Literatura, Cultura e Memória

Projetos 

Narrativas no Contexto Amazônico

Fernanda Cristina Encarnação dos Santos

Lattes

A necessidade de se criar uma historiografia literária para a Amazônia (e suas diversas regiões) levou-nos a refletir sobre a possibilidade de trabalhar com diversas narrativas, que ajudam a compreender o espaço amazônico, em todas as suas abordagens específicas. Da epistolografia do século XVII às narrativas indígenas, a Amazônia foi sendo criada e mitificada entre pólos opostos, ora observada como lugar inóspito e selvagem, ora observada como lugar paradisíaco. No século XVII, trabalharemos, especificamente, com o espaço Grão-Pará e Maranhão (assim designado pelos colonizadores portugueses) e com questões epistolográficas, sobretudo as cartas produzidas pelos missionários das Ordens religiosas. Assim, os viajantes que, ao longo dos séculos, analisaram a Amazônia em seus escritos serão contemplados. Por outro lado, trabalharemos também com as narrativas gestadas no espaço amazônico, tais como as dos povos indígenas Galibi-Marworno e Karipuna. Neste último caso, as fontes para estas narrativas são orais e a forma como as histórias são contadas, ao longo dos tempos, permite reconstruir a memória e a cultura destes povos.

Equipe: Fernanda dos Satnos (Coordenadora) Gelson Pastana Maciel (mestrando PPGLET); Nordevaldo dos Santos (mestrando PPGLET); Lana Moura Miranda (graduanda Letras/Santana)

 

Boa noite senhor! Boa noite senhora:
histórias contadas e recontadas em impressos no século XIX – Fase 2

Germana Sales

Lattes

Durante o período áureo da extração da borracha na Amazônia, na segunda metade do século XIX, muitas são as referências ao crescimento das duas maiores cidades da região: Manaus e Belém. Entretanto, são recentes os trabalhos que nomeiam a história cultural desses locais, com a ocorrência de espaços que favoreceram as práticas de leitura, como a fundação dos gabinetes de leitura, a criação de tipografias e livrarias e a presença dos jornais como veículos propagadores da leitura. Dessa forma, é notável que a Amazônia não abriga somente a maior biodiversidade do nosso planeta. Nela, de forma ímpar existe uma história cultural significativa, que registra uma ampla circulação de materiais impressos. Desde 2003, o Grupo de Estudos História da Literatura ? GEHIL, realiza pesquisas dedicadas à recuperação da história cultural em Belém, durante o século XIX. Esses trabalhos deram visibilidade e demonstraram que as informações acerca da construção da história da leitura e da história cultural não estão restritas à cidade do Rio de Janeiro, geralmente identificada como único sinônimo de vida intelectual no Brasil, durante os anos oitocentos. Ambientada na Amazônia brasileira, mas especificamente em Belém, capital do Pará, esta pesquisa apresenta como problema a recuperação de obras em prosa, veiculadas em diferentes suportes e disponíveis nos acervos que conservam esse material até o presente século. Trata-se de uma pesquisa em fontes primárias, que toma como objeto os jornais e as obras raras, bem como a análise dessas fontes e suas especialidades de circulação e movimentação cultural. O interesse da pesquisa está debruçado tanto no reconhecimento dos impressos em periódicos, como no estudo e análise do acervo de obras portuguesas presentes na Biblioteca Fran Pacheco, no Grêmio Literário Português. A recuperação desse material dá conta de ampliar estudos em torno da história cultural local, observando suas particularidades e influência, prioritariamente, lusitana.

Equipe: Germana Sales (Coordenadora)

Financiadores: CNPq

 

As Letras no Maranhão e no Grão-Pará: séculos XVI a XVIII

Marcelo Lachat

Lattes

Sobre a história da América Portuguesa, é preciso lembrar que a região norte não foi imediatamente explorada e colonizada após a chegada dos portugueses, em 1500, à “Terra de Vera Cruz”. Apenas em 1621, durante a chamada “União Ibérica”, é que se criou uma unidade administrativa responsável pelo Norte, o então denominado “Estado do Maranhão”, com sede em São Luís e que se distinguia administrativamente do Estado do Brasil. Em 1654, essa nova unidade da América Portuguesa foi renomeada “Estado do Maranhão e Grão-Pará” e, em 1751, “Estado do Grão-Pará e Maranhão”, transferindo-se sua sede para Belém. São ainda incipientes os estudos sobre a produção letrada dos séculos XVI a XVIII no (ou acerca do) Grão-Pará. Há importantes documentos que atestam a disputa pelo Norte do Brasil entre portugueses e espanhóis nos anos quinhentos e seiscentos, como as “relações” dos religiosos espanhóis Gaspar de Carvajal e Cristóbal de Acuña. Além disso, como se sabe, o padre Antônio Vieira foi o “superior” das missões jesuíticas no Estado do Maranhão e Grão-Pará, de 1653 a 1661, produzindo nesse período cartas, sermões e documentos administrativos. Conhecem-se ainda duas epopeias setecentistas que hoje são consideradas “amazônicas”: Viagem (1746), de Pedro de Santo Eliseu, e a Muharaida (1785), de Henrique João Wilkens. Assim, este projeto de pesquisa visa discutir as letras produzidas na ou referentes à região norte da “terra do Brasil” entre os séculos XVI e XVIII.

