Projeto ‘Muro e Poesia Sociais’ leva poesia e arte ao alcance dos olhos

Projeto ‘Muro e Poesia Sociais’ leva poesia e arte ao alcance dos olhos

Projeto realizado pelos artistas Amapaenses Sarah Aranha e Murillo Rodrigues só se tornou possível através da lei emergencial de incentivo ao artista, Aldir Blanc.

A arte urbana ressignifica espaços ociosos e degradados, levando vida e socialização para os locais em que se coloca. Essa foi a ideia inicial da artista Sarah Aranha, de 29 anos, que, objetivando criar um espaço de arte e poesia na paisagem urbana de Macapá e assim dialogar com a população por meio da criação artística, idealizou o projeto “Muro e Poesia Sociais”.

Escritora, Artesã e fundadora da Feirinha das Manas, a multitalentosa Sarah Aranha já realiza, desde 2014, publicações artísticas através da Feira do Livro do Amapá, além de ter publicado também duas antologias poéticas nacionais (Poesias Escolhidas e Elas são de Marte). Desde então, a jovem amapaense vem trabalhando em publicações virtuais e exposições em eventos de arte e feiras. 

O projeto Muros e Poesia Sociais de Sarah saiu do papel em meados de dezembro de 2020, com poemas que trazem a temática de incentivo à independência emocional, empoderamento feminino e a naturalidade dos sentimentos. Em parceria com Murilo Rodrigues, também artista visual, foi possível criar ilustrações para cada parte dos seus poemas. De acordo com Sarah, a idealização do projeto só foi possível a partir da lei emergencial de incetivo ao artista, Aldir Blanc.

“Sentia muita necessidade de fundir as artes que eu praticava. No início do ano escrevi o projeto e submeti a aprovação no edital 07 da lei Aldir Blanc, fui aprovada e comecei a organizar as ideias”, conta a artista. 

“Muro de Poesias Sociais além de embelezar a rua, trás poesia e arte de forma acessível. Foto/Imagem: Arquivo pessoal Sarah Aranha”. 

O projeto foi colocado em prática na semana passada, no muro do colégio Antônio Cordeiro Pontes, também conhecido por ser o antigo GM, localizado na Rua São José, no centro de Macapá. O local foi escolhido para servir como galeria aberta, pois foi onde a artista estudou boa parte do ensino fundamental e possui memórias felizes do local. 

Segundo Sarah, o projeto já era uma ideia em processo, anos antes. Há dois anos ela passou a praticar a pintura artística e, desde então, passou a transmutar para a parede tudo aquilo que criava nas folhas de papel. No início desse ano, a artista escreveu um projeto e obteve aprovação pela lei emergencial de incentivo ao artista, através da lei Aldir Blanc no edital 007/2020, criada no final do ano passado. 

A Lei Emergencial de Incentivo ao Artista — Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural foi lançada pelo Governo do Estado do Amapá, que realizou o repasse de mais de R$16 milhões através de editais lançados em dezembro de 2020. Os processos dos editais foram coordenados pela Secretaria de Estado e Cultura (SECULT), e tiveram como principal objetivo incentivar iniciativas artísticas e culturais durante a pandemia de Covid-19. 

“Trecho da poesia artística de Sarah através da arte de Sereia Caranguejo. Foto/Imagem: Arquivo pessoal de Sarah Aranha”. 

Os desenhos artísticos, além de trazer beleza para a paisagem coletiva, também são uma forma de levar cultura e arte acessíveis para a sociedade. Durante muitos meses da pandemia em que ainda vivemos, passamos por diversas formas de isolamento social e, segundo Sarah, isso teve grande impacto em sua vida. 

“Por estar muito introspectiva pelo isolamento, esse foi um momento em que mergulhei bastante nos estudos de artes plásticas e treinos também”, relata a artista, que destaca também as várias experiências que teve durante o processo, “tive muitas experiências que me ensinaram mais sobre a minha independência emocional, sobre ser suficiente para mim mesma”, consequentemente, Sarah tentou expressar em sua arte todas as emoções vividas durante o confinamento. 

Entre poesias, frases, cores, desenhos e reflexões, os artistas amapaenses transformaram o muro do colégio Antônio Cordeiro Pontes e proporcionaram a possibilidade de novos pensamentos àqueles que caminham por entre suas criações. Essa ideia de trazer mais vida a quem acompanha o cotidiano de muitas pessoas, possibilita instantes de afeto e encontro por meio do reconhecimento e reflexão proporcionados pela arte. Para Sarah, “os projetos de arte, quando colocados na rua, abrem um leque de inspiração. Eu posso inspirar crianças e jovens a produzirem arte e, dependendo do conteúdo, posso gerar reflexão e representatividade”.  

Quando questionada sobre a motivação e a influência que a arte e a poesia tiveram em sua vida — e que ela tentou transmitir através do projeto —, Sarah respondeu que desde muito cedo passou a amar a literatura. 

“Comecei a amar literatura na quinta série, e já estudava no GM. Li e decorei muitos poemas e me apaixonei. Esse amor foi plantado em mim por meio da leitura na escola”, comenta a artista. 

“Entre poesias, frases, cores, desenhos e reflexões, esses Amapaenses transformaram o muro do colégio Antônio Cordeiro Pontes. Foto/Imagem: Arquivo pessoal de Sarah Aranha” 

De acordo com Sarah, Sereia Caranguejo, Manuella Aranha, Karinny de Magalhães e Leandra Brito foram escolhidas a dedo para servir como inspiração para os desenhos pintados pela artista, dada a proximidade e admiração mútua. “Escolhi quatro mulheres amapaenses que admiro muito e que estiveram presentes durante meu processo criativo para representar cada elemento”, ressalta. 

As intervenções urbanas retiram os transeuntes de seu cotidiano urgente e agressivo e funcionam para acessar pessoas que, geralmente, não são o foco da arte formal. O objetivo da artista é trazer, através do projeto, suas crenças na natureza, visto que cada ilustração e verso se conecta diretamente com um elemento da natureza. Sarah também anunciou que planeja dar continuidade a esse trabalho, aumentando o número de escritores e ilustradores participantes e continuar colorindo a paisagem amapaense, levando poesia ao alcance dos olhos de todos. 

“Meu objetivo é despertar interesse pela arte para quem passar e ver, além de provocar a reflexão sobre relacionamento e mostrar a beleza que mora no encontro da independência emocional”, finaliza a artista.

Colaboração de texto: Izabele Pereira (Bolsista de Extensão do Escritório Modelo/Rádio e TV UNIFAP, 2021)


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