Comunidade quilombola de São Tomé do Aporema aprova início das atividades do PROTERRA-VB

– As atividades do projeto contemplarão 29 famílias que enfrentam os efeitos alimentares, sociais e econômicos provocados pela praga da vassoura-de-bruxa da mandioca;
– O encontro faz parte da meta do projeto de realizar seis planos de Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI), três quilombolas e três indígenas, fundamental para legitimidade e eficácia das ações junto às comunidades;

A comunidade quilombola de São Tomé do Aporema, em Tartarugalzinho (AP), recebeu no dia 28 de março de 2026 a equipe do Proterra-VB para uma assembleia comunitária voltada à apresentação e discussão das ações previstas para o território. Durante o encontro, os moradores aprovaram integralmente a implementação do Projeto, reforçando a importância de que as ações tenham continuidade e produzam resultados concretos no território.

A equipe do Proterra-VB ouviu os moradores sobre alternativas produtivas que podem ser implantadas no território quilombola de São Tomé do Aporema

Ao longo do diálogo, a situação foi descrita pelos moradores como inédita, com perdas significativas na produção, apodrecimento das raízes e, em alguns casos, abandono do cultivo. Diante desse cenário, a assembleia se consolidou como espaço de escuta e construção coletiva, no qual foram debatidas não apenas as ações do projeto, mas também as condições estruturais que afetam o território.

“Ficamos satisfeitos com a visita da UNIFAP em nosso território, porque indica o avanço de políticas públicas nesse contexto de combate a praga da vassoura-de-bruxa da mandioca. Estamos muito felizes e ansiosos pelas ações do projeto”, realçou o presidente da Associação de Moradores Quilombolas da Comunidade de São Tomé do Aporema, Júlio dos Santos Dias.

O encontro garantiu a exposição por parte da comunidade das dificuldades relacionadas ao acesso à água, à ausência de assistência técnica contínua e às limitações no acesso a políticas públicas. Por outro lado, também foram apresentadas alternativas produtivas para enfrentar os efeitos provocados pela praga nas plantações de mandioca.

De acordo com a Dra. Nelma Nunes, responsável pela ATER para área de Mulheres e Juventudes do Proterra-VB, a comunidade já desenvolve iniciativas como criação de animais, piscicultura e cultivo de hortaliças e açaí, mas enfrenta entraves que dificultam sua consolidação, como falta de insumos, apoio técnico e infraestrutura adequada. “São muitas perspectivas extremamente interessantes para resolução dos problemas diante de toda a problemática que tem sido gerada pela vassoura-de-bruxa”, considerou a pesquisadora.

A professora Dra. Juliana Monteiro Pedro, responsável pela Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) junto às comunidades quilombolas e agricultores familiares, também integrou a equipe do projeto presente na comunidade.

A reunião ocorreu no Centro Comunitário e reuniu agricultores, mulheres e jovens quilombolas

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As discussões evidenciaram ainda questões de ordem mais ampla, como a ausência de regularização fundiária, que limita o acesso a financiamentos e programas institucionais, e a necessidade de maior presença do poder público em áreas como transporte e apoio à produção.

Outro aspecto destacado foi o papel das mulheres na dinâmica produtiva e econômica da comunidade, com potencial de fortalecimento em atividades como produção artesanal e de alimentos. Ao mesmo tempo, foram apontados desafios relacionados à permanência da juventude no território, especialmente diante da falta de oportunidades e das dificuldades de acesso à educação.

A atividade evidenciou que o enfrentamento da praga da mandioca está diretamente relacionado a um conjunto mais amplo de demandas estruturais, exigindo ações articuladas e de longo prazo para o fortalecimento da produção local e da segurança alimentar.

Informações Projeto Proterra VB
Instagram: @proterravb
Email: comunicaproterravbm@gmail.com

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