{"id":228,"date":"2015-10-12T13:18:39","date_gmt":"2015-10-12T13:18:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www2.unifap.br\/sipli-norte\/?page_id=228"},"modified":"2015-10-13T01:55:34","modified_gmt":"2015-10-13T01:55:34","slug":"lingua-e-identidade-i","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www2.unifap.br\/sipli-norte\/caderno-de-resumos\/conunicacoes\/lingua-e-identidade-i\/","title":{"rendered":"L\u00edngua e Identidade I"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"text-align: justify;line-height: 1.5em\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><b>MITO DA CABE\u00c7A MUNDURUKU E FORTALECIMENTO DA IDENTIDADE: ENTRE A L\u00cdNGUA E A ETNOLOGIA<\/b><\/p>\n<p align=\"right\">Jonise Nunes Santos \u2013 Universidade Federal do Amazonas<\/p>\n<p align=\"right\">Admilton de Freitas Chagas Filho \u2013 Universidade Federal do Amazonas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O trabalho \u00e9 produto das atividades do Projeto <b><i>Revitaliza\u00e7\u00e3o e Fortalecimento da L\u00edngua Munduruku nas atividades pedag\u00f3gicas dos acad\u00eamicos ind\u00edgenas da Turma Munduruku do Curso Forma\u00e7\u00e3o de Professores Ind\u00edgenas,<\/i><\/b> submetido ao Programa de Atividade Curricular de Extens\u00e3o, da Universidade Federal do Amazonas, para ser realizado com os alunos da turma de Letras e Artes. Os objetivos voltaram-se a realizar oficina para contribuir com as a\u00e7\u00f5es de revitaliza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua munduruku; valorizar o uso das hist\u00f3rias e conhecimentos do povo Munduruku nas atividades pedag\u00f3gicas no cotidiano das escolas ind\u00edgenas; revitalizar, pela narra\u00e7\u00e3o e descri\u00e7\u00e3o, conhecimentos tradicionais do povo Munduruku por meio da atividade docente; produzir materiais did\u00e1tico-pedag\u00f3gicos na l\u00edngua munduruku; instrumentalizar os acad\u00eamicos com metodologias e estrat\u00e9gias para uso dos conhecimentos e da l\u00edngua Munduruku em suas atividades docentes na aldeia. Ressalta-se que os alunos da licenciatura j\u00e1 atuam como professores em escolas multisseriadas de comunidades ind\u00edgenas, logo deveriam atentar para os princ\u00edpios da Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena (interculturalidade, principalmente). Nesse sentido, para realiza\u00e7\u00e3o das atividades, na perspectiva de contribuir para elabora\u00e7\u00e3o de material did\u00e1tico na l\u00edngua munduruku e para a concretiza\u00e7\u00e3o da interculturalidade, durante as aulas de L\u00edngua Ind\u00edgena e Portuguesa, foram desenvolvidas atividades para elaborar bancos de dados de palavras e \u201clivros\u201d com as narrativas em l\u00edngua portuguesa e ind\u00edgena. Assim, as a\u00e7\u00f5es foram conduzidas \u00e0 luz das orienta\u00e7\u00f5es dos Par\u00e2metros Curriculares Nacionais de L\u00edngua Portuguesa (1996), de Hernandez (1994, 1998) e de Menget (1993), ou seja, utilizou-se dos conhecimentos pr\u00e9vios dos alunos para se fazer uma leitura inicial sobre o mito da Cabe\u00e7a Munduruku (tema gerador), posteriormente, foi realizada apresenta\u00e7\u00e3o, leitura e an\u00e1lise do texto de Menget (1993), para ent\u00e3o, proceder com a discuss\u00e3o, elabora\u00e7\u00e3o de textos sobre a discuss\u00e3o para amplia\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre o povo e para elabora\u00e7\u00e3o de projetos pedag\u00f3gicos para serem desenvolvidos nas aldeias com os alunos das escolas, nas quais os acad\u00eamicos atuam como docentes. Dos textos produzidos, realizou-se, ainda, atividade de an\u00e1lise lingu\u00edstica dos textos e reflex\u00e3o sobre as diversas disciplinas e conte\u00fados que podem ser trabalhados, a partir da atividade de leitura e releitura de um conhecimento