SURINAME
O Suriname (Figura 02), oficialmente denominado de República do Suriname, é um país localizado ao norte da América do Sul, limitado a oeste pela Guiana, a leste pela Guiana Francesa, ao sul pelo Brasil e ao norte pelo Oceano Atlântico. Com cerca de 646.758 habitantes e uma área de 163.820 km², é o menor país independente do continente em extensão territorial. Sua capital, Paramaribo, é também a maior cidade e o principal centro político, econômico e cultural.
Figura 02 – Mapa de localização do Suriname
Organização: PDIFF-AP, 2025.Habitado originalmente por povos indígenas, o território do atual Suriname foi disputado por potências europeias até ser colonizado pelos britânicos no século XVII. Com a abolição da escravatura em 1863, intensificou-se a imigração de trabalhadores de países como Índia, Indonésia e China, o que resultou em grande diversidade étnica e cultural. Em 1975, o Suriname conquistou a independência dos Países Baixos, mantendo, no entanto, fortes vínculos econômicos e políticos com a antiga metrópole, além de uma expressiva herança cultural — tendo como o holandês como idioma oficial, embora outros idiomas, como inglês, hindustani caribenho, javanês e o dialeto sranan tongo, sejam amplamente utilizados no cotidiano.
O Suriname é uma república democrática com um sistema político baseado em uma constituição promulgada em 1987. O poder executivo é exercido pelo presidente, que é tanto o chefe de Estado quanto o chefe de governo. O presidente é eleito pela Assembleia Nacional, o parlamento unicameral do país, composto por 51 membros eleitos por voto popular para mandatos de cinco anos. A diversidade étnica do país reflete-se politicamente, e muitos de seus partidos políticos têm base em grupos étnicos específicos.
A economia do país depende da exportação de recursos naturais, como bauxita, ouro e petróleo, além da agricultura e do turismo. No entanto, o Suriname enfrenta desafios como a desigualdade social, a corrupção e a dependência excessiva de commodities.
Em relação às fronteiras, o Suriname está envolvido em litígios com a Guiana Francesa e a Guiana, herdadas do período colonial e reacendidas pela descoberta de recursos naturais, como ouro e petróleo nas áreas contestadas.
Com a Guiana Francesa, a controvérsia centra-se na delimitação da fronteira sul, especificamente na origem do rio Maroni, que os franceses atribuem ao rio Tapahony, enquanto o Suriname defende ser o rio Lawae. Apesar de arbitragens no passado, o conflito permanece sem solução. Embora o Suriname priorize relações econômicas e cooperação com a França, dada a importância das remessas e dos projetos bilaterais.
Já com a Guiana, as disputas abrangem a soberania sobre o rio Corentyne e a região do Triângulo do New River, além de uma controvérsia marítima resolvida parcialmente em 2007 pelo Tribunal Internacional do Direito do Mar, que concedeu à Guiana a maior parte da área em litígio. Apesar da insatisfação surinamesa com o resultado, o país aceitou a decisão, mantendo, no entanto, suas reivindicações nos mapas oficiais. Esses conflitos ilustram os desafios geopolíticos de um país pequeno, cujas fronteiras são marcadas por riquezas naturais e legados coloniais ainda não totalmente superados (Correa, 2015)
RELAÇÕES AMAPÁ-SURINAME
O Suriname e o Brasil, por meio do Amapá, compartilham 52 quilômetros de fronteira terrestre. Não há ligação terrestre entre os dois, pois a fronteira encontra-se em uma região de densa cobertura vegetal e áreas de proteção ambiental e terras indígenas.
Diferentemente da vizinha Guiana Francesa, o Amapá e o Suriname possuem um histórico modesto de relações. Porém, com os novos esforços do Governo Federal para estabelecer uma rota de integração na Região das Guianas, e do governo do estado em estreitar relações com seus vizinhos internacionais, nos últimos anos algumas ações de cooperação e parceria entre o Suriname e o Amapá tomaram forma.
