Monthly Archives: fevereiro 2014

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Com desafios, missões e rankings, “gamificação” pode turbinar EAD

Category : Notícia

Se você tivesse que estudar sobre a Guerrilha do Araguaia, por que material você se interessaria: pelos textos e ilustrações dos livros de história ou colocando-se no lugar de um guerrilheiro no meio da mata e explorando a região em um jogo que simule cada passo dos combatentes?

Provavelmente a segunda opção seria mais atrativa. A “gamificação” — termo que designa o uso da tecnologia e elementos dos videogames fora da área de entretenimento — é a principal aposta dos especialistas para ensinar de maneira personalizada (ensino adaptativo, que leva em conta as peculiaridades e ritmos de cada aluno).

No entanto, o ensino a distância explora pouco as possibilidades da gamificação.

“Vejo pouca ou quase nenhuma exploração de dispositivos que usam recursos da gamificação no ensino a distância”, afirma Gilberto Lacerda Santos, professor da faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília) e especialista em tecnologia da educação.

“Os jogos [por conta sua capacidade de imersão e interatividade] podem abrir caminhos para a presença da tecnologia no espaço escolar“, disse a professora Lynn Alves, da Uneb (Universidade do Estado da Bahia), durante a última edição da Campus Party quando o tema foi debatido na mesa “Games na educação: apertando o start”.

Gamificação não é usar jogos prontos

Embora muitos games tenham sido criados para ensinar algum tipo de conteúdo didático, Santos reforça que a gamificação significa usar recursos dos games e não criar um game.

A mecânica de pontuação, prêmios, missões, desafios, ranking, criação de avatares, entre outros, são exemplos de como o usuário pode se envolver com um determinado assunto, tornando o estudo menos pesado, ponto alto dos jogos. Mas atualmente a maioria das iniciativas em andamento fica no meio do caminho, entre usar esses elementos ou simular literalmente um game.

“Você coloca pinceladas da estratégia de jogos, mas não são jogos, para as pessoas entenderem atividades complexas. Elas têm função de motivar, de fazer o outro melhorar seu desempenho”, avalia o professor.

Os professores, além dos alunos, também podem se aproveitar dessa outra maneira de aprender.

Um dos projetos que caminha nessa direção é o GGBook, criado pela equipe de Santos na UnB. Trata-se de um game voltado aos professores para ajudá-los a explorar melhor o programa GeoGebra, que auxilia no ensino de álgebra desde cálculos simples a como entender a propulsão de um satélite.

“Nosso projeto visa usar a estratégia da ‘gamificação’ em situações educativas de modo geral e em formação de professores de modo particular. Nosso foco é a formação continuada do professor de matemática, um dos grandes problemas educacionais do Brasil”, diz Santos.

Outro exemplo de gamificação na educação é o “Geekie Games – O Desafio do Enem”, um simulado exclusivo para quem vai prestar o Enem, aberto a estudantes de escolas públicas e particulares. O estudante escolhe a hora e o local em que pretende fazer o simulado e encontra missões, desafios e rankings.

“No game você aproxima o conteúdo educacional do jovem. Ele oferece uma empatia e uma interação maior o que ajuda no engajamento. No caso do Geekie Games, se adapta à forma que cada um aprende”, diz Claudio Sassaki, diretor da Geekie.

O treino para o Enem é uma das possibilidades do Geekie Lab — a plataforma faz o diagnóstico do que o aluno sabe e oferece um roteiro de estudo mais direcionado. Nesse caso, a ‘gamificação’ serve de aliada para o ensino personalizado por meio de vídeos, textos, games, fóruns.

“O professor dá a mesma aula, com os mesmos livros, usando o mesmo discurso para uma sala para cem pessoas. Entretanto, duas pessoas não aprendem da mesma forma. Em vez de o aluno se adaptar, o conteúdo se adapta a cada pessoa. Uma tecnologia que identifique como cada pessoa aprende e evolua conforme a pessoa vai evoluindo também”, avalia Sassaki.

No ensino a distância, com o estudo individual, a “gamificação” poderia servir de orientação para a rotina do estudante.

FONTE:
educacao.uol.com.br


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MEC promete programa de estudo computadorizado para Enem em 2014

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O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou que os inscritos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2013 poderão treinar para a prova em uma plataforma interativa, o Geekie Games. A parceria foi anunciada na tarde desta segunda-feira (9) em São Paulo.

Segundo o ministro, a plataforma será oferecida a todos os estudantes de escola pública — a efetivação dessa proposta dependerá da adesão das secretarias estaduais de educação. Atualmente, o Geekie Games cobra pelo serviço e o alcance para o público da escola pública é limitado.

O ministro indicou ainda que haverá premiação para as melhores escolas e para os melhores desempenhos individuais, mas não detalhou como isso vai ocorrer.

Tecnologia da informação

Para Mercadante, é preciso alinhar os tempos do estudante, que é um nativo digital, do professor, que é analógico e do Estado, que é “cartorial”. Por isso, ele disse que há intenção de lançar dois editais para que plataformas como a do Geekie Games. A intenção é “estimular” os alunos para outras duas grandes avaliações — a Prova Brasil e o Pisa  (Programa Internacional de Avaliação de Alunos).

No entanto, o ministro nega que a política seja treinar os alunos para as provas. “Precisamos dialogar com esse interesse concreto do aluno, que é o Enem”, disse.

Em meio a sua apresentação para uma plateia reunida na sede do Google Brasil, Mercadante apresentou números sobre inclusão digital de professores e alunos. Segundo ele, todo professor do ensino médio tem direito a um tablet para trabalhar: “ele pode cobrar sua secretaria de educação [uma vez que todas as 27 secretarias estaduais aderiram ao programa do MEC]”. Há 594 mil tablets distribuídos e cerca de 161 mil tablets ativados — os aparelhos são ativados após o professor receber treinamento.