tradicional do povo Munduruku. A produ\u00e7\u00e3o dos acad\u00eamicos foi organizada, resultando em um arquivo digitalizado, na perspectiva de ser utilizado como material did\u00e1tico suplementar para as escolas. Al\u00e9m disso, os professores em forma\u00e7\u00e3o foram orientados a realizar atividades, similares \u00e0s realizadas com eles, nas aldeias, de modo que as crian\u00e7as, adolescentes, jovens e adultos ind\u00edgenas, bem como anci\u00e3os, lideran\u00e7as e outros membros das aldeias possam tamb\u00e9m participar da constru\u00e7\u00e3o de materiais. Assim, os comunit\u00e1rios ser\u00e3o envolvidos na atividade e estar\u00e3o contribuindo efetivamente no processo de revitaliza\u00e7\u00e3o ou fortalecimento lingu\u00edstico e cultural. Desse modo, partindo da leitura de elementos do pr\u00f3prio povo, a atividade de extens\u00e3o ultrapassou a perspectiva extensionista, desdobrando-se em a\u00e7\u00f5es de pesquisa, ensino aprendizagem e fortalecimento da identidade munduruku, considerando que o conhecimento do povo passa a ser o centro da discuss\u00e3o escolar e estimulando o envolvimento dos demais comunit\u00e1rios nas atividades educacionais, al\u00e9m de poder contribuir efetivamente para a documenta\u00e7\u00e3o e revitaliza\u00e7\u00e3o dos conhecimentos da l\u00edngua e cultura do povo Munduruku.<\/p>\n<p><b>Palavras-chave<\/b>: L\u00edngua. Identidade. Mito da Cabe\u00e7a Munduruku.<\/p>\n<p>_________________________________________________________________________________________<\/p>\n<p align=\"center\"><b>Identidades multifacetadas e \u2018hibridismo\u2019 lingu\u00edstico:<br \/>\num estudo de caso da comunidade Kotiria (Tukano Oriental, regi\u00e3o do Alto Rio Negro)<\/b><\/p>\n<p align=\"right\">Kristine Stenzel (UFRJ)<\/p>\n<p align=\"right\">Velda Khoo (University of Colorado at Boulder)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"text-align: justify;line-height: 1.5em\">Estudos sobre regi\u00e3o multil\u00edngue do Alto Rio Negro no noroeste amaz\u00f4nico apontam a especializa\u00e7\u00e3o funcional de <\/span><i style=\"text-align: justify;line-height: 1.5em\">l\u00edngua <\/i><span style=\"text-align: justify;line-height: 1.5em\">como marca de identidade individual e princ\u00edpio de organiza\u00e7\u00e3o social entre grupos etnolingu\u00edsticos (Sorensen 1967; Jackson 1983; Chernela 1993; Aikhenvald 1999; Stenzel 2005, entre outros). Nesta regi\u00e3o, falantes de mais de vinte l\u00ednguas de quatro fam\u00edlias lingu\u00edsticas distintas, interagem atrav\u00e9s de redes de casamento, troca econ\u00f4mica e alian\u00e7a pol\u00edtica. Tal intera\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo engendra pontos de aproxima\u00e7\u00e3o cultural e mecanismos de manuten\u00e7\u00e3o de identidades diferenciadas, principalmente no n\u00edvel lingu\u00edstico (Epps &amp; Stenzel 2013). Gomez-Imbert (1991) foi a primeira a jogar luz sobre os esfor\u00e7os \u2018expl\u00edcitos e conscientes\u2019 dos falantes da regi\u00e3o em manter os c\u00f3digos lingu\u00edsticos distintos, como mecanismo de preservar identidades grupais e de resistir a processos de converg\u00eancia e assimila\u00e7\u00e3o, e Aikhenvald (2002) contribui com um perfil da \u2018ideologia lingu\u00edstica\u2019 regional que, baseada na no\u00e7\u00e3o de \u2018lealdade\u2019, imp\u00f5e normas de comportamento lingu\u00edstico\u2014a mais importante sendo uma avers\u00e3o \u00e0 fala \u2018misturada\u2019, enquanto Chernela (2004) discute o papel fundamental das mulheres na orienta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as ao uso do \u2018patrilect\u2019, l\u00edngua de identidade social e alvo desta \u2018lealdade\u2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Artigos recentes de Chernela (2013) e Shulist (2015) nos apontam