{"id":4167,"date":"2014-04-03T19:13:40","date_gmt":"2014-04-03T19:13:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/?page_id=4167"},"modified":"2023-01-18T12:14:26","modified_gmt":"2023-01-18T12:14:26","slug":"historico","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/portal-administrativo\/historico\/","title":{"rendered":"HIST\u00d3RICO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Funda\u00e7\u00e3o Universidade Federal do Amap\u00e1 (UNIFAP) iniciou suas atividades em 1970 como N\u00facleo Avan\u00e7ado de Ensino (NEM), vinculado \u00e0 Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), com a oferta de aproximadamente 500 (quinhentas) vagas voltadas para o campo do magist\u00e9rio (licenciatura curta), implantando, assim, o ensino superior no Amap\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na d\u00e9cada de 1990, cria-se, de fato, a Funda\u00e7\u00e3o Universidade Federal do Amap\u00e1, autorizada por meio do Decreto n.\u00ba 98.977, de 2 de mar\u00e7o de 1990. Em 1991, com a nomea\u00e7\u00e3o de um reitor pro tempore, a UNIFAP realiza o primeiro vestibular para os cursos de Direito, Secretariado Executivo, Geografia, Hist\u00f3ria, Matem\u00e1tica, Letras, Educa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica e Enfermagem. Com isso, institui-se de fato a Funda\u00e7\u00e3o Universidade Federal do Amap\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Universidade Federal do Amap\u00e1, consciente da sua miss\u00e3o social para o desenvolvimento do estado do Amap\u00e1, em 1996 come\u00e7ou a discutir com o governo estadual e as prefeituras municipais o processo de interioriza\u00e7\u00e3o de suas a\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra qualificada, chegando aos extremos Norte e Sul do estado, nos munic\u00edpios de Laranjal do Jari e Oiapoque, constituindo, assim, os campus Sul e Norte, respectivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diante dos desafios para implantar o primeiro programa de interioriza\u00e7\u00e3o, a Universidade Federal do Amap\u00e1 elaborou o \u201cI Projeto Norte de Interioriza\u00e7\u00e3o\u201d para ofertar cursos de gradua\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o do interior. Com o apoio das prefeituras e do Governo do Estado, em 1999 firmou-se o primeiro programa de interioriza\u00e7\u00e3o em regime modular, no per\u00edodo de recesso escolar (janeiro, fevereiro e julho), com sistema intensivo de aulas di\u00e1rias, conforme a estrutura curricular de cada curso. O primeiro programa ocorreu no per\u00edodo de 1999 a 2004. Com a conclus\u00e3o do primeiro programa de interioriza\u00e7\u00e3o, a Universidade deu sequ\u00eancia ao II Programa de Interioriza\u00e7\u00e3o que, al\u00e9m de atender uma demanda espec\u00edfica de professores das redes estadual e municipal, passou a atender tamb\u00e9m o p\u00fablico oriundo do ensino m\u00e9dio, com isso oportunizando a popula\u00e7\u00e3o do interior ao acesso ao ensino superior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 2007 foi criado e implantado no Campus Norte o curso de Licenciatura Intercultural Ind\u00edgena, com o objetivo de formar professores para as escolas ind\u00edgenas do estado. O curso possui formato de m\u00f3dulos, com aulas nos per\u00edodos de Janeiro\/Fevereiro e Julho, ofertando 30 vagas anualmente. Foi o primeiro curso implantado no campus, com corpo docente e infraestrutura pr\u00f3prias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 2011 foi dado inicio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de novos edif\u00edcios, com o objetivo de ampliar a capacidade do campus e receber novos cursos. Na foto abaixo est\u00e1 o ent\u00e3o Reitor na \u00e9poca, Jos\u00e9 Carlos Tavares Carvalho, no centro, com equipe, em cerim\u00f4nia de lan\u00e7amento das obras de constru\u00e7\u00e3o de tr\u00eas pr\u00e9dios no campus em Oiapoque, visando a implanta\u00e7\u00e3o do Campus Binacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/DSC061591.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5480 aligncenter\" src=\"http:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/DSC061591.jpg\" alt=\"DSC06159\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/DSC061591.jpg 640w, https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/DSC061591-300x225.jpg 300w, https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/DSC061591-200x150.