como uma verdadeira super-m\u00e3e. APOLO ent\u00e3o recorreu a ZEUS, que constatou a mentira do filho e o obrigou a prometer que nunca mais faltaria com a verdade. HERMES concordou acrescentando que n\u00e3o estaria obrigado a dizer a verdade por inteiro. HERMES encantou a todos com o som de sua lira, a qual trocou pelo resto do rebanho furtado. A seguir, HERMES inventou a flauta de P\u00e3 (&#8220;syrinks&#8221;), que despertou a cobi\u00e7a e o desejo de APOLO de possu\u00ed-la e, para tal, lhe ofereceu o cajado de ouro &#8211; o caduceu &#8211; que passou a figurar como seu s\u00edmbolo e atributo. HERMES \u00e9 uma divindade complexa, que inicialmente era um deus agr\u00e1rio, protetor dos pastores n\u00f4mades e dos rebanhos, sendo tamb\u00e9m representado com um carneiro sobre os ombros. Mas os gregos ampliaram suas fun\u00e7\u00f5es e, por ter furtado o rebanho de APOLO, ele se tornou um s\u00edmbolo de tudo quanto implica em ast\u00facia, ardil trapa\u00e7a, sendo conhecido como um verdadeiro amigo e protetor dos comerciantes e dos ladr\u00f5es. Era mencionado como o Senhor dos que realizam seus neg\u00f3cios durante a noite, \u00e0s escuras, cujo significado \u00e9 bem claro. Protetor dos viajantes, era o deus das estradas, as quais cuidava e por onde andava com incr\u00edvel rapidez, pelo fato de usar sand\u00e1lias de ouro, providas de asas.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cafeesaude.com.br\/imgs\/medicina3.gif\" width=\"128\" height=\"180\" \/><\/div>\n<p>Pela sua rapidez, tornou-se mensageiro predileto dos deuses, principalmente de seu pai, ZEUS. Por sua ast\u00facia e intelig\u00eancia, sua capacidade de se tornar invis\u00edvel ao usar o capacete de HADES e de viajar por todos os lugares com incr\u00edvel velocidade, fez boas a\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m. Recomp\u00f4s fisicamente seu pai ZEUS, roubando os tend\u00f5es que lhe arrancara o monstruoso TIF\u00c3O e salvou a ULISSES e seus companheiros, j\u00e1 transformados em animais pela feiticeira CIRCE. Como int\u00e9rprete da vontade dos deuses, entregou a lira a ANFI\u00c3O, a espada a H\u00c9RACLES, a PERSEU o capacete de HADES. Adormeceu e matou o gigante ARGOS de cem olhos, o guardi\u00e3o a vaca IO e levou ao monte IDA as tr\u00eas deusas HERA, ATEN\u00c1 e AFRODITE para que o pastor P\u00c1RIS fosse o \u00e1rbitro na magna querela de quem era a mais bela das imortais, escolha que resultou na Guerra de Tr\u00f3ia. Tamb\u00e9m conduziu PSIQU\u00c9 ao monte Olimpo para se casar com EROS. HERMES teve muitos amores e v\u00e1rios filhos, sendo o mais importante de todos HERMAFRODITO, que teve com AFRODITE. A iconografia de HERMES apresenta-o com um chap\u00e9u de formato especial (&#8220;p\u00e9tasos&#8221;), com sand\u00e1lias providas de asas e segurando um caduceu com duas serpentes entrela\u00e7adas em sentido inverso na parte superior. O caduceu (do grego &#8220;kerykeion&#8221;) significa bast\u00e3o e um arauto. O s\u00edmbolo das duas serpentes, a direita e a esquerda, s\u00e3o de aspecto simb\u00f3lico com o diurno e o noturno, o ben\u00e9fico e o mal\u00e9fico. Elas simbolizam o equil\u00edbrio das tend\u00eancias contr\u00e1rias em torno do eixo do mundo, representando um s\u00edmbolo da paz e da divindade do seu portador. Na \u00e9poca cl\u00e1ssica da Gr\u00e9cia, o caduceu recebeu duas asas encima, transcendendo suas origens, vindo por isto a ser muitas vezes usado para representar o emblema da medicina, mas de forma incorreta.