um quadro atual mais complexo, questionando tanto a no\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o l\u00edngua-identidade <i>estreita <\/i>e <i>\u00fanica<\/i>, quanto a premissa de que princ\u00edpios ideol\u00f3gicas s\u00e3o automaticamente traduzidas em comportamentos lingu\u00edsticos conformativos e previs\u00edveis. Profundas mudan\u00e7as na regi\u00e3o, principalmente no \u00faltimo meio s\u00e9culo, t\u00eam provocado redefini\u00e7\u00e3o de categorias ideol\u00f3gicos tradicionais e ajustes de comportamento lingu\u00edstico, nos desafiam a desenvolver estudos mais contextualizados, e a considerar hip\u00f3teses relacionadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de identidades \u2018multifacetadas\u2019 e de pr\u00e1ticas \u2018multil\u00edngues\u2019 diferenciadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nosso estudo contribui a este debate com uma an\u00e1lise de dados de fala natural de uma jovem Kotiria (falante de Kotiria, Tukano e Portugu\u00eas). \u00c0 primeira vista, a narrativa desta jovem contraria o que a literatura nos leva a esperar\u2014conformidade \u00e0 norma de \u2018n\u00e3o mistura\u2019 de l\u00ednguas diferentes\u2014por demonstrar uso sistem\u00e1tico de elementos de m\u00faltiplos c\u00f3digos lingu\u00edsticos. Estes incluem casos mais \u2018t\u00edpicos\u2019 de <i>codeswitching <\/i>envolvendo itens lexicais nominais e verbais do portugu\u00eas, que podem ser entendidos como altern\u00e2ncia \u2018metaf\u00f3rica\u2019 indexando e criando tanto rela\u00e7\u00f5es sociais (Blom &amp; Gumperz 1972) como no\u00e7\u00f5es de <i>self <\/i>e <i>outro <\/i>(Gal 1988). No entanto, tamb\u00e9m encontramos inst\u00e2ncias de <i>codeswitching <\/i>bastante \u2018at\u00edpicos\u2019, envolvendo formas pronominais da primeira pessoa exclusiva: <i>s\u00e3 <\/i>(Kotiria), e <i>\u0289hs\u00e3 <\/i>(Tukano).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nossa an\u00e1lise das fun\u00e7\u00f5es destas altern\u00e2ncias na fala da jovem nos levou a abandonar explica\u00e7\u00f5es baseadas na no\u00e7\u00e3o de \u2018diverg\u00eancia\u2019 \u2014 em que falantes negociam identidades \u2018separadas\u2019 \u2014 e postular uma interpreta\u00e7\u00e3o de \u2018hibridismo\u2019. Argumentamos ainda por um entendimento de multilinguismo n\u00e3o s\u00f3 como um \u2018repert\u00f3rio de l\u00ednguas\u2019, mas como um conjunto de \u2018recursos semi\u00f3ticos\u2019 (Hall &amp; Nilep no prelo; Blommaert 2010). A nosso ver, necessitamos reavaliar a vis\u00e3o de \u2018l\u00edngua\u2019 como sendo t\u00e3o ic\u00f4nica a uma dada cultura que possa ditar e limitar entendimentos de \u2018autenticidade\u2019 e impor maneiras est\u00e1ticas de express\u00e3o de identidade, e conclu\u00edmos chamando maior di\u00e1logo entre a pesquisa documental com l\u00ednguas ind\u00edgenas e a teoria sociolingu\u00edstica atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> multilinguismo, identidade, l\u00edngua Kotiria (Tukano Oriental)<\/p>\n<p><b>Refer\u00eancias<\/b><\/p>\n<p>Aikhenvald, Alexandra. 1999. Areal diffusion and language contact in the I\u00e7ana-Vaupes basin. In <i>The Amazonian Languages, <\/i>R.M.W. Dixon e Alexandra Y. Aikhenvald (eds), 207-226. Cambridge: Cambridge University Press.<\/p>\n<p>Aikhenvald, Alexandra. 2002. <i>Language Contact in Amazonia<\/i>. Oxford: Oxford University Press.<\/p>\n<p>Blom, Jan-Petter &amp; Gumperz, John. 1972. Social meaning in linguistic structures: code switching in northen Norway. In <i>Directions in Sociolinguistics: The Ethnography of Communication<\/i>, John Gumperz e Del Hymes (eds), 407-434. New York: Holt, Rinehart, and Winston.<\/p>\n<p>Blommaert, Jan. 2010. <i>The Sociolinguistics of Globalization. <\/i>Cambridge: Cambridge University Press.<\/p>\n<p>Chernela, Janet. 