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><span style=\"line-height: 1.5em\"> Em 2013 o Campus Norte \u00e9 transformado em Campus Binacional, atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o N\u00ba 01\/2013 do CONSU\/UNIFAP. Com isso, al\u00e9m do <\/span>status<span style=\"line-height: 1.5em\">\u00a0transfronteiri\u00e7o, o campus passa a ser administrado por uma dire\u00e7\u00e3o geral e uma estrutura administrativa pr\u00f3pria. O primeiro Diretor Geral do Campus Binacional foi o T\u00e9cnico em Assuntos Educacionais Paulo Roberto Miranda da Silva, que administrou o campus por 2 anos. Na foto abaixo, da direita para esquerda, Paulo Roberto Miranda (Diretor Geral), Adelma \u00a0das Neves Nunes Barros (Vice-Reitora), Franscisco das Chagas de Morais (Coordenador de Gest\u00e3o Academico-Pedag\u00f3gica) e N\u00e1riton Alberto Ferreira Soares (Coordenador de Gest\u00e3o Administrativa e Financeira).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/20150422_1756121.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5586 aligncenter\" src=\"http:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/20150422_1756121-1024x768.jpg\" alt=\"20150422_175612[1]\" width=\"640\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/20150422_1756121-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/20150422_1756121-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a>Em 2013 tamb\u00e9m foram criados sete novos cursos: Letras-Franc\u00eas, Hist\u00f3ria, Geografia, Pedagogia, Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, Direito e Enfermagem, que tiveram o ingresso da primeira turma no primeiro semestre de 2014. Para estruturar os sete novos cursos foi realizado concurso para contratar novos professores, que seriam os respons\u00e1veis pela implanta\u00e7\u00e3o dos novos cursos e o desenvolvimento de suas atividades. Na foto abaixo, em cerim\u00f4nia de posse realizada no dia 9 de outubro de 2013, est\u00e3o os primeiros professores concursados para atuar nos novos cursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2013\/10\/nove.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2013\/10\/nove-1024x768.jpg\" alt=\"nove\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/a> No dia 27 de abril de 2015 toma posse o 2\u00ba Diretor do Campus Binacional, o Professor Eduardo Margarit, que d\u00e1 in\u00edcio a uma reestrutura\u00e7\u00e3o administrativa do campus. Na foto abaixo, a nova equipe de gest\u00e3o do Campus Binacional, da esquerda para a direita, Lucinilma Silva de Lima (Coordenadora de Administra\u00e7\u00e3o e Planejamento), Eduardo Margarit (Diretor Geral), Isan da Costa Oliveira J\u00fanior (Coordenador de Gest\u00e3o de Pessoas), Nilton Ferreira Bittencourt J\u00fanior (Coordenador de Gradua\u00e7\u00e3o) e Glauber Romling da Silva (Coordenador de Pesquisa, Extens\u00e3o e A\u00e7\u00f5es Comunit\u00e1rias).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/20150427_1055051.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-5615 aligncenter\" src=\"http:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/20150427_1055051-1024x576.jpg\" alt=\"20150427_105505[1]\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/20150427_1055051-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/20150427_1055051-300x168.jpg 300w, https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/files\/2015\/04\/20150427_1055051.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a> Atualmente o Campus Binacional segue em expans\u00e3o, com o ingresso de novas turmas, professores e t\u00e9cnicos, sendo cerca de mil alunos, cem professores e quarenta t\u00e9cnicos. H\u00e1 projeto de constru\u00e7\u00e3o de novas instala\u00e7\u00f5es em terreno de cerca de cem hectares no munic\u00edpio de Oiapoque para criar uma cidade universit\u00e1ria, que abrigar\u00e1 os cursos j\u00e1 existentes e outros que ser\u00e3o criados, al\u00e9m de alojamento, restaurante universit\u00e1rio, anfiteatro e centro poliesportivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><u>Hist\u00f3rico <\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O munic\u00edpio de Oiapoque localiza-se no extremo norte do estado do Amap\u00e1, na Amaz\u00f4nia brasileira, e \u00e9 amplamente conhecido no