FONTE:
educacao.uol.com.br


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Mestrado profissional a distância está em alta na rede pública

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Após o êxito na matemática, a UAB (Universidade Aberta do Brasil), rede que sistematiza cursos a distância e semipresenciais oferecidos por instituições federais, expande a oferta de mestrados profissionais para outras áreas. As formações, voltadas a professores de escolas públicas, chegaram às áreas de física e letras no ano passado e devem atender ao ensino de artes e história já em 2014.

A principal diferença dos mestrados profissionais para os acadêmicos, modalidade mais tradicional, é que esses cursos de pós-graduação se concentram menos na pesquisa e investem na capacitação para a prática. Quando começaram a se consolidar no Brasil, no início da década passada, havia resistência acadêmica ao formato. Hoje já existem mais de 500 no país.

No sistema UAB, que funciona desde 2007, os mestrados profissionais foram criados há três anos na área de matemática (ProfMat). A opção pela universidade aberta atendeu à demanda, grande e distribuída, e facilitou o acesso. Cada universidade parceira tem um polo de coordenação, que orienta os estudantes da região e dá aulas presenciais uma ou duas vezes na semana. Os alunos ganham bolsa mensal de R$ 1,5 mil.

“Os resultados não são imediatos, mas elevam aos poucos a qualidade do ensino médio e fundamental público”, ressalta Lívio Amaral, diretor de Avaliação da Capes (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão ligado ao Ministério da Educação.

Uma das prioridades foi levar em conta as necessidades e deficiências de formação dos docentes da rede pública. Para o presidente da SBM, Marcelo Viana, isso acontece porque os licenciados mais talentosos preferem ficar nas universidades a seguir o magistério no ensino básico. “Muitos nem pisam na sala de aula, já que a carreira não é atrativa”, diz. Entre os méritos do curso, segundo Viana, estão a troca de experiências entre os mestrandos e o contato com pesquisadores de ponta.

“Compreendi melhor conteúdos que já havia visto na faculdade”, lembra Vítor Amorim, professor de São Paulo que se formou na primeira turma do mestrado profissional de matemática. De acordo com ele, que trabalha em uma escola estadual e em um colégio particular, a possibilidade de conciliar suas aulas com a pós foi fundamental para levar o curso adiante. “Outro ponto positivo foi repensar como avalio meus próprios alunos”, comenta.

Professora da Federal do Rio Grande do Norte e coordenadora do programa do mestrado profissional em Letras (ProfLetras), Maria das Graças Rodrigues explica que a intenção é trabalhar questões cotidianas. “Em vez de aceitarmos somente dissertações, também valem como trabalho de conclusão de curso softwares ou propostas didáticas que possam impactar a vida nas classes”, exemplifica.

Mais de 12,5 mil professores do ensino fundamental tentaram 856 vagas da primeira edição do ProfLetras, iniciada em agosto de 2013. A próxima turma começará em 2015.
Engenharia

A pós-graduação em matemática para professores do ensino básico também inspirou ideias de formação docente no ensino superior público. Está em debate um mestrado profissional com aulas semipresenciais para professores dos cursos tecnológicos e de engenharia. “O objetivo é se basear também nas experiências bem sucedidas da Europa e dos Estados Unidos”, aponta Vanderli Fava de Oliveira, da Associação Brasileira de Ensino de Engenharia, responsável pela proposta junto de 20 universidades. A ideia ainda está em avaliação pela Capes.
Correria

Aperfeiçoar a articulação com as secretarias de educação está entre os principais desafios para os mestrados profissionais da rede da Universidade Aberta do Brasil. “Seria interessante que os professores tivessem maior redução da carga horária para se dedicarem ao curso”, defende Marcelo Viana, da coordenação do curso de Matemática. Ele também defende que as pastas ofereçam mais incentivos para que os professores busquem capacitação. “Melhorar o salário e o plano de carreira para estimulá-los”, sugere.

De acordo com Lívio Amaral, diretor de Avaliação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão ligado ao Ministério da Educação, já existem esforços do governo federal para que as redes estaduais facilitem a participação dos docentes. “Mas é preciso reconhecer que as secretarias têm dificuldades. Não conseguem liberar totalmente o professor, durante um ou dois anos, e repor devidamente a equipe”, pondera.

Para Antônio Amaral, professor da cidade piauiense de Cocal dos Alves, a 280 km de Teresina, os dirigentes devem entender a importância da qualificação. “Dá trabalho, tanto na universidade quanto em casa. Fiquei com poucas aulas na minha escola, mas alguns colegas do curso tiveram dificuldades para a liberação”, lembra.

Existem ainda problemas estruturais. Entre os alunos da Região Norte, por exemplo, foi diagnosticado o menor tempo de acesso ao conteúdo online do curso. “A maioria dos professores não tem internet banda larga. Imprimem o material para estudar em casa”, relata Viana, que aponta a interiorização das turmas como outra meta.

Para os coordenadores, mais recursos também são necessários. “Precisamos custear a mobilidade dos estudantes e professores, que vão a aulas e eventos fora de suas cidades”, diz Maria das Graças Rodrigues, do mestrado profissional em letras. Segundo ela, já são negociadas com a Capes mais verbas para as atividades acadêmicas.

Apesar da necessidade de ajustes, o formato de capacitação chamou a atenção fora do País. “Houve contatos iniciais do Uruguai, Chile e Cabo Verde para internacionalizar a rede”, conta Viana. No Brasil, já são discutidos mestrados profissionais em outros campos do ensino básico, como biologia, química e educação física. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

FONTE:
educacao.uol.com.br