1993. <i>The Wanano (Kotiria) Indians of the Brazilian Amazon: A Sense of Space<\/i>. Austin: University of Texas Press.<\/p>\n<p>Chernela, Janet. 2004. The politics of language acquisition: language learning as social modeling in the Northwest Amazon. <i>Women and Language <\/i>27(1): 13-20.<\/p>\n<p>Chernela, Janet. 2013. Toward a Tukanoan ethnolinguistics: metadiscursive practices, identity, and sustained linguistic diversity in the Vaup\u00e9s basin of Brazil and Colombia. In <i>Cultural and Linguistic Interaction in the Upper Rio Negro (Amazonia)<\/i>, Patience Epps e Kristine Stenzel (eds), 191-238<i>. <\/i>Rio de Janeiro: Museu do Indio-FUNAI.<\/p>\n<p>Epps, Patience &amp; Stenzel, Kristine. 2013. Introduction: cultural and linguistic interaction in the Upper Rio Negro region. In <i>Cultural and Linguistic Interaction in the Upper Rio Negro (Amazonia)<\/i>, Patience Epps e Kristine Stenzel (eds), 14-50<i>. <\/i>Rio de Janeiro: Museu do Indio-FUNAI.<\/p>\n<p>Gal, Susan. 1988. The political economy of code choice. In <i>Codeswitching: Anthropological and Sociolinguistic Perspectives<\/i>, Monica Heller (ed), 243-263. Berlin: Mouron de Gruyter.<\/p>\n<p>Gomez-Imbert, Elsa. 1991. Force des langues vernaculaires en situation d&#8217;exogamie linguistique: le cas du Vaup\u00e9s colombien, Nord-Ouest amazonien. <i>Cahiers des Sciences Humaines <\/i>27:535-559.<\/p>\n<p>Hall, Kira &amp; Nilep, Chad. no prelo. Code-switching, globalization, and identity. In <i>The Handbook of Discourse Analysis, Second Edition<\/i>, Deborah Schiffrin, Deborah Tannen, e Heidi Hamilton (eds) Malden, MA: Wiley-Blackwell.<\/p>\n<p>Jackson, Jean. 1983. <i>The Fish People: Linguistic Exogamy and Tukanoan Identity in Northwest Amazonia. <\/i>New York: Cambridge University Press.<\/p>\n<p>Shulist, Sarah. 2015. \u201cGraduated authenticity\u201d: multilingualism, revitalization, and identity in the Northwest Amazon. <i>Language &amp; Communication, <\/i>http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/j.langcom.2015.04.001 [assessado em 20\/06\/2015]<\/p>\n<p>Sorensen, Arthur P. Jr. 1967. Multilingualism in the Northwest Amazon. <i>American Anthropologist <\/i>69:670-684.<\/p>\n<p>Stenzel, Kristine. 2005. Multilingualism in the Northwest Amazon, revisited. Annals of the II Congress on Indigenous Languages of Latin America CILLA, Austin, Texas. http:\/\/www.ailla.utexas.org\/site\/cilla2_toc_sp.html [assessado em 20\/06\/2015]<\/p>\n<p>_________________________________________________________________________________________<\/p>\n<p align=\"center\"><b>A autoidentifica\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e a l\u00edngua Munduruku:<br \/>\nquem pode ou n\u00e3o ser considerado \u00edndio no oeste paraense.<\/b><\/p>\n<p align=\"right\">S\u00e2mela Ramos da Silva (UNIFAP)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os estudos de l\u00ednguas ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia abrangem diversos aspectos da pesquisa lingu\u00edstica e, apesar dos recentes avan\u00e7os, certas \u00e1reas deste campo de conhecimento ainda tem produ\u00e7\u00e3o t\u00edmida sobre e nestas l\u00ednguas. Recentemente, caracter\u00edsticas mais pragm\u00e1ticas adentram a pesquisa de l\u00ednguas ind\u00edgenas, colocando em jogo quest\u00f5es como o sujeito \u00edndio e a sua rela\u00e7\u00e3o com a l\u00edngua. Assim, este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa de cunho etnogr\u00e1fico realizada com o povo Munduruku (localizados no oeste paraense) sobre a rela\u00e7\u00e3o entre l\u00edngua e identidade. Desde fins da d\u00e9cada de 90, h\u00e1 um processo de reconstru\u00e7\u00e3o da identidade \u00e9tnica desse povo, por vezes considerada extinta. Nesse contexto, o nosso objetivo \u00e9 dar visibilidade e refletir sobre o esfor\u00e7o