imagin\u00e1rio popular brasileiro atrav\u00e9s da express\u00e3o \u201cDo Oiapoque ao Chu\u00ed\u201d, destacando sua condi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, mas que pouco revela sua verdadeira din\u00e2mica socioespacial que \u00e9 marcada pelo intenso interc\u00e2mbio comercial tendo em vista que est\u00e1 localizado na fronteira franco brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Historicamente \u00e9 uma regi\u00e3o de longa contenda entre o Brasil e a Fran\u00e7a, e as terras do atual munic\u00edpio de Oiapoque eram, contudo, originalmente ocupadas por popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas que, naquele tempo, ainda eram dispersas ao longo da vasta rede hidrogr\u00e1fica da regi\u00e3o, cujos descendentes se fazem presentes como tais at\u00e9 os tempos atuais. A forma da reprodu\u00e7\u00e3o dos seus meios de vida se dava com base nos ro\u00e7ados e na produ\u00e7\u00e3o de farinha de mandioca, no extrativismo e na pesca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao longo do s\u00e9culo XX passou a recair sobre esses povos ind\u00edgenas do Oiapoque uma pol\u00edtica de \u201cintegra\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade nacional\u201d (nos termos de uma geopol\u00edtica que lhes via como isolados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 na\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, aparentados com povos tamb\u00e9m ind\u00edgenas que viviam do outro lado da fronteira). Efetuada por meio da instala\u00e7\u00e3o de postos do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao \u00cdndio (SPI), de sa\u00fade e de escolas, esta pol\u00edtica acabou resultando em um movimento de concentra\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica em algumas aldeias em particular (tais como Kumarum\u00e3, Kumen\u00ea e Santa Isabel).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A cria\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio de Oiapoque, por sua vez, se deu a partir de um desmembramento em rela\u00e7\u00e3o ao munic\u00edpio de Amap\u00e1, no ano de 1945, portanto, dois anos ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do Territ\u00f3rio Federal do Amap\u00e1. J\u00e1 as origens do n\u00facleo urbano de Oiapoque, o qual consta como atual sede municipal remontam \u00e0 antiga Vila do Esp\u00edrito Santo (denomina\u00e7\u00e3o dada pelo Marechal C\u00e2ndido Rondon em 1927, com o objetivo de tirar a conota\u00e7\u00e3o francesa de sua denomina\u00e7\u00e3o anterior \u2013 Martinique), tendo passado, a partir da data da funda\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio, a ser oficialmente identificado com refer\u00eancia no nome do rio em cujas margens se localiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A montante do n\u00facleo de Oiapoque j\u00e1 havia sido fundada, por conta da atua\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Colonizadora do Oiapoque, uma col\u00f4nia agr\u00edcola (a Col\u00f4nia Agr\u00edcola de Clevel\u00e2ndia, em 1922), para a qual foram mandados prisioneiros de v\u00e1rios lugares do pa\u00eds; experi\u00eancia malfadada e que veio dar lugar \u00e0 Unidade Militar de Clevel\u00e2ndia em 1940, posteriormente chamada de Col\u00f4nia Militar de Oiapoque (1964).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Constam tamb\u00e9m registros de outras localidades antigas, tais como a atualmente extinta Vila de Ponta dos \u00cdndios (a jusante da atual cidade de Oiapoque) e de pequenos povoados ent\u00e3o existentes por conta da antiga fase de explora\u00e7\u00e3o de jazidas aur\u00edferas (tanto do lado franc\u00eas quanto do lado brasileiro). Esta presen\u00e7a de povoamentos antigos surgidos em fun\u00e7\u00e3o da atividade de extra\u00e7\u00e3o aur\u00edfera, realizada desde os tempos de lit\u00edgio territorial entre Brasil e Fran\u00e7a, tomou um primeiro impulso entre 1932 e 1935, com a descoberta de ouro nas cabeceiras dos rios Cacipor\u00e9 e Oiapoque, sendo realizada com base em m\u00e3o-de-obra de brasileiros e de cr\u00e9oles provenientes da Guiana Francesa. Nesse sentido Amaral (2016, p.26) assegura que,<\/p>\n<h5 style=\"padding-left: 160px;text-align: justify\"><em>A fronteira n\u00e3o \u00e9 apenas um espa\u00e7o de migra\u00e7\u00f5es, mas de rela\u00e7\u00f5es familiares entre cidad\u00e3os de pa\u00edses diferentes. Sendo assim, o \u201cn\u00f3s\u201d e o \u201coutros\u201d interagem constantemente em um lugar de tr\u00e2nsito, fazendo da fronteira um espa\u00e7o de tens\u00e3o entre abertura e limite. E, ao mesmo tempo, porta de entrada para um ou outro pa\u00eds, e local de perman\u00eancia de outros imigrantes estrangeiros em busca de enriquecimento nas \u00e1reas de livre com\u00e9rcio.