<\/p>\n<h3>Merc\u00fario<\/h3>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cafeesaude.com.br\/imgs\/medicina4.jpg\" width=\"104\" height=\"227\" \/><\/div>\n<p>\u00c0 medida que Roma ia entrando em contato com a civiliza\u00e7\u00e3o grega, a partir do S\u00e9culo V a C , a mitologia grega e seus deuses foram naturalizados romanos. ZEUS virou J\u00daPITER, POSEIDON virou NETUNO, HADES virou PLUT\u00c3O, HESTIA virou VESTA, HERA virou JUNO , ARES virou MARTE, ATENA virou MINERVA, APOLO continuou APOLO, AFRODITE virou V\u00caNUS, HERMES virou MERC\u00daRIO, ARTEMIS virou DIANA e HEFESTOS virou VULCANO. Em torno do s\u00e9culo III a C foi plagiado diretamente da Gr\u00e9cia o deus-m\u00e9dico ASCL\u00c9PIOS, que recebeu o nome de ESCUL\u00c1PIO. As imagens dos deuses gregos naturalizados romanos eram preservadas ou levemente modificadas. O velho culto da religi\u00e3o romana foi sofrendo uma grande concorr\u00eancia com a suntuosidade lit\u00fargica que acompanhava o culto das divindades hel\u00eanicas. Em resposta a esta invas\u00e3o da mitologia e religi\u00e3o estrangeiras, os romanos conservadores criaram deuses nacionais frutos de uma grande imagina\u00e7\u00e3o: a constru\u00e7\u00e3o de esgotos (CLOACA MAXIMA ) introduziu o culto da deusa DEA CLOACINA , a cunhagem de moedas de prata leva a introdu\u00e7\u00e3o do culto do deus ARGENTINUS e o envio das primeiras esquadras romanas ao Mediterr\u00e2neo cria o culto da deusa TEMPESTAS, dentre in\u00fameros outros deuses criados a partir de id\u00e9ias abstratas, como FIDES (Boa F\u00e9), VICTORIA (Vit\u00f3ria), SPES (Esperan\u00e7a) e LIBERTAS (Liberdade). HERMES latinizado para MERC\u00daRIO tem seu nome origin\u00e1rio da palavra MERCES, mercadoria. O caduceu de HERMES foi transmitido para MERC\u00daRIO, entrela\u00e7ado de duas serpentes, de sorte que a parte superior forma um arco, possuindo duas extremidades de asas. Esta semelhan\u00e7a de s\u00edmbolos fez com que se estabelecesse enorme confus\u00e3o com o s\u00edmbolo da medicina e mesmo com a fama dos m\u00e9dicos, a qual \u00e9 muitas vezes confundida com as condutas desonestas e irregulares da dupla HERMES\/MERC\u00daRIO, incluindo rela\u00e7\u00e3o de comercializa\u00e7\u00e3o da medicina, pela origem da palavra.<\/p>\n<h3>Ascl\u00e9pio, Deus Grego da Medicina<\/h3>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cafeesaude.com.br\/imgs\/medicina5.gif\" width=\"96 height=\" \/><\/div>\n<p>ASCL\u00c9PIO (da l\u00edngua grega) ou ESCUL\u00c1PIO (da l\u00edngua latina) constituiu-se no grande nome da medicina grega pr\u00e9-Hipocr\u00e1tica. Viveu em torno de 1200 a.C. e acreditava-se que era dotado de poderes extraordin\u00e1rios na arte de curar. Ascl\u00e9pio era filho do deus APOLO com a ninfa mortal COR\u00d4NIS, filha de FL\u00c9GIAS, rei dos l\u00e1pitas. Esta, temendo que o rei, eternamente jovem, por ser imortal, a