lingu\u00edstico de resgatar e\/ou reaprender sua l\u00edngua ancestral como resposta \u00e0 exig\u00eancia da sociedade majorit\u00e1ria diante de sua autoidentifica\u00e7\u00e3o, assim como os fatores e condi\u00e7\u00f5es que desencadearam e sustentam esse fen\u00f4meno. Essas exig\u00eancias de comprova\u00e7\u00e3o surgem justamente por conta da a\u00e7\u00e3o da colonialidade do poder\/saber na subalterniza\u00e7\u00e3o das identidades e l\u00ednguas ind\u00edgenas. Assim, embasamos nossas discuss\u00f5es, fundamentalmente, a partir dos estudos p\u00f3s-coloniais (MIGNOLO, 2003) e do grupo modernidade\/colonialidade (QUIJANO, 2005; WALSH, 2009), al\u00e9m de quest\u00f5es a respeito das no\u00e7\u00f5es de l\u00edngua e regimes metadiscursivos, para enfatizar a necessidade de desinven\u00e7\u00e3o e reconstitui\u00e7\u00e3o de concep\u00e7\u00f5es de l\u00edngua (PENNYCOOK E MAKONI, 2007; SOUZA, 2007; OLIVEIRA E PINTO, 2011). Os dados da pesquisa foram gerados a partir de atividades e a\u00e7\u00f5es voltadas para a constru\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre pesquisadora e participantes, pautados nas experi\u00eancias de vida de ambos. Dessa forma, fizeram parte do corpus de nossa pesquisa, textos de observa\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00f5es dos di\u00e1logos e intera\u00e7\u00f5es em grupo. Segundo Oliveira e Pinto (2011, p. 312), devemos avaliar o \u201cpapel da colonialidade do poder\/saber na produ\u00e7\u00e3o epist\u00eamica da linguagem\u201d. A partir dessa afirmativa, compreendemos a viol\u00eancia epist\u00eamica que povos ind\u00edgenas, como os Munduruku, sofrem ao serem interpelados\/pressionados pela sociedade brasileira e \u00f3rg\u00e3os governamentais quanto a sua l\u00edngua ind\u00edgena. A comprova\u00e7\u00e3o dessa exig\u00eancia pode ser encontrada na pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, onde ter direito a sua l\u00edngua \u00e9 tamb\u00e9m, \u201ctenha uma l\u00edngua diferente do portugu\u00eas para que eu te reconhe\u00e7a como ind\u00edgena\u201d (OLIVEIRA E PINTO, 2011, p. 329).\u00a0 Imbu\u00eddos nessa reafirma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, o povo Munduruku dialoga e negocia com essas \u201camarras\u201d impostas pela sociedade nacional, pois mesmo que utilize um construto hegem\u00f4nico, a saber, a l\u00edngua, este conceito parte de um processo de apropria\u00e7\u00e3o e ressignifica\u00e7\u00e3o por parte dos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Palavras-chave: L\u00edngua. Identidade. Colonialidade. Munduruku.<\/p>\n<p>_________________________________________________________________________________________<\/p>\n<p align=\"center\"><b>L\u00cdNGUA E IDENTIDADE: A RELA\u00c7\u00c3O ENTRE OS USOS DA L\u00cdNGUA <\/b><b>\u00a0APURIN\u00c3 (ARU\u00c1K) E<\/b><b> A CULTURA DO POVO<\/b><b><\/b><\/p>\n<p align=\"right\">Patricia do Nascimento da Costa<a title=\"\" href=\"\/Users\/Samela\/Downloads\/Resumo_Patricia_Nascimento-I-SIPLI-Norte%20(1).docx#_ftn1\"><sup><sup><br \/>\n<\/sup><\/sup><\/a><\/p>\n<p align=\"right\">Sidney da Silva Facundes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">RESUMO:\u00a0 O objetivo deste estudo \u00e9 apresentar elementos da l\u00edngua Apurin\u00e3 (Aru\u00e1k) que demonstrem tra\u00e7os da cultura do povo que fala a l\u00edngua, representando aspectos do modo de vida, da vis\u00e3o de mundo, dos valores tradicionais e do envolvimento com valores externos \u00e0s suas experiencias de vida. Este trabalho comp\u00f5e um recorte preliminar da pesquisa\u00a0 de mestrado que investiga caracter\u00edsticas do uso da l\u00edngua, que revelam tra\u00e7os da identidade do povo Apurin\u00e3. Os apurin\u00e3 vivem em v\u00e1rios afluentes do rio Purus, na regi\u00e3o sudeste do estado do Amazonas. Os