Diversidade Linguística na Amazônia

Projetos

Processos Linguísticos de Ensino e de Aprendizagem
em contextos de Educação Escolar Intercultural Indígena

Antonio Almir Silva Gomes

Lattes

O estado do Amapá, localizado na região norte do Brasil, fronteiras com os estados do Pará, com o Suriname e com Guiana Francesa, possui uma diversidade de povos indígenas que, dentre outros aspectos, em virtude do reduzido número de pesquisadores das diversas áreas do conhecimento, ainda é pouco conhecida. Tal diversidade constitui-se pelos povos Wajãpi (região oeste do estado, Terra Indígena Wajãpi), Apalai, Wajana, Tiriyó e Kaxuyana (Complexo do Tumuqumaque, fronteira entre os estados do Pará e Amapá), Galibi do Oiapoque, Galibi-Marworno, Karipuna e Palikur (Baixo Rio Oiapoque, Terras Indígenas Uaçá, Juminã e Galibi do Oiapoque). A todos estes povos (e diversidade) um ponto comum: a presença da instituição escola. Aquilo que se tem denominado oficialmente de Educação Escolar Indígena (EEI) é, portanto, realidade entre os mesmos povos. O projeto de pesquisa que apresentamos pretende, deste modo, inserir-se neste contexto educacional, mais precisamente relacionado aos processos de ensinar e de aprender línguas entre os povos Karipuna e Galibi-Marworno. Seu escopo incide, portanto, sobre a escola destes povos. Como as escolas destes povos constituem suas práticas voltadas ao ensino de línguas? Qual o conjunto de possibilidades é destinado aos professores das mesmas escolas? Qual o nível de compreensão teórica dos professores acerca de temas importantes derivados desta realidade, tais como ensino bilíngue, abordagens de ensino, lugar do texto e do contexto nas práticas de ensino, atendimento aos anseios das próprias sociedades indígenas? Qual o impacto de tudo isso sobre a aprendizagem discente?

Equipe: Antonio Almir Silva Gomes (Coordenador), Cilene Campetela (Docente/Letras), Iohana Victoria Barbosa Ferreira (Mestranda/PPGLET), Maria Sônia Aniká (Mestranda/PPGLET), Maxwara dos Santos Cardoso (Mestranda/PPGLET), Ana Clara Melo (Graduanda/Letras), André Henrique Cardoso Favacho (Graduando/Letras).

Financiadores: CNPq e PAPESQ/2019

 

Sociolinguística Educacional: o atlas linguístico do Amapá como ferramenta de ensino-aprendizagem de língua portuguesa

Celeste Maria da Rocha Ribeiro

Lattes

O projeto de pesquisa sociolinguística educacional: o atlas linguístico do Amapá – ALAP – como ferramenta de ensino-aprendizagem da língua portuguesa tem por propósito central apresentar e desenvolver técnicas e estratégias para se trabalhar a variação linguística do português brasileiro no contexto da sala de aula. Julgamos fundamental que a língua portuguesa, pelo viés das variedades que essa língua apresenta no país, seja trabalhada considerando os usos reais em que ela se manifesta pelos falantes. Trabalhando a realidade da língua em seu contexto sócio-regional, certamente tem-se maior possibilidade de aprendizado mais eficiente, visto que o aprendiz passa a olhar e conceber a língua a partir de suas variadas formas de manifestações, ou seja, apreende  que ocorrem, por exemplo, variedades cultas e variedades populares no uso linguístico pelo falante, mas que ambas são concretizações da língua que por sua vez, é um organismo vivo, dinâmico e passível de variação e mudança. Como suporte para se desenvolver esse trabalho nas aulas de língua portuguesa, sugerimos os atlas linguísticos que apresentam um perfil dos diversos falares existentes no país, haja vista que a maioria dos estados brasileiros possui seu atlas. Entre esses, temos o ALAP (Razky; Ribeiro; Sanches, 2017) que retrata os falares amapaenses, sob os aspectos fonético-fonológicos e semântico-lexicais. Por meio desse atlas é possível conhecer melhor o léxico amapaense e suas caracterizações fônicas, o que pode facilitar, por exemplo, o trabalho com a ortografia, com a transposição do texto oral para o escrito, além do conhecimento e ampliação do vocabulário amapaense, pelo aluno. Desse modo, busca-se, por meio desse projeto levar o atlas linguístico do Amapá – ALAP para dentro da sala de aula de português, nas escolas públicas de Macapá, a fim de não apenas divulgar nossos falares, mas também e principalmente, apresentar e desenvolver estratégias de ensino, através das cartas fonéticas e lexicais do atlas linguístico do Amapá.