abandonasse na velhice, uniu-se, embora gr\u00e1vida, a \u00cdSQUIS, que foi morto por APOLO. A seguir COR\u00d4NIS foi morta a flechadas por ART\u00caMIS, irm\u00e3 de APOLO, atendendo ao pedido do irm\u00e3o. Mas com a morte de sua m\u00e3e, ASCL\u00c9PIO foi extra\u00eddo de seu seio e enviado ao centauro QUIRON que lhe ensinou a arte da medicina. Chegou mesmo a ressuscitar v\u00e1rios mortos, como CAPANEU, LICURGO, GLAUCO e HIP\u00d3LITO, filho de TESEU, usando o sangue que correra das veias do lado direito da Medusa, presente numa po\u00e7\u00e3o que recebeu da deusa ATEN\u00c1. Por ser dotado desta grande capacidade, ZEUS, temendo que ele tornasse todos os homens imortais, mudando a ordem do mundo e deixasse HADES vazio, matou-o com um raio. Segundo outros historiadores, ASCL\u00c9PIO era um m\u00e9dico muito competente mas muito avarento e ganancioso, querendo apenas fama e fortuna, sendo por isto castigado. Mais tarde ZEUS arrependeu-se e o perdoou. Transformou-o ent\u00e3o num deus, como pr\u00eamio pela sua intelig\u00eancia e ast\u00facia. ZEUS acreditava que todo homem que se dedicasse \u00e0 pr\u00e1tica da medicina com amor, demonstrando o seu interesse pela humanidade, merecia ser recompensado. Com um amigo assim influente e como a medicina da \u00e9poca ainda era envolta numa pr\u00e1tica sacerdotal, ASCL\u00c9PIO transformou-se no deus grego da medicina sendo templos e santu\u00e1rios constru\u00eddos em sua homenagem. ASCL\u00c9PIO teve dois filhos que tamb\u00e9m eram m\u00e9dicos, PODAL\u00cdRIO E MAC\u00c1ON, que faziam parte do ex\u00e9rcito invasor que cercou a cidade de TR\u00d3IA. Em variantes posteriores, de seu casamento com EP\u00cdONE, nasceram mais quatro filhas, \u00c1CESO (a que cuida de), IASO (a cura), PANAC\u00c9IA (a que socorre a todos) e HIGIA (a sa\u00fade). Trabalhou em Epidauro, onde foi constru\u00eddo o primeiro templo em sua homenagem. A seguir surgiram tamb\u00e9m templos em Cos, Atenas, P\u00e9rgamo e Cnidos. Estes templos eram denominados &#8220;Asclepeions&#8221;. Neles praticavam sacerdotes-m\u00e9dicos que eram deposit\u00e1rios dos conhecimentos cient\u00edficos transmitidos de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o pelos sacerdotes-m\u00e9dicos, que eram denominados de &#8220;Asclepiades&#8221; ou descendentes de ASCL\u00c9PIO, cuja maior figura viria a ser HIP\u00d3CRATES (460-370 a.C.), alguns s\u00e9culos mais tarde. ASCL\u00c9PIO (Escul\u00e1pio) \u00e9 freq\u00fcentemente representado sentado, vestindo um manto longo com o t\u00f3rax exposto, com um cajado com uma serpente como o s\u00edmbolo da medicina. Este s\u00edmbolo \u00e9 freq\u00fcentemente confundido com o s\u00edmbolo de HERMES e MERC\u00daRIO, por influ\u00eancia de pessoas invejosas dos m\u00e9dicos que comparavam a medicina a um com\u00e9rcio, devido a origem do nome e atitudes irregulares de Hermes e Merc\u00fario, que algumas vezes agiam e interferiam na vida dos deuses e dos homens como um verdadeiro mau car\u00e1ter. A semelhan\u00e7a dos s\u00edmbolos criou at\u00e9 mesma uma confus\u00e3o na imagem dos m\u00e9dicos, criando uma grande injusti\u00e7a com a mais nobre das profiss\u00f5es praticadas pelo ser humano. Afinal, existem no mundo apenas dois tipos de pessoas: m\u00e9dicos e pacientes. Quem n\u00e3o for m\u00e9dico, cedo ou tarde ser\u00e1 paciente. E vice versa. Da\u00ed a import\u00e2ncia em se conhecer a Hist\u00f3ria da Medicina.