<\/em><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\">Os censos demogr\u00e1ficos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica no Munic\u00edpio de Oiapoque apontam um crescimento populacional que parte dos 5.028 habitantes no ano de 1980 para 23.628 habitantes no ano de 2014. Este crescimento demogr\u00e1fico se deve em grande parte \u00e0 atividade garimpeira, que atraiu muitos imigrantes e promoveu o crescimento urbano e a ocupa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o decl\u00ednio recente da atividade garimpeira, o munic\u00edpio passou a experimentar a desacelera\u00e7\u00e3o de sua economia, estabelecendo como problem\u00e1tica a necessidade de criar novas atividades para a gera\u00e7\u00e3o de renda. Nesse contexto Almeida; Rauber (2017, p. 478) salientam que o referido munic\u00edpio \u201cpresenciou, no s\u00e9culo XX, a ascens\u00e3o e o decl\u00ednio do ciclo do ouro e o esgotamento da extra\u00e7\u00e3o do paurosa, tamb\u00e9m conhecido como bois du rose, ess\u00eancia destilada para sua utiliza\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria de perfumes e col\u00f4nias arom\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atualmente, destaca-se o funcionalismo p\u00fablico, proveniente dos cargos na prefeitura e em diversos outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos estaduais e federais instalados no munic\u00edpio, como principal elemento de fomento da economia local. H\u00e1 ainda a tentativa de incrementar a atividade pesqueira e tur\u00edstica, j\u00e1 presentes de forma expressiva no munic\u00edpio, mas que demonstram grande capacidade de expans\u00e3o devido \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o na fronteira que permite a exist\u00eancia de interc\u00e2mbios comerciais. A esse respeito Almeida; Rauber (2017, p. 481) enfatizam que,<\/p>\n<h5 style=\"padding-left: 160px;text-align: justify\"><em>O Munic\u00edpio de Oiapoque, um local de encontros e desencontros, de constante fluxo migrantil regional e internacional, vivencia, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, as contradi\u00e7\u00f5es do desenvolvimento. Essa \u201cfronteira em constru\u00e7\u00e3o\u201d h\u00e1 s\u00e9culos apresenta uma articula\u00e7\u00e3o entre diferentes escalas e dimens\u00f5es do espa\u00e7o no sentido do controle pol\u00edtico, da produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, das significa\u00e7\u00f5es culturais e da constitui\u00e7\u00e3o f\u00edsico-ambiental embutidas no (des)ordenamento regional conforme a perspectiva.<\/em><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\">Com uma \u00e1rea territorial de 22.625,286 km\u00b2, o munic\u00edpio de Oiapoque apresenta em sua vasta extens\u00e3o in\u00fameras territorialidades e diferentes formas de uso e normatiza\u00e7\u00e3o da terra. Dentro dos limites do munic\u00edpio est\u00e3o: o Parque Nacional do Cabo Orange; o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque; a Terra Ind\u00edgena Ua\u00e7\u00e1; a Terra Ind\u00edgena Galibi; a Terra Ind\u00edgena Jumin\u00e3; a Floresta Estadual do Amap\u00e1; o Projeto de Assentamento Igarap\u00e9 Grande; o Projeto de Assentamento Vila Velha do Cassipor\u00e9; a \u00e1rea militar do 34\u00ba Batalh\u00e3o de Infantaria de Selva; al\u00e9m de uma comunidade quilombola e pelo menos uma dezena de comunidades rurais e\/ou ribeirinhas, que lutam pela regulariza\u00e7\u00e3o das terras e reconhecimento de seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O fato de as terras do munic\u00edpio de Oiapoque estarem sob jurisdi\u00e7\u00e3o estatal, somado ao isolamento do munic\u00edpio por falta de uma liga\u00e7\u00e3o terrestre trafeg\u00e1vel, permitiu at\u00e9 ent\u00e3o uma relativa tranquilidade na posse e uso da terra no munic\u00edpio. Entretanto, uma s\u00e9rie de pol\u00edticas p\u00fablicas visando \u00e0 integra\u00e7\u00e3o desta por\u00e7\u00e3o territorial