Equipe: Celeste Maria da Rocha Ribeiro (Coordenadora), Michele Carvalho (Mestranda/PPGLET), Gabriel Nunes Yared Lima (Graduando/Letras), Sindell Graziela Bueno de Andrade (Graduanda/Letras).

Finaciadores: PAPESQ/2019.

 

Negritude amazônica: os sujeitos negros em discurso

Ednaldo Tartaglia Santos

Lattes

O presente Projeto de Pesquisa intitulado “Negritude amazônica: os sujeitos negros em discurso” procura fomentar e subsidiar pesquisas que tratam da questão do sujeito negro amazônico e amazônido. Ele tem como problema central investigar as linguagens (discursos) que constroem e constituem os sujeitos negros no âmbito da Região Amazônica, considerando os contextos histórico-culturais, políticos, religiosos, midiáticos etc. Este projeto de pesquisa se justifica pelas escassas produções científicas sob o viés discursivo que tocam a questão da negritude da Região Amazônica, especialmente, do estado do Amapá. O objetivo geral consiste em construir um “arquivo” e investigar um conjunto de enunciados ditos e escritos acerca dos negros da Amazônia. Elegem-se, como campos teóricos e metodológicos, três vertentes dos estudos discursivos: i) a Análise do Discurso (AD) de linha pecheutiana; ii) AD de linha foucaultiana; iii) a Análise Crítica do Discurso (ACD), desenvolvida por Fairclough. As ações desse projeto de pesquisa possibilitarão compreender o funcionamento de discursos na produção de sentido para e sobre os sujeitos, além do mais, permitirá verificar as relações de saber e de poder na produção de discursos que desenham os sujeitos negros nas mais variadas formas de manifestações, como nas práticas de Marabaixo, de Batuque, de Candomblé, de Umbanda, de ribeirinhos, de quilombolas, de migrantes, entre outras. Além disso, possibilitará pensar nas lutas por emancipação, por reconhecimento e por representação social através das ações e dos discursos dos atores sociais negros amazônicos e amazônidos perante o poder atuante e hegemônico de sujeitos e de Instituições.

Equipe: Ednaldo Tartaglia Santos (Coordenador), Benesaide da Silva Silva (Mestranda PPGLET) e Êmile Melo de Freitas (Graduanda/Letras-Santana)

Financiadores: PAPESQ 2019

 

Fonética e Fonologia de Línguas Indígenas Brasileiras – Fase II

Eduardo Alves Vasconcelos

Lattes

Este projeto dar continuidade às investigações fonético-fonológicas em quatros línguas indígenas brasileiras: Panará (Jê), Xetá (Tupi-Guarani), Ikpeng (Karib) e registros linguísticos do Galibi da região do Oiapoque (Karib). Além dessas línguas, acresce-se, nessa segunda fase, estudos de línguas indígenas falada no Amapá e norte do Pará. Essas investigações buscam, por um lado, aumentar o conhecimento científico sobre as línguas indígenas brasileiras, em especial, as línguas supracitadas e, por outro, dar contribuições ao uso da escrita entre esses povos. As análises partem dos pressupostos teóricos da fonologia desenvolvida pelo Círculo Linguístico de Praga, que tem em Trubetzkoy (1939) e Jakobson (1949) seus principais expoentes. Assume-se também, quando se mostrar relevante, as análises e representações autossegmentais, segundo a vertente das geometrias de traços.

Equipe: Eduardo Alves Vasconcelos (Coordenador), Angela Fabiola Alves Chagas (Docente/UFPA), Amiakare (Mestrando PPGLET), Uisllei Uillem Costa Rodrigues (Externo).