<\/p>\n<h3>O Caduceu<\/h3>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cafeesaude.com.br\/imgs\/medicina6.gif\" width=\"108\" height=\"147\" \/><\/div>\n<p>O caduceu \u00e9 comumente usado como o s\u00edmbolo do com\u00e9rcio e dos viajantes, sendo por isso utilizado em emblemas de associa\u00e7\u00f5es comerciais, escolas de com\u00e9rcio, escrit\u00f3rios de contabilidade e esta\u00e7\u00f5es de estradas de ferro. No interc\u00e2mbio da civiliza\u00e7\u00e3o grega com a eg\u00edpcia, o deus THOTH da mitologia eg\u00edpcia foi assimilado a HERMES e, desse sincretismo, resultou a denomina\u00e7\u00e3o de Hermes eg\u00edpcio ou HERMES TRISMEGISTOS (tr\u00eas vezes grande), dada ao deus THOTH, considerado o deus do conhecimento, da palavra e da magia. No pante\u00e3o eg\u00edpcio, o deus da medicina correspondente a ASCLEPIUS \u00e9 IMHOTEP (que significa &#8220;Eu venho em paz&#8221;). Entre o s\u00e9culo III a.C. e o s\u00e9culo III d.C. desenvolveu-se uma literatura esot\u00e9rica chamada herm\u00e9tica, em alus\u00e3o a HERMES TRISMEGISTOS. Esta literatura versa sobre ci\u00eancias ocultas, astrologia e alquimia, e n\u00e3o tem qualquer rela\u00e7\u00e3o com o HERMES tradicional da mitologia grega. O sincretismo entre HERMES da mitologia grega com HERMES TRISMEGISTUS resultou no emprego do caduceu como s\u00edmbolo deste \u00faltimo, tendo sido adotado como s\u00edmbolo da alquimia. Da alquimia o caduceu passou para a farm\u00e1cia e desta para a medicina. A confus\u00e3o entre o bast\u00e3o de ASCL\u00c9PIO e o caduceu de HERMES se deve \u00e0 iniciativa de um editor su\u00ed\u00e7o de grande prest\u00edgio, JOHAN FROEBE, no s\u00e9culo XVI, o qual adotou para a sua editora um logotipo inspirado no caduceu de HERMES, usando-o associado a obras cl\u00e1ssicas de medicina, como as de HIP\u00d3CRATES. Outros editores na Inglaterra e, posteriormente, nos Estados Unidos, utilizaram emblemas semelhantes, contribuindo para a difus\u00e3o do caduceu de forma incorreta. Acredita-se que a inten\u00e7\u00e3o dos editores tenha sido a de usar um s\u00edmbolo identificado com a transmiss\u00e3o de mensagens, j\u00e1 que Hermes era o mensageiro do Olimpo. Com a inven\u00e7\u00e3o da imprensa por JOHANNES GUTENBERG, a informa\u00e7\u00e3o passou a ser transmitida por meio da palavra impressa, e eles, os editores, seriam os mensageiros dos autores. Outra hip\u00f3tese \u00e9 de que o caduceu tenha sido usado equivocadamente como s\u00edmbolo de HERMES TRIMEGISTOS, o Hermes eg\u00edpicio ou THOTH, deus da palavra e do conhecimento, a quem tamb\u00e9m se atribu\u00eda a inven\u00e7\u00e3o da escrita. Em antigas prensas utilizadas para impress\u00e3o tipogr\u00e1fica encontra-se o caduceu de Hermes como figura decorativa.