aos circuitos produtivos nacionais est\u00e1 alterando significativamente esta condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC) tornou-se o principal agente recente no fomento ao desenvolvimento regional da Amaz\u00f4nia. O foco na instala\u00e7\u00e3o de infraestrutura \u00e9 sinalizado pelo Governo Federal como indispens\u00e1vel para o desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds, mas \u00e9 identificado como trag\u00e9dia iminente por povos tradicionais e institui\u00e7\u00f5es de defesa das causas ambientais e sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As grandes obras de infraestrutura que est\u00e3o alterando a din\u00e2mica de organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o no Amap\u00e1 s\u00e3o tr\u00eas hidrel\u00e9tricas, o asfaltamento da BR-156 e a Ponte Binacional. As tr\u00eas hidrel\u00e9tricas que estavam previstas no PAC j\u00e1 foram constru\u00eddas e est\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o, interligadas com o sistema el\u00e9trico nacional. O asfaltamento da BR-156, apesar de n\u00e3o ter sido conclu\u00eddo at\u00e9 ent\u00e3o, j\u00e1 possibilitou a incorpora\u00e7\u00e3o das terras ao longo do trecho asfaltado ao agroneg\u00f3cio, fomentando a produ\u00e7\u00e3o de soja no estado. A Ponte Binacional, ligando o Amap\u00e1 \u00e0 Guiana Francesa, no munic\u00edpio de Oiapoque, j\u00e1 est\u00e1 conclu\u00edda desde 2011 e, aberta parcialmente ao tr\u00e1fego de ve\u00edculos em 2017, vem oportunizando a intensifica\u00e7\u00e3o dos fluxos de franceses na cidade. Nesse contexto, Palhares; Guerra (2016, p.57) elencam que,<\/p>\n<h5 style=\"padding-left: 160px;text-align: justify\"><em>[&#8230;] a cidade de Oiapoque atualmente recebe um fluxo bastante significativo de pessoas em busca do turismo de neg\u00f3cios, aquele relacionado com compras variadas de mercadorias. S\u00e3o atra\u00eddos sobretudo por produtos aliment\u00edcios e por pre\u00e7os acess\u00edveis, com base no c\u00e2mbio das moedas vigentes na fronteira. Essa pr\u00e1tica de turismo tem provocado um aquecimento no com\u00e9rcio local, diante desse movimento de pessoas.<\/em><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\">Na sede do munic\u00edpio de Oiapoque, o crescimento urbano se fez sem que houvesse o m\u00ednimo de aten\u00e7\u00e3o para as condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura urbana capazes de suportar seu crescimento demogr\u00e1fico, especialmente no que se refere ao sistema de saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A condi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica do munic\u00edpio \u00e9 ainda agravada pela precariedade da estrada pela qual se faz a liga\u00e7\u00e3o com a capital Macap\u00e1 e pela dificuldade de utiliza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. As escolas que atendem na \u00e1rea urbana contam com um quadro inst\u00e1vel de professores e grande parte das escolas em \u00e1reas rurais n\u00e3o oferece o ciclo completo de forma\u00e7\u00e3o aos seus estudantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O sistema de sa\u00fade \u00e9 prec\u00e1rio, passando atualmente, contudo, por um momento marcado pela chegada de novos profissionais e pela amplia\u00e7\u00e3o na infraestrutura de atendimento. Faltam ainda equipamentos coletivos para o lazer e para a cultura, tais, como pra\u00e7as, teatros, bibliotecas, cinemas, entre outros (exce\u00e7\u00e3o se fa\u00e7a ao Museu Kuahi, dedicado aos povos ind\u00edgenas do Oiapoque).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Conforme o contexto explicitado, acredita-se que a transforma\u00e7\u00e3o social deve ser alcan\u00e7ada pela implementa\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade e o ensino superior afigura-se num importante elo deste processo tendo em vista que a forma\u00e7\u00e3o de profissionais com qualidade tem o poder de iniciar o processo das mudan\u00e7as sociais t\u00e3o desejadas para a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O surgimento do Campus Oiapoque Binacional da Universidade Federal do Amap\u00e1 (UNIFAP) insere-se neste contexto de extrema necessidade de profissionais qualificados para a atua\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os essenciais, que at\u00e9 o presente foram criados de maneira insuficiente. Sobretudo, a urbaniza\u00e7\u00e3o desacompanhada de infraestrutura e de pessoal capazes de promover propriamente a vida urbana e de pensar sustentavelmente seu meio ambiente, levou ao munic\u00edpio de Oiapoque um dilema para o seu desenvolvimento, cuja solu\u00e7\u00e3o passa necessariamente pela forma\u00e7\u00e3o de pessoas capazes de pensar e intervir nesta realidade (mais do que apenas profissionais para o mercado de trabalho).