Equipe: Marcelo Lachat (Coordenador), Kerllyo Maciel (mestrando PPGLET) e Rosana Mendes (mestrando PPGLET)

 

Diáspora, memória e identidade nos romances da Guiana Francesa e do Suriname

Natali Fabiana da Costa e Silva

Lattes

Esta pesquisa pretende estudar a prosa romanesca da Guiana Francesa e do Suriname, destacando a memória coletiva e a diáspora enquanto elementos identitários que permeiam essa produção literária. O ponto comum entre as obras selecionadas para este estudo relaciona-se à existência, nesses romances, de um anseio de reparação histórica atrelado ao período da colonização europeia, sobretudo, durante a época da escravização de mão de obra trazida dos países africanos para o comércio do café, da cana-de-açúcar e da madeira. Nesse sentido, é profícua a publicação de romances históricos? conceito amplamente discutido por Lukàcs e Bakhtin? que mobilizam teorias acerca do deslocamento, assim como questões em torno dos conceitos de voz e local de fala. O aspecto inovador desta proposta consiste em adentrar um campo ainda pouco estudado no Brasil e alhures e, então, organizar, selecionar e, sobretudo, produzir fortuna crítica sobre uma literatura ainda pouco pesquisada. Teóricos como Stuart Hall, Edward Said, Homi Bhabha, Gayatri Spivak, Maurice Halbwachs, entre outros, serão fundamentais para o desenvolvimento do projeto de pesquisa, que contará com o apoio de pesquisadores de três instituições, a saber, Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), Université de Guyane (UG), Universidade Estadual Paulista (UNESP), além de envolver dois grupos de pesquisa, o Núcleo de Pesquisas em Estudos Literários ? Amazônia, Guianas e Caribe (NUPEL/UNIFAP) e o Literatura e Tempo presente (UNESP/UFsCar).

Equipe:  Juliana Pimenta Attie (Pe), Marcelo Lachat (D), Rosuel Domingos Lima Pereira (M).

Financiadores: CNPq

 

Literatura da região das Guianas:
lugar de fala e processo de “outremização” das personagens femininas

Natali Fabiana da Costa e Silva

Lattes

Esta pesquisa pretende estudar o lugar de fala de personagens femininas nos romances ou produções orais indígenas da região das Guianas, ou seja, do Amapá, Guiana Francesa, Suriname e República da Guiana. Esse território, embora distintos em inúmeras dimensões, congregam, todavia, diversos aspectos: a geografia, o fluxo migratório, certas influências culturais. Apresentam, ainda, uma constituição linguística e cultural múltipla na qual é possível encontrar as línguas francesa, crioula, inglesa, holandesa e indígenas, além de diversas expressões artísticas. Apesar dessa riqueza, trata-se de uma região que enfrenta sérios problemas, como a imigração ilegal, um alto índice de prostituição, a exploração ilegal do garimpo, o vilipendiamento dos povos indígenas, entre outros. A literatura não é alheia a esses aspectos e, portanto, se por um lado é permeada pelo imaginário exótico do “Eldorado”, também incorpora as contradições sociais presentes nas cidades, seus baixos níveis de desenvolvimento, as péssimas condições de trabalho no garimpo, a marginalização de uma região que ficou conhecida como “Inferno Verde”. Distante dos centros produtores de grandes obras literárias em nossa época, essa literatura que se expressa fora do cânone busca afirmar-se também enquanto representação de uma cultura não valorizada e pouco conhecida. Nessa perspectiva, se a Literatura é um produto cultural, ela pode construir e veicular discursos minoritários, buscando preencher as lacunas do paradigma literário vigente. A problematização do lugar de fala e daquilo que Morrison intitula “outremização” do sujeito serão os eixos norteadores do trabalho. Para tal, a pesquisa basear-se-á nas contribuições de Edward Said (2007), Gayatri Spivak (2010), Homi Bhabha (2013), Stuart Hall (2013), Toni Morrison (2019), entre outros.

Equipe: Bruna dos Santos Almeida (mestranda/PPGLET), Juliana Távora de Mendonça Lima (mestranda/PPGLET), Eline Samara de Souza Santos (mestranda/PPGLET), Elizabete dos Santos Pisa Waiana (mestranda/PPGLET), Malena Vidal dos Santos (mestranda/PPGLET), Bruna da Silva Alves (graduanda/Letras-Santana), Beatriz Marques das Chagas  (graduanda/Letras-Santana/2020), Eloana Machado da Conceição  (graduanda/Letras-Santana/2020), Jamilly da Silva Gonçalves  (graduanda/Letras/2019)

 

Literatura na Fronteira: Amapá e Guiana Francesa

Yurgel Pantoja Caldas

Lattes

Este projeto busca promover discussões sobre a produção literária na fronteira entre o Amapá e Guiana Francesa, a partir de formulações pós-coloniais, que ganham força com o término da Segunda Guerra Mundial.

Equipe: Ana Paula Costa Arruda (Graduanda/Letras), Carla Nobre (Mestranda/PPGLET), Jorlaíne de Almeida (Mestranda/PPGLET), Aline Monteiro dos Santos (Mestranda/PPGLET), Elane da Silva Viana (Mestranda/PPGLET), Juliana da Costa Castro (PE), Manoel Azevedo de Souza (Docente/UNIFAP)