<\/p>\n<p>A confus\u00e3o e troca dos s\u00edmbolos levando at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do caduceu comercial e do caduceu m\u00e9dico foi se firmando at\u00e9 que em 1901, o ex\u00e9rcito franc\u00eas fundou um jornal de cirurgia e de medicina chamado LE CADUC\u00c9E, no qual est\u00e3o estampadas duas figuras estilizadas do s\u00edmbolo de ASCL\u00c9PIO, com uma \u00fanica serpente. Desde ent\u00e3o, a palavra CADUCEU tem sido usada para nomear tanto o s\u00edmbolo de HERMES, quanto o de ASCL\u00c9PIO de forma incorreta. Mas o que mais contribuiu para a difus\u00e3o do CADUCEU de HERMES como s\u00edmbolo da medicina foi a sua ado\u00e7\u00e3o pelo Ex\u00e9rcito norte-americano como ins\u00edgnia do seu departamento m\u00e9dico, devido desconhecimento da hist\u00f3ria da medicina e da mitologia grega por parte dos que detinham o poder para promover a mudan\u00e7a. O CADUCEU fora usado, entre 1851 e 1887, como emblema no uniforme de trabalho do pessoal de apoio nos hospitais militares dos Estados Unidos para indicar a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o combatente. Em 1887 este emblema foi substitu\u00eddo por uma cruz vermelha id\u00eantica a da Cruz Vermelha Internacional fundada na Su\u00ed\u00e7a em 1864. Os oficiais m\u00e9dicos usavam nas dragonas as letras M.S. (MEDICAL STAFF). Em 1872, as letras M.S. foram substitu\u00eddas por M.D. (MEDICAL DEPARTMENT). O Departamento M\u00e9dico, contudo, possu\u00eda o seu pr\u00f3prio braz\u00e3o de armas com o bast\u00e3o de ASCL\u00c9PIOS, desde 1818. Em mar\u00e7o de 1902, os oficiais m\u00e9dicos passaram a usar um emblema inspirado na cruz dos cavaleiros de S\u00e3o Jo\u00e3o, ou cruz de Malta, cujo simbolismo em her\u00e1ldica \u00e9 o de prote\u00e7\u00e3o, altru\u00edsmo e honorabilidade. Em mar\u00e7o de 1902, o capit\u00e3o FREDERICK P. REYNOLDS, Comandante da Companhia de Instru\u00e7\u00e3o do Hospital Geral em Washington prop\u00f4s substituir a cruz de Malta pelo CADUCEU. O general G. STERNBERG, chefe do Departamento M\u00e9dico, deu o seguinte despacho: &#8220;A atual ins\u00edgnia foi adotada ap\u00f3s cuidadoso estudo e \u00e9 atualmente reconhecida como pr\u00f3pria desta corpora\u00e7\u00e3o. A altera\u00e7\u00e3o proposta, portanto, n\u00e3o \u00e9 aprovada&#8221;. Em 14 de junho do mesmo ano, o capit\u00e3o Reynolds endere\u00e7ou nova carta ao Chefe do Departamento, refazendo sua proposta com novos argumentos. Em certo trecho de sua carta diz o seguinte: &#8220;Desejo particularmente chamar a aten\u00e7\u00e3o para a conveni\u00eancia de mudar a ins\u00edgnia da cruz para o caduceu e de adotar o marrom como a cor da corpora\u00e7\u00e3o, em lugar do verde agora em uso. O caduceu foi durante anos a ins\u00edgnia de nossa corpora\u00e7\u00e3o e est\u00e1 inalienavelmente associado \u00e0s coisas m\u00e9dicas. Est\u00e1 sendo usado por v\u00e1rias pot\u00eancias estrangeiras, especialmente a Inglaterra. Como figura, deve-se reconhecer que o caduceu \u00e9 muito mais gracioso e significativo do que o atual emblema&#8221; (cruz de Malta). &#8220;O verde n\u00e3o tem lugar na medicina&#8221;. Nesse \u00ednterim, houve mudan\u00e7a na Chefia do Departamento M\u00e9dico e esta segunda carta foi recebida pelo General W. H. FORWOOD, quem, n\u00e3o somente aprovou a proposta como providenciou a confec\u00e7\u00e3o da nova ins\u00edgnia. O desenho elaborado tem sete curvaturas das serpentes, o que tamb\u00e9m revela desconhecimento do caduceu tradicional, que cont\u00e9m, no m\u00e1ximo, cinco espirais.