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Portanto, para al\u00e9m da tamb\u00e9m indispens\u00e1vel forma\u00e7\u00e3o profissional com n\u00edvel superior, o Campus Binacional est\u00e1 inserido neste contexto regional, incumbidos de proporcionar uma forma\u00e7\u00e3o de quadros de pessoal munidos de ferramentas do pensamento, que lhes permitam o olhar pol\u00edtico sobre a gest\u00e3o territorial da cidade, do campo e de todo patrim\u00f4nio ambiental do norte do Estado do Amap\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A interioriza\u00e7\u00e3o do ensino superior, a extens\u00e3o desse direito a qualquer brasileiro independente do lugar onde nasceu e da faixa de renda \u00e0 qual est\u00e1 preso, existe porque reduzir as desigualdades por meio da amplia\u00e7\u00e3o da capacidade de consumo por parte da popula\u00e7\u00e3o pobre deste pa\u00eds, embora seja uma medida imprescind\u00edvel, n\u00e3o \u00e9 suficiente para equalizar aquilo o que historicamente sempre foi um desequil\u00edbrio brutal. Enfim, os novos campi universit\u00e1rios criados fora dos grandes centros s\u00e3o imprescind\u00edveis para que tenhamos a continuidade do projeto de forma\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria neste pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><u>REFER\u00caNCIAS<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">ALMEIDA, C.S; RAUBER, A.L. Oiapoque, aqui come\u00e7a o Brasil: a fronteira em constru\u00e7\u00e3o e os desafios do desenvolvimento regional. Santa Cruz do Sul, <strong>Revistas Redes (Online)<\/strong> v.22, p. 474-493, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">AMARAL, J.B. Apontamentos sobre pol\u00edticas educacionais e as Fronteiras brasileiras. <strong>Revista GeoPantanal<\/strong> \u2022 UFMS\/AGB \u2022 Corumb\u00e1\/MS \u2022 N. 21 \u2022 23-38 \u2022 Jul.\/Dez. 2016, p. 23-37<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">PALHARES, J.M; GUERRA, J.T.A. Potencialidades no Munic\u00edpio de Oiapoque, Amap\u00e1, para o desenvolvimento do geoturismo. <strong>Espa\u00e7o Aberto<\/strong>, PPGG &#8211; UFRJ, v. 6, n.2, 2016 p. 51-72<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Universidade Federal do Amap\u00e1 (UNIFAP) iniciou suas atividades em 1970 como N\u00facleo Avan\u00e7ado de Ensino (NEM), vinculado \u00e0 Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), com a oferta de aproximadamente 500 (quinhentas) vagas voltadas para o campo do magist\u00e9rio (licenciatura curta), implantando, assim, o ensino superior no Amap\u00e1. Na d\u00e9cada de 1990, cria-se, de fato,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":167,"featured_media":0,"parent":21,"menu_order":1,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"inline_featured_image":false,"ngg_post_thumbnail":0,"ocean_post_layout":"full-width","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"0","ocean_second_sidebar":"0","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"0","ocean_custom_header_template":"0","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"0","ocean_menu_typo_font_family":"0","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"on","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"off","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"0","footnotes":""},"class_list":["post-4167","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4167","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/wp-json\/wp\/v2\/users\/167"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4167"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4167\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14015,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4167\/revisions\/14015"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/21"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/oiapoque\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}