Projeto: “A Expressão da Recursividade em Pirahã: Documentação, Descrição e Análise – Mura”

Projeto: “A Expressão da Recursividade em Pirahã: Documentação, Descrição e Análise – Mura”

Linha de pesquisa: Línguas Indígenas

Coordenador: Glauber Romling da Silva

Integrantes: Maria Filomena Spatti Sandalo (Consultor, Unicamp), Andrew Ira Nevins (Consultor, University College London).

Descrição: Este projeto executa a etapa final e apresenta os resultados de um trabalho iniciado em setembro de 2013 no âmbito do projeto de pós-doutorado homônimo executado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) pelo coordenador proponente antes de seu ingresso nesta Instituição. Esta pesquisa tem dois objetivos interconectados: (i) documentar e descrever os principais aspectos da fonologia e da morfossintaxe da língua Pirahã (Mura)1 e (ii) investigar teoricamente a expressão da recursividade nessa língua. Recentemente, o Pirahã suscitou acirrado debate internacional sobre os limites, ou mesmo a existência, da recursividade (Everett, 2005; Nevins et alii 2009a, 2009b; Everett, 2009), como “pedra angular” da capacidade humana de linguagem (Hauser, Chomsky & Fitch, 2002). Descobertas recentes mostram que a presença/ausência de estruturas recursivas é uma evidência fundamental para a parametrização durante o período de aquisição (Snyder, 2005; Roeper & Snyder, 2005, (a aparecer)). O Pirahã oferece evidências para uma recursividade sintática limitada (Nevins et alii (2009a, 2009b), Rodrigues & Sandalo, (2013)), pois seleciona um subconjunto das possibilidades gramaticais providas pela UG (universal grammar). Nesse contexto, buscaremos (i) mapear quais são as categorias lexicais e funcionais que são  recursivas em Pirahã; (ii) que tipo de recursividade expressam; (iii) em que nível a expressam; (iv) em que grau de restrição operam; e, sobretudo, (v) que restrições locais operam. Paralelamente a esses objetivos mais teóricos, construiremos acervo digital contendo sessões de áudio e vídeo resultantes da gravação de eventos verbais anotadas (transcrição, tradução, glosagem e notas) e acompanhadas de metadata. Para isso utilizaremos os programas de gestão de base de dados FLEx2, o criador de metadata Arbil3, o anotador ELAN4 e o formatador de dicionários Lexique Pro5.  Os desdobramentos esperados são uma gramática descritiva e um léxico em formato de dicionário. Parte deste acervo será incorporada ao Corpus Tycho Brahe6 (doravante, CTB)  e, como modelo de arquitetura de acervo, isso poderá servir como catalisador para a agregação e adaptação de outros materiais sobre línguas indígenas e/ou pouco documentadas. A vantagem dessa incorporação é que o CTB provê anotação sintática e é capaz de gerar hipóteses sobre seus padrões. Dessa forma, aliamos o poder de uma ferramenta computacional de documentação à investigação teórica de uma língua natural humana.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*