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cafeesaude.com.br\/imgs\/medicina7.gif\" width=\"220\" height=\"111\" \/>Ins\u00edgnia do Army Medical Department &#8211; U.S.A.<\/div>\n<p>Os argumentos usados pelo Cap. REYNOLDS revelam sua confus\u00e3o entre os dois s\u00edmbolos. O caduceu jamais fora a ins\u00edgnia da corpora\u00e7\u00e3o, mas do pessoal de apoio (steward) dos hospitais. O bast\u00e3o de ASCL\u00c9PIO e n\u00e3o o CADUCEU \u00e9 que est\u00e1 historicamente associado \u00e0 medicina. Tanto na Inglaterra, como na Fran\u00e7a e na Alemanha, os servi\u00e7os m\u00e9dicos das for\u00e7as armadas utilizavam o bast\u00e3o de ASCL\u00c9PIO em seus emblemas e n\u00e3o o CADUCEU de HERMES. A cor verde tem sido usada em conex\u00e3o com a medicina; tanto assim que no Brasil o anel de m\u00e9dico tem, incrustada, uma pedra verde &#8211; esmeralda ou imita\u00e7\u00e3o. Assim o CADUCEU foi implantado e se mant\u00e9m at\u00e9 hoje como ins\u00edgnia do Corpo M\u00e9dico do Ex\u00e9rcito norte-americano, o que muito contribuiu, sobretudo ap\u00f3s a Primeira Grande Guerra Mundial (1914-1918), para a sua difus\u00e3o, dentro e fora dos Estados Unidos, como s\u00edmbolo da medicina. A Marinha norte-americana adotou igualmente o CADUCEU como emblema de seu corpo m\u00e9dico, ao contr\u00e1rio da For\u00e7a A\u00e9rea, que mant\u00e9m em seu emblema o bast\u00e3o de ASCL\u00c9PIO. Os Servi\u00e7os de Sa\u00fade P\u00fablica dos Estados Unidos, por sua vez, adotaram um antigo emblema do Servi\u00e7o M\u00e9dico da Marinha, no qual o CADUCEU se cruza com uma \u00e2ncora e cujo simbolismo anterior era o do com\u00e9rcio mar\u00edtimo. O primeiro coment\u00e1rio desfavor\u00e1vel \u00e0 decis\u00e3o do U.S. MEDICAL DEPARTMENT apareceu sob a forma de editorial em final de julho de 1902 na publica\u00e7\u00e3o MEDICAL NEWS. Em 1917, o Tenente-coronel MCCULLOCH, bibliotec\u00e1rio do Departamento M\u00e9dico, fez o seguinte coment\u00e1rio: <em>&#8221; I think that in this country we pay too little attenction to the historical and humanistic side of things. The caduceus or wand of Mercury now used on the collar of the uniforme blouse of medical corps has really no medical bearing wathever&#8221;. (Eu penso que, neste Pa\u00eds, n\u00f3s prestamos muito pouca aten\u00e7\u00e3o ao lado hist\u00f3rico e human\u00edstico das coisas. O caduceu de Merc\u00fario agora em uso na gola da blusa do uniforme do Corpo M\u00e9dico n\u00e3o tem qualquer significado m\u00e9dico)<\/em>.<\/p>\n<p>O grande historiador da medicina, FIELDING GARRISON, tamb\u00e9m Tenente-Coronel do Corpo M\u00e9dico no per\u00edodo de 1917 a 1935, procurou defender a posteriori a ado\u00e7\u00e3o do CADUCEU pelo Departamento M\u00e9dico a que servia. Inicialmente, alegou que se tratava de um s\u00edmbolo administrativo para caracterizar os militares n\u00e3o combatentes, reconhecendo que o s\u00edmbolo aut\u00eantico da medicina era o bast\u00e3o de ASCL\u00c9PIO. Posteriormente, procurou justificar o uso do CADUCEU como s\u00edmbolo m\u00e9dico