– O evento reuniu representantes institucionais, pesquisadoras, pesquisadores e comunidades indígenas, quilombolas e da agricultura familiar;
– O encontro debateu o fortalecimento da gestão territorial e o enfrentamento dos desafios vivenciados pelas populações afetadas pela vassoura-de-bruxa da mandioca;
– O projeto é financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), com execução da Universidade Federal do Amapá (Unifap);
O projeto Proterra-VB foi lançado oficialmente no dia 25 de abril, no Anfiteatro da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), no Campus Marco Zero, em Macapá. O evento “Territórios em Ação” reuniu representantes de instituições públicas, pesquisadoras, pesquisadores e lideranças comunitárias de povos tradicionais, marcando o primeiro encontro estratégico entre a equipe do projeto, parceiros institucionais e populações afetadas pela vassoura-de-bruxa da mandioca.

A programação teve início com a apresentação do canto tradicional dos povos Tiriyó e Katxuyana, entoado pelo pajé Lauro Marinka Tiriyó, além da participação do Grupo Zimba, da Comunidade Quilombola do Cunani, no município de Calçoene. Em seguida, foi realizada a mesa de abertura, com a presença de representantes dos poderes Executivo federal e estadual, do Legislativo federal, da UNIFAP, de instituições parceiras e de povos indígenas, quilombolas e da agricultura familiar.
A coordenadora-geral do projeto, professora Dra. Patrícia Rocha Chaves, destacou o caráter político e integrador da proposta, enfatizando o papel da universidade para além da produção técnica. “Nossa equipe compreende que a luta teórica e científica também é uma luta política. Ela acontece dentro da universidade, mas também no território, junto aos povos”, afirmou.
Segundo a coordenadora, o projeto aposta em uma abordagem interdisciplinar e intercultural, conectando o conhecimento acadêmico às realidades vividas nos territórios. “Não somos apenas técnicos, somos articuladores territoriais. Essa composição é estratégica por ser integradora, multidisciplinar e por dialogar diretamente com as comunidades”, completou.
A iniciativa pretende beneficiar mais de 1.800 famílias em diferentes localidades dos estados do Amapá e do Pará, com ações voltadas à assistência técnica, pesquisa aplicada e fortalecimento das práticas produtivas locais. Desde o mês de fevereiro de 2026, os territórios foram visitados pela equipe do Proterra-VB para apresentação das ações e realização de consultas preliminares às comunidades para adesão às ações sugeridas.

Durante o evento, o senador Randolfe Rodrigues ressaltou a importância da valorização dos saberes tradicionais como elemento central para o sucesso das ações.
“A ciência também precisa ter a humildade de aprender. Existem saberes, como os dos povos indígenas, que são resultado de civilizações moldadas neste território, e esses conhecimentos precisam dialogar com a ciência produzida nas instituições. Esse encontro entre saberes é essencial não apenas para combater a vassoura-de-bruxa, mas para enfrentar outras crises que impactam os territórios e suas populações”, afirmou.
Outros participantes reforçaram o papel central das comunidades no desenvolvimento do projeto. Para o diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Marenilson Batista, que representou a ministra Fernanda Machiaveli, a iniciativa parte das demandas reais dos territórios, colocando os povos tradicionais como protagonistas. “A base de tudo que estamos construindo são as comunidades indígenas, quilombolas, agricultores e agricultoras familiares. É para eles e para elas que estamos trabalhando”, destacou.

O evento também resgatou o contexto que levou à construção do projeto, incluindo a mobilização de lideranças indígenas diante da crise nas roças de mandioca no município de Oiapoque, o que impulsionou a articulação entre órgãos federais, instituições de pesquisa e representantes políticos.
Debates e articulações com as comunidades
Além da solenidade de lançamento, o encontro também foi espaço para discussão e produção de conhecimento, com a mesa de debate “Políticas públicas e manejo fitossanitário contra a vassoura-de-bruxa na mandioca”, mediada pela equipe do Proterra-VB e composta por especialistas do MDA, MIDR, ANATER e EMBRAPA.

Outro ponto central do encontro foi a reunião estratégica entre a equipe do projeto e lideranças comunitárias para a formação do Comitê Gestor do Proterra-VB, instância que reunirá parceiros institucionais e representantes das comunidades para o acompanhamento e a tomada de decisões estratégicas. Durante o momento de deliberação participativa, os representantes puderam apresentar demandas e esclarecer dúvidas sobre os próximos passos do projeto.
Informações Projeto Proterra VB
Instagram: @proterravb
Email: comunicaproterravbm@gmail.com