Em fevereiro de 2024, uma comitiva do Amapá, composta por representantes da Secretaria de Relações Internacionais e Comércio Exterior, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá e da Secretaria de Estado de Cultura, realizou uma visita ao Suriname para firmar um diálogo com o país, visando o estreitamento das relações de ambos. Como resultado, na 53ª Expofeira, que aconteceu em setembro de 2024, o Amapá recebeu uma delegação surinamesa chefiada pelo Cônsul-Geral do Suriname no país, Wendell Alphons. Essa foi a primeira recepção oficial de um representante do país no estado.
Em novembro de 2024, uma delegação amapaense participou da 2ª Conferência de Águas do Bio-Plateaux, em Paramaribo, capital do Suriname. O objetivo do evento era fortalecer a cooperação regional do Escudo das Guianas para a gestão hídrica dos rios Oiapoque e Maroni, além do compartilhamento de informações, discussões acerca de bioeconomia e desenvolvimento sustentável da região. Essa conferência faz parte do Projeto Bio-Plateaux, da Guiana Francesa, que conta com o Suriname e o Amapá como parceiros.
Entre os dias 21 de fevereiro e 1º de março de 2025, a equipe do Plano de Desenvolvimento e Integração da Faixa de Fronteira do Amapá (PDIFF/AP) realizou uma missão internacional na Guiana Francesa e no Suriname. O objetivo da missão foi fortalecer articulações institucionais, identificar boas práticas e coletar dados sobre iniciativas regionais relevantes ao desenvolvimento integrado da faixa de fronteira. No Suriname, as atividades foram especialmente significativas para fomentar parcerias em áreas estratégicas, tais como comunidades tradicionais, defesa nacional, desenvolvimento sustentável e integração regional.
Uma das primeiras agendas foi a visita à Associação de Lideranças das Comunidades Indígenas (VIDS), importante organização representativa dos povos indígenas do Suriname. O encontro permitiu uma rica troca de experiências sobre políticas voltadas às comunidades tradicionais, ressaltando pontos em comum com a realidade amazônica do Amapá. As discussões abriram caminhos para futuras colaborações em projetos de valorização cultural, fortalecimento da governança indígena e gestão territorial participativa.
A equipe também foi recebida no Instituto de Educação e Treinamento para Defesa, vinculado ao Ministério da Defesa do Suriname. A reunião abordou a possibilidade de cooperação acadêmica nas áreas de segurança e defesa, considerando os desafios compartilhados por países amazônicos no monitoramento de suas fronteiras e no enfrentamento a ilícitos transnacionais. A troca de experiências com a instituição reforça o caráter multissetorial do PDIFF/AP, ao considerar a segurança como eixo transversal para o desenvolvimento.
Outro momento importante da missão foi a visita institucional à UN House, sede das Nações Unidas em Paramaribo. A equipe foi acolhida por Ruben Martoredjo, coordenador de projetos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Suriname. O encontro proporcionou o compartilhamento de experiências e metodologias sobre desenvolvimento social, ambiental e econômico, com destaque para práticas de sustentabilidade em contextos fronteiriços. O diálogo também permitiu identificar sinergias com projetos apoiados pelo PNUD no Brasil e na região do Caribe.
A missão foi concluída com um encontro na Embaixada do Brasil no Suriname, onde o projeto foi oficialmente apresentado ao embaixador brasileiro, Felipe Santarosa. A reunião reforçou a importância estratégica da integração regional entre o Amapá e os países vizinhos, e destacou o papel do PDIFF/AP como instrumento de articulação e cooperação sul-americana. A presença diplomática brasileira no Suriname mostrou-se uma aliada fundamental para o fortalecimento das conexões institucionais estabelecidas durante a missão.
Em síntese, o trabalho de campo desenvolvido no Suriname ampliou significativamente o horizonte de cooperação internacional do PDIFF/AP, promovendo o intercâmbio de experiências e estabelecendo pontes para ações conjuntas com impacto direto na faixa de fronteira do Amapá. As instituições visitadas demonstraram disposição para o diálogo e apontaram possibilidades concretas de parcerias futuras, fortalecendo o papel do Amapá como elo ativo entre o Brasil e seus vizinhos amazônicos.