com base nos achados arqueol\u00f3gicos da civiliza\u00e7\u00e3o mesopot\u00e2mica. Nas escava\u00e7\u00f5es realizadas em LAGASH fora encontrado um vaso talhado em pedra sab\u00e3o, de cor verde, dedicado pelo governador Gudea ao deus NIGINSHZIDA, ligado \u00e0 medicina. Neste vaso h\u00e1 duas serpentes dispostas de maneira semelhante a do CADUCEU de HERMES. GARRISON refere-se \u00e0 figura como CADUCEU BABIL\u00d4NICO, que teria precedido o CADUCEU da civiliza\u00e7\u00e3o grega. Em 1932, S. L.TYSON escreveu um artigo na revista Scientific Monthly, no qual dizia: &#8220;The erroneous symbol of medical profession in reality is the emblem of the god of thieves&#8221; (o err\u00f4neo s\u00edmbolo, na realidade, \u00e9 o do deus dos ladr\u00f5es). Em resposta, GARRISON voltou a afirmar que o caduceu fora adotado no Departamento M\u00e9dico do ex\u00e9rcito como s\u00edmbolo dos n\u00e3o combatentes e considerou a quest\u00e3o como &#8220;uma f\u00fatil controv\u00e9rsia&#8221;. Em material informativo recente de divulga\u00e7\u00e3o pela Internet, do Army Medical Department, encontra-se a seguinte explica\u00e7\u00e3o para a ado\u00e7\u00e3o do caduceu de Hermes como s\u00edmbolo da medicina: &#8220;Rooted in mythology, the caduceus has historically been the emblem of physicians symbolizing knowledge, wisdom, promptness, and skill.&#8221; (Com suas ra\u00edzes na mitologia, o caduceu tem sido historicamente o emblema dos m\u00e9dicos, simbolizando conhecimento, sabedoria, presteza e habilidade).<\/p>\n<p>A ASSOCIA\u00c7\u00c3O M\u00c9DICA AMERICANA manteve o s\u00edmbolo de ASCL\u00c9PIO em seu emblema, assim como a maioria das sociedades m\u00e9dicas regionais norte-americanas de car\u00e1ter cient\u00edfico ou profissional. De 25 associa\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas estaduais que utilizam a serpente em seus respectivos emblemas, 23 usam o bast\u00e3o de ASCL\u00c9PIO. S\u00e3o elas as dos Estados de Alabama, Calif\u00f3rnia, Fl\u00f3rida, Ge\u00f3rgia, Idaho, Illinois, Kansas, Kentucky, Massachussets, Michigan, Mississipi, Missouri, Nebraska, New Hampshire, New Mexico, New York, North Dakota, Oklahoma, Oregon, Pennsylvania, Utah, Wisconsin e Wyoming. O CADUCEU \u00e9 usado pelas associa\u00e7\u00f5es dos Estados de Maine e West Virginia.<\/p>\n<p>A ORGANIZA\u00c7\u00c3O MUNDIAL DE SA\u00daDE, fundada em 1948, adotou o s\u00edmbolo de Ascl\u00e9pio. A ASSOCIA\u00c7\u00c3O M\u00c9DICA MUNDIAL, reunida em Havana em 1956, adotou um modelo padronizado do s\u00edmbolo de ASCL\u00c9PIO para uso dos m\u00e9dicos civis.<\/p>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/cafeesaude.com.br\/imgs\/medicina8.gif\" width=\"200\" height=\"151\" \/>Emblema adotado pela Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Mundial para uso dos m\u00e9dicos civis; a serpente tem duas curvaturas \u00e0 esquerda e uma \u00e0 direita<\/div>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas de car\u00e1ter profissional e de \u00e2mbito nacional de v\u00e1rios pa\u00edses, que possuem emblema com serpente, adotam, em sua grande maioria, o s\u00edmbolo de ASCL\u00c9PIO. Algumas poucas organiza\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas