– O encontro realizado pela Articulação de Mulheres Indígenas Wayana e Aparai (AMIWA) discutiu pautas relacionadas a saúde, território, cuidado, autonomia e sobrevivência coletiva;
– Dentro de suas ações transversais, o Projeto Proterra-VB garante a participação mínima de 50% de mulheres e jovens em todas as atividades;
– Na visita, a equipe do projeto foi acompanhada pela reitoria da Universidade Federal do Amapá (Unifap), instituição executora da iniciativa, representada pela vice-reitora, Dra. Ana Cristina Maués;
No dia 7 de maio, o projeto Proterra-VB realizou uma atividade de escuta qualificada durante a assembleia da Articulação de Mulheres Indígenas Wayana e Aparai (AMIWA), na porção leste da Terra Indígena Parque do Tumucumaque. A crise fitossanitária provocada pela vassoura-de-bruxa da mandioca foi um dos eixos centrais levantados pelas participantes, mas também trouxe à tona questões estruturais que compõem a agenda das mulheres indígenas no território.
A atividade integrou as ações do projeto voltadas à construção de estratégias de enfrentamento à crise que afeta as roças de mandioca nos territórios indígenas. Por meio de rodas de conversa e registros coletivos, as mulheres compartilharam experiências, dificuldades e propostas para o fortalecimento das comunidades com ênfase na segurança alimentar, no fortalecimento socioeconômico e na construção de respostas emergenciais e estruturantes.

De acordo com a Dra. Nelma Nunes, responsável pela Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) na área de Mulheres e Juventudes do Proterra-VB, o debate sobre os impactos provocados pela praga evidenciaram questões relacionadas a saúde mental, organização do cuidado, redes de solidariedade, acesso ao território e condições de vida.
“Há relatos que descrevem o adoecimento emocional intenso diante da destruição da produção, indicando que a crise tem provocado transtornos emocionais, angústia e sofrimento psíquico, afetando não apenas as mulheres, mas também crianças e idosos das comunidades. Essa dimensão amplia o debate para o campo da saúde coletiva, evidenciando a necessidade de cuidado integral”, relatou a pesquisadora do projeto.
Durante a assembleia, as mulheres indígenas também destacaram o papel central que exercem no cuidado familiar e na garantia da segurança alimentar das comunidades, especialmente na alimentação das crianças. Os relatos apontaram preocupação constante com o risco de fome infantil diante da redução das roças de mandioca, evidenciando o aumento da sobrecarga de responsabilidades atribuídas às mulheres no cotidiano das aldeias. As discussões também revelaram a importância da atuação feminina na manutenção da vida comunitária e na organização do cuidado dentro do território.

A atividade evidenciou ainda os desafios logísticos enfrentados pelas comunidades, incluindo dificuldades de acesso aos territórios e dependência de transporte aéreo e fluvial para a circulação de pessoas, insumos e assistência técnica. Além disso, observou-se a fragilização das redes de solidariedade interaldeias, anteriormente sustentadas pela troca de manivas e apoio entre comunidades.
“Com a disseminação da praga, essas redes foram comprometidas, o que aponta para uma dimensão coletiva da crise, afetando a autonomia territorial e a capacidade de resposta comunitária”, explicou Nelma.
A participação do Proterra-VB no encontro da AMIWA ocorre após a aprovação do projeto pelas lideranças das 28 aldeias do lado Leste do Complexo Tumucumaque, em março de 2026, por meio de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) realizada pela equipe durante o encontrão de Planejamento do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA).
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Diagnóstico e encaminhamentos
Na avaliação da equipe do Projeto Proterra-VB, a situação enfrentada pelas comunidades indígenas configura uma crise multidimensional, com impactos na produção agrícola, segurança alimentar, economia local e organização social, além de reflexos diretos sobre a saúde coletiva nos territórios.
Ao longo da atividade, foi observada a forte participação das mulheres indígenas na análise dos desafios e na construção coletiva de estratégias de enfrentamento, reforçando o protagonismo feminino nos debates sobre segurança alimentar, produção agrícola e fortalecimento territorial.

Durante a assembleia, as mulheres indígenas defenderam ações voltadas à segurança alimentar das famílias, acesso a políticas públicas e apoio emergencial, fortalecimento da saúde mental e do cuidado coletivo, além da recuperação das práticas produtivas tradicionais afetadas pela vassoura-de-bruxa da mandioca. As participantes também destacaram a importância da melhoria do acesso ao território, da manutenção das redes de solidariedade entre aldeias e da participação ativa das mulheres nas decisões e soluções para enfrentar a crise nas comunidades.
Com base nas contribuições apresentadas durante a assembleia, o Proterra-VB deverá subsidiar o planejamento de ações futuras voltadas ao fortalecimento da assistência técnica, ao apoio às comunidades e à construção participativa de soluções para o enfrentamento da vassoura-de-bruxa da mandioca no território indígena.
AMIWA
A Articulação de Mulheres Indígenas Wayana e Aparai (AMIWA) foi fundada em 2017 e integra a Associação dos Povos Indígenas Wayana e Aparai (APIWA). Desde sua criação, a organização atua no fortalecimento da participação feminina nas comunidades indígenas, desenvolvendo iniciativas voltadas à geração de renda, valorização cultural e fortalecimento da autonomia das mulheres, com ações relacionadas à produção de pimenta, artesanato e segurança alimentar.
A AMIWA também promove espaços de diálogo e mobilização sobre temas ligados à saúde, educação, sustentabilidade e direitos indígenas, incentivando a participação das mulheres nos processos de decisão comunitária. A atuação da articulação tem contribuído para o fortalecimento da organização social das comunidades Wayana e Aparai, além da preservação de conhecimentos e práticas tradicionais repassadas entre gerações.
Informações Projeto Proterra VB
Instagram: @proterravb
E-mail: comunicaproterravbm@gmail.com