 

Sociodiversidade Amazônica:
território, língua, cultura e sociedade nas Terras do Cabo Norte

Eduardo Alves Vasconcelos

Lattes

Com uma diversidade sociocultural e linguística expressiva, o Estado do Amapá, nomeado, no período colonial, como Terras do Cabo Norte, apresenta-se como um campo fértil para pesquisas em diferentes áreas, sobretudo na área da Linguagem, cerne do propósito deste projeto. Assume-se a hipótese que essa diversidade, eminentemente multilíngue, é resultante de intrincadas e instigantes relações de migrações, ou seja, de um intenso trânsito de povos desde a foz do Amazonas até ao denominado platô das Guianas. O ponto de partida é buscar nos estudos históricos e socioculturais elementos que permitam compreender a ecologia linguística da região, para que, em seguida, possamos analisar amostras do português falados na região, principalmente, de comunidades afrodescendentes, quilombolas, indígenas e ribeirinhas. Nesse sentido, interessa-nos observar aspectos culturais que identificam as populações, bem como as tradições e manifestações que constituem as identidades culturais, observando as situações e eventos realizados em ritual ou em situações informais e de caráter comuns indicativas da tradição oral. A perspectiva teórico-metodológica que assumimos é, assim, a da sociolinguística, não enquanto método de investigação de campo, mas sim enquanto a importância que damos às informações sócio-históricas para compreensão do fenômeno linguístico. As discussões sobre contato permeiam essa proposta, uma vez que nosso olhar é para populações e suas línguas que se fundiram ou se dispersaram por diferentes razões.

Equipe: Eduardo Alves Vasconcelos (Coordenador), Edna dos Santos Oliveira (Coordenadora), Gisélia Gabriel (Mestranda PPGLET), Thais Ferreira Rodrigues (Graduando Letras/Santana).

Financiadores: PAPESQ/2019

 

Estudos Sincrônicos e Diacrônicos de Línguas Indígenas Sul-Americanas

Fernando Orphão de Carvalho

Lattes

O presente projeto possui um objetivo duplo: Em primeiro lugar, sob uma perspectiva sincrônica, buscará produzir conhecimento acerca da estruturação fonológica e gramatical de um conjunto de línguas indígenas faladas no continente Sul-Americano através da investigação de dados primários coletados em pesquisa de campo. Em segundo lugar, e com base nestes dados e também em dados secundários advindos da pesquisa de outros investigadores, o projeto buscará elucidar as características e a natureza do desenvolvimento histórico destas línguas e dos grupos linguísticos aos quais elas pertencem, dando especial ênfase, mas não exclusividade, às línguas das famílias Arawak, Carib, Jê e Tupi-Guarani. Insere-se, neste segundo objetivo, o intento de utilizar as informações resultantes da investigação em linguística histórica com o objetivo de contribuir para o estudo da história, e da pré-história, dos seus falantes, através da produção de modelos de diferenciação dos grupos linguísticos e do descobrimento de padrões de contato linguístico. Os métodos utilizados são os métodos tradicionais de análise linguística sincrônica, além do método histórico-comparativo, o instrumental central da linguística histórica.

Equipe: Fernando Orphão de Carvalho (Coordenador), Angela Fabiola Alves Chagas (Docente/UFPA), Cilene Campetela (Docente/UNIFAP), Gélsama Mara dos Santos (Docente/PPGLET), Diana Pantoja Zavodny (Mestranda PPGLET), Makaratu Waiãpi (Mestrando PPGLET), Ereu Apalai (Mestrando PPGLET), Josinete Barbosa (Graduanda Letras).

 

Criação de Base de Dados Linguísticos da Língua Kalinã do Oiapoque

Gélsama Mara dos Santos

Lattes

O projeto visa documentar e revitalizar a língua Galibi Kalinã do Oiapoque falada pelo povo com o mesmo nome, que vive na terra indígena Galibi, no município do Oiapoque. Pretendemos criar uma base de dados linguísticos para fins de produção de material didático que serão utilizados nas escolas Kalinã. Todo o trabalho será desenvolvido juntamente com a comunidade.

Equipe: Gélsama Mara dos Santos (Coordenadora), Cilene Campetela (Docente/UNIFAP), Davi Castro Gabriel (Graduando/Intercultural), Fernando Orphão de Carvalho (Docente/PPGLET), Glauber Romling da Sailva (Docente/PPGLET), Janina dos Santos Forte (Mestranda/PPGLET), Arawaje Apalaí (Mestranda/PPGLET),

 

Atualização da Base de Dados Linguísticos da Língua Kheuól do Uaçá:
uma Abordagem Bidialetal