procedimentos metodol\u00f3gicos utilizados para a realiza\u00e7\u00e3o deste estudo envolvem levantamento bibliogr\u00e1fico sobre os estudos de Identidade e os referenciais que relacionam os estudos de Identidade aos pressupostos te\u00f3ricos da lingu\u00edstica, al\u00e9m da an\u00e1lise dos dados que foram coletados em pesquisa de campo, realizada em abril de 2015. Al\u00e9m das fontes de pesquisa listadas acima, tamb\u00e9m foram consultados trabalhos sobre a l\u00edngua, realizados pelo professor doutor Sidney da Silva Facundes, da Universidade Federal do Par\u00e1, e seus alunos ao longo de mais de vinte anos em pesquisa sobre a l\u00edngua Apurin\u00e3. Durante o trabalho de campo, em abril de 2015, foram aplicados question\u00e1rios sociolingu\u00edsticos e foram coletados dados em formato de relatos pessoais e tradicionais. Para embasar a an\u00e1lise dos dados, recorremos a, al\u00e9m dos aportes te\u00f3ricos da lingu\u00edstica &#8211; em Edwards (2009), que enumera algumas rela\u00e7\u00f5es entre l\u00edngua e identidade e em Ilari (2013), para quem \u201ctoda l\u00edngua historicamente dada, a qualquer momento de sua hist\u00f3ria, est\u00e1 \u00e0 procura de meios para expressar experi\u00eancias que assumiram uma import\u00e2ncia nova para o grupo social que a fala\u201d \u2013 recorremos tamb\u00e9m ao campo de conhecimento da antropologia, como, por exemplo, em Oliveira (2006) e Cunha (2009). Essa pesquisa \u00e9 relevante no sentido de agregar aos estudos sobre a l\u00edngua Apurin\u00e3 informa\u00e7\u00f5es que podem revelar, em dados lingu\u00edsticos, aspectos relativos \u00e0 cultura e aos costumes. Al\u00e9m da contribui\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, esta pesquisa tamb\u00e9m se justifica por integrar, junto a outros elementos, um conjunto de fatores capazes de corroborar a legitima\u00e7\u00e3o deste povo, sua cultura e seu direito de existir socialmente.<\/p>\n<p>PALAVRAS-CHAVE: \u00a0L\u00edngua ind\u00edgena. Apurin\u00e3. \u00a0Identidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 MITO DA CABE\u00c7A MUNDURUKU E FORTALECIMENTO DA IDENTIDADE: ENTRE A L\u00cdNGUA E A ETNOLOGIA Jonise Nunes Santos \u2013 Universidade Federal do Amazonas Admilton de Freitas Chagas Filho \u2013 Universidade Federal do Amazonas &nbsp; O trabalho \u00e9 produto das atividades&hellip; <\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www2.unifap.br\/sipli-norte\/caderno-de-resumos\/conunicacoes\/lingua-e-identidade-i\/\" class=\"readmore-button\">Continue Reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":786,"featured_media":0,"parent":220,"menu_order":2,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"inline_featured_image":false,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"class_list":["post-228","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/sipli-norte\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/228","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/sipli-norte\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/sipli-norte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/sipli-norte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/786"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/sipli-norte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=228"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/sipli-norte\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/228\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":302,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/sipli-norte\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/228\/revisions\/302"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/sipli-norte\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.unifap.br\/sipli-norte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}