de \u00e2mbito nacional utilizam o CADUCEU de Hermes em seus emblemas, ou em sua forma original ou modificado. O CADUCEU estilizado foi tamb\u00e9m adotado pelo Servi\u00e7o M\u00e9dico da ROYAL AIR FORCE, da Inglaterra, divergindo do Servi\u00e7o M\u00e9dico do Ex\u00e9rcito, que mant\u00e9m seu cl\u00e1ssico emblema com o s\u00edmbolo de ASCL\u00c9PIO desde 1898, tendo comemorado o seu centen\u00e1rio em 1998. Variantes do CADUCEU t\u00eam sido igualmente utilizados, resultantes de duas altera\u00e7\u00f5es introduzidas no modelo original: a primeira delas consiste em eliminar uma das serpentes, mantendo as asas ou conservando as duas serpentes e eliminando as asas (sociedades m\u00e9dicas, empresas de seguro-sa\u00fade). Nos Estados Unidos, onde \u00e9 mais difundido o CADUCEU de HERMES como pretenso s\u00edmbolo da medicina, o mesmo \u00e9 usado em algumas poucas Universidades e sociedades m\u00e9dicas, sendo mais comum o seu emprego em hospitais e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas ligadas \u00e0 sa\u00fade, sendo usado principalmente pelas empresas que vendem servi\u00e7os m\u00e9dicos ou gerenciam planos de sa\u00fade naquele pa\u00eds, chegando a 76% de quantas utilizam a serpente em seus emblemas.<\/p>\n<p>O uso do CADUCEU de HERMES como s\u00edmbolo m\u00e9dico \u00e9 errado. No BRASIL prevalece o s\u00edmbolo de ASCL\u00c9PIO. A ASSOCIA\u00c7\u00c3O M\u00c9DICA BRASILEIRA, assim como as sociedades estaduais a ela filiadas que possuem emblema com a serpente, utilizam o s\u00edmbolo correto do deus da medicina mas existe uma dissemina\u00e7\u00e3o do CADUCEU atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e material destinado a pacientes e estudantes de medicina. Tamb\u00e9m os softwares destinados a hospitais e consult\u00f3rios m\u00e9dicos, importados dos Estados Unidos, ou neles inspirados, muito t\u00eam contribu\u00eddo para a propaga\u00e7\u00e3o do CADUCEU, ao utiliz\u00e1-lo associado a medicina. E mesmo em revistas e sociedades m\u00e9dicas recentes a confus\u00e3o persiste. A educa\u00e7\u00e3o custa caro, mas mais cara ainda \u00e9 a ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<h3>Refer\u00eancias:<\/h3>\n<ol>\n<li><cite>CASTIGLIONI, A.- Histoire de la m\u00e9decine (trad.) Paris, Payot, 1931<\/cite><\/li>\n<li><cite>MAJOR, R.A.- A History of medicine. Springfield, Charles C. Thomas, 1954.<\/cite><\/li>\n<li><cite>KER\u00c9NYI, C.- Asklepios. Archetypal image of the physician&#8217;s existence. London, Thames and Hudson, 1960.<\/cite><\/li>\n<li><cite>EDELSTEIN E.J., EDELSTEIN, L.- Asclepius. Collection and interpretation of testimonies. Baltimore, The Johns Hopkins Univ. Press, 1993.<\/cite><\/li>\n<li><cite>BRAND\u00c3O J.S. -. 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S\u00edmbolo Ascl\u00e9pio A Contribui\u00e7\u00e3o da Mesopot\u00e2mia (3.000 a. C.) O s\u00edmbolo da medicina, uma cobra enrolada num cajado, originou-se na antiga Mesopot\u00e2mia h\u00e1 cerca de cinco mil anos. A \u00e1gua, pela sua import\u00e2ncia na vida de animais e vegetais influ\u00eda na forma\u00e7\u00e3o de conceitos de vida e morte. 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