Glauber Romling da Silva

Lattes

Este projeto tem por objetivo adaptar a Base de Dados Linguísticos da Língua Kheuól do Uaçá (doravante, BASE), e suas variantes dialetais Karipuna e Galibi-Marworno. A BASE foi construída com o programa de documentação linguística Fieldwork’s Language Explorer (FLEx) e apresenta atualmente 2000 entradas lexicais em Kheuól e Português. A BASE foi construída através da inserção de dados secundários escritos, e manteve todas as variações de escrita encontradas. Ou seja, este projeto não pretende fazer coleta de novos dados. Atualmente, os professores Karipuna e Galibi-Marworno estão discutindo e atualizando convenções ortográficas que sanem problemas de letramento e, sobretudo, de representatividade étnico-cultural. A escrita, como reificação da língua, tem esse poder. Algumas decisões ortográficas já foram tomadas (acento, til, hífen, etc.) através de oficinas do projeto “Valorização das Línguas Crioulas do Amapá e do Norte do Pará” e servirão de pontapé inicial para a adaptação da BASE com uma abordagem bidialetal. O projeto, como resultado final, poderá disponibilizar material Kheuól já publicado e de circulação livre com as devidas atualizações ortográficas.

Equipe: Glauber Romling da Silva (Coordenador), Jaciara Santos (Mestranda/PPGLET), João Alexandre Charles (Mestrando/PPGLET) e Isa dos Santos (Mestranda/PPGLET)

 

Estudos da Paisagem Linguística Amazônica Amapá-Guiana Francesa: contato, ecologias, políticas e semióticas linguísticas da fronteira Franco-Brasileira

Kelly Cristina Nascimento Day

Lattes

O projeto guarda–chuva Estudos da Paisagem Linguística Amazônica Amapá-Guiana Francesa: contato, ecologias, políticas e semióticas linguísticas da fronteira Franco-Brasileira, tangenciado por aspectos sociolinguísticos, ecolinguísticos e político-linguísticos das línguas e sociedades do contínuo Amazônico Amapá-Guiana Francesa se vincula à área da linguística e subárea da Sociolinguística. As pesquisas vinculadas a este projeto de natureza descritiva, qualitativa ou interpretativa, se debruçam sobre fenômenos existentes nessa fronteira decorrentes do contato linguístico, dentre os quais, aspectos relativos à mistura de línguas, práticas translingues e interferências, ao falar bilíngue, ao uso das línguas nos espaços públicos, às políticas linguísticas (menos ou mais explícitas), em diferentes contextos de aplicação. Nesse âmbito inserem-se abordagens puras ou aplicadas dos fenômenos emergentes do contato entre as línguas oficiais, minoritárias, indígenas e crioulas e do papel social destas na região fronteiriça. Discussão e estudos analítico-comparativos com aqueles produzidos nas demais zonas fronteiriças brasileiras.

Equipe: Kelly Day (Coordenadora)

 

Ensino de Língua Portuguesa como Língua Adicional na perspectiva da Linguística Aplicada Crítica

Rosivaldo Gomes

Lattes

O objetivo deste projeto é abarcar pesquisa que focalizem o ensino de aprendizagem, bem como a formação e elaboração de materiais didáticos voltados para o ensino de Português como Língua Adicional, L2 e LE. Para tanto, propõe-se desenvolver estudos que possam contribuir com esses temas e fortalecer discussões a respeito da importância que a Língua Portuguesa tem ganhado nos últimos anos no contexto de globalização em de internacionalização das universidade brasileiras. Para sustentação teórica e metodológica o projeto respalda-se nos pressupostos da Linguística Aplicada Crítica e das Políticas Linguísticas. Espera-se também contribuir para/com a prática pedagógica do professor sob a perspectiva do ensino de Língua Adicional, assim como auxiliá-lo na elaboração de materiais específicos para os alunos estrangeiros em atividades de Língua Portuguesa, por meio de práticas comparativas e contrastivas entre a Língua Portuguesa e outras línguas, procurando-se sob essa perspectiva fortalecer e ampliar o vínculo entre professor, aluno, língua, cultura, bem como estabelecer uma reflexão a respeito da qualidade de aprendizagem dos português para alunos estrangeiros e/ou indígenas em diferentes contextos de ensino e aprendizagem.

Equipe: Rosivaldo Gomes (Coordenador), Aldiere Orlando (Mestrando/PPGLET), Natália Vasconcelos (Mestranda/PPGLET), Edielson ,